PRÓXIMO DOMINGO NA PRAÇA – RECORDAÇÕES DO ICÓ E DO LIMÃO

“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós”. (Saint-Exupéry)

O repertório do próximo evento DANCE NA PRAÇA, 08/01/2017, será dedicado aos músicos que alegraram os finais de semana no nosso Saudoso Icó e Limão Bravo até o início dos anos 70. Foram eles que ensinaram a mim e a tanto(a)s outro(a)s a gostar da boa Música.  A presença daqueles humildes grandes artistas nas festas de Carnaval, São João, Natal  era imprescindível.

ZÉ MIÚDO – Nos anos 60 ele volta, de São Paulo, à sua Terra Natal trazendo um violão de Oito Bocas e a influência que lá recebeu da música Caipira. “Beijinho Doce” das Irmãs Galvão, era a sua preferida. Faleceu em 2014, aos 77 anos. Morava na Agrovila 1 dos Mandantes. Era Irmão de Dona Maria de Geracina.

MANOEL BARBOSA – Funcionário do DENOCS. Era um excelente Violonista. Sua música preferida: “Quem eu quero não me Quer” de Anísio Silva. Reassentado, Morava na Agrovila 3 do Limão. Faleceu em 2005 aos 80 anos. Era irmão de João Barbosa e Zezinho Barbosa.

MANÚ – Também um grande violonista. Suas músicas preferidas são as de Nelson Gonçalves (A Volta do Boêmio) e Ataufo Alves (Meus Tempos de Criança). Aos 87 anos ainda resiste a uma boa noitada de seresta. Reassentado, mora na Agrovila 2 do Limão.

GABRIEL RODRIGUES – Motorista do DENOCS, toca sanfona e cavaquinho e muito bem. Está com 89 anos. Mora em Arcoverde. Todos os seus filhos são músicos e tocam de tudo. Sanfona, cavaquinho, violão, guitarra, teclado, percussão, etc. Eles fizeram a abertura do Baile dos Filhos e Amigos de Petrolândia 2016.

GENIVAL – Excelente Acordeonista. Aprendeu com o Pai Gabriel Rodrigues citado acima. Mora em Itaparica, Jatobá, PE.

Cândio – Tocava Pé de Bode (sanfona de 8 baixos). Nos forrós de Pé de Latada nas taipas de casa ele não podia faltar. Faleceu aos 95 anos. Morava na Agrovila 2 dos Mandantes.

MENININHO – Tocava Acordeom.  Animava os forrós do Icó ao Limão. Reassentado, mora na Agrovila 5 do Limão. Filho de Pedro de Chico Moço e pai de Juliana Souza. De vez em quando ele relembra os bons tempos tocando na velha companheira.

CHICO DE MILA – Toca Sanfona. Era o principal forrozeiro na Chapada. Ainda relembra os velhos tempos quando de vez em quando pega na sua inseparável companheira de outrora. Reassentado, mora na Agrovila 1 do Limão.  É pai de Paulinha.

Eu não podia ficar de fora dessa Relação. O violão sempre me acompanhou. Tive minhas primeiras aulas com Manú e Manoel Barbosa. Minha música preferida era “Que queres tu de mim” de Altemar Dutra.

OBS: Se esqueci de alguém me corrija

DECLARAÇÃO DE AMOR À MINHA ETERNA NAMORADA

Um dia, ainda na minha infância pobre no saudoso Icó, eu observava o azul sem dimensão do espaço infinito. Nem uma nuvem para amenizar o calor insuportável. Como num passo de mágica aparece uma mulher na minha frente e pergunta:

– Está sonhando?

– Sim, estou pensando em voar.

Ela então me deu a mão e a partir daí jamais nos separamos.  Ela me ensinou a lutar por tudo que eu sonhava e graças ao nosso amor inseparável conseguir chegar a ser professor de uma Instituição, a Universidade Federal de Pernambuco, que como todas as Universidades no mundo, o valor maior é a liberdade. Liberdade de expressão, liberdade de pensamento.

Foi com ela que aprendi que a minha liberdade termina quando começa a dos outros qualquer que seja a opção política ou religiosa. Essa é a minha eterna namorada: A liberdade. E para homenageá-la, nada melhor do que a música do Saudoso Jessé: Voa Liberdade.  Mesmo sem saber cantar tive a permissão da minha eterna namorada para gravar este vídeo em Praça pública: A Praça dos Três Poderes em Petrolândia Pernambuco.

OBS: Este vídeo foi gravado durante o evento “TOQUE CANTE E DANCE NA PRAÇA” que acontece todos os domingos na Praça dos Três Poderes em Petrolândia Pernambuco.

Vai com Deus meu amigo Juvêncio

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“Como a semente posta na terra, nós não perecemos quando morremos, mas tendo sido plantados, nós levantamos” (Santo Atanásio).

Hoje mais um dos grandes homens, simples, humilde, determinado, agricultor, membro de uma grande família formadora da consciência cidadã desse nosso pedacinho de chão passou para o outro lado da vida.

A foto registra um dos vários momentos em que nos encontrávamos na estrada que liga Petrolândia ao Icó Mandantes. Era 23 de novembro de 2013. Esbanjava saúde. Ele na sua moto Bross e eu na minha. Vinha da sua roça no Limão com destino a outra roça no Umbuzeirão. A poeira só não cobria os nossos olhos. Eu andava documentando a Flora e Fauna da Reserva legal quando, sobre um sol de rachar, mais uma vez tive a oportunidade de bater um bom papo sobre a seca que implacavelmente sempre assola o nosso sertão. Ele para a moto e diz:

– Bom dia Paulo.

Bom dia. Trocou o jumento pela moto? Antigamente você só andava por aqui à cavalo ou jumento.

– Todos nós meu amigo, e devemos dar graças a Deus, embora naquela época a vida fosse muito mais tranquila do que agora. Hoje os tempos são outros. O que tá fazendo com essa máquina na mão? Pensa que as catingueiras estão mortas? Veja, só tem ali um Pau de Ema verde. Se não fosse a barragem o povo daqui hoje estaria morrendo de fome. Muitos comiam a raiz dele e macambira. Elas não estão mortas. Estão dormindo. Quando cair os primeiros pingos de chuva elas acordam e em oito dias estão tudo verde novamente. Tem uns abestalhados na televisão dizendo que o Rio São Francisco vai morrer. Não sabem de nada. Só Deus sabe qual será o futuro do Velho Chico e com certeza não vai nos abandonar.

Petrolândia 2016: Carnaval ontem e hoje

 

“…Foi bom te ver outra vez
Tá fazendo um ano
Foi no carnaval que passou
Eu sou aquele Pierrô
Que te abraçou e te beijou, meu amor…” (Máscara negra – Zé Kéti e Pereira Mattos).

O perfil dos carnavais saudosos de Petrolândia acabou? Não. Apenas mudou o cenário ou de cenário. Ontem, na velha cidade submersa tínhamos durante, o dia, os Corsos que eram desfiles de carros, com foliões geralmente fantasiados, que jogavam confetes, serpentinas e esguichos de lança-perfume nos ocupantes dos outros veículos. Havia também o desfile dos bonecos do grande folião Panta. À noite os bailes no Grêmio e no Clube da Barreira onde só podia entrar a fina flor da cidade. O povão tinha que se contentar com o carnaval democrático do clube Piçarrinha.

Mas se não acabou, onde estão os grandes foliões de ontem que ninguém viu brincando no carnaval de 2016 em Petrolândia? Se dermos um espiadinha nas redes sociais veremos. A fina flor formada hoje por empresários e políticos mudaram de palco. Está nos carnavais do Recife e Olinda, Rio de Janeiro, Salvador, etc, nos melhores Resorts do País ou nas Roças que de Roças só o nome. São verdadeiros paraísos à beira do lago com lindas piscinas, píer, lanchas, jets skis e muito mais.

Por aqui, a turma do tacho e tantos outros blocos não deixaram a peteca cair. A alegria tomou conta da cidade, principalmente na orla, formada por foliões consumidores que contribuem para eleger os políticos e deixar os empresários mais ricos para que no próximo carnaval se ausentem novamente da cidade para brincar o carnaval em outras paragens.

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Presidente Dilma entrega a segunda estação de bombeamento EBV II da Transposição do Rio São Francisco. E o caos no Sistema Itaparica como fica?

CanalAproxTranspE agora Presidente Dilma, como fica o Sistema Itaparica? Disseram a V. Exa. que a água que está sendo bombeada para a transposição do eixo Leste está prejudicando os produtores rurais do Icó Mandantes?

E agora Polo Sindical e Sindicatos associados: O que vocês disseram a Presidente sobre o que estão fazendo para que possamos continuar trabalhando honestamente e produzindo alimentos para o mundo? Disseram o que vocês fizeram para que cada reassentado receba os 21 hectares de área de cerqueiro a que têm direito? Disseram também o que vocês fizeram para que os reassentados recebam o título de posse de suas casas e lotes irrigados? Antes do governo do PT eu sei que fizeram muito.  E nos últimos 13 anos?

E agora senhores deputados e senadores que vivem a garimpar votos nos momentos das eleições: Pediram para a Presidente olhar para o Projeto Icó Mandantes? Conseguiram aprovar alguma emenda ou projeto que garanta a sustentabilidade do Sistema de Irrigação do Sistema Itaparica a exemplo do que fizeram para garantir 30 milhões para as bombas flutuantes para o Projeto Nilo Coelho em Petrolina? Projeto esse que foi concluído em apenas 90 dias?

E agora Produtores Rurais, conseguiram chegar perto da Presidenta para dizer que o nosso projeto está morrendo por falta de recursos devidos e prometidos pelo governo Federal? Conseguiram dizer a ela e aos políticos que os servidores que prestam serviços para a PLENA, (empresa terceirizada pela CODEVASF) para gerir o sistema de Irrigação dos projetos Icó Mandantes, Apolônio Sales, Barreira e Manga de baixo estão todos de aviso prévio? Conseguiram dizer a ela que, se até o próximo dia 15 de janeiro, a CODEVASF não pagar a conta da CELPE, esta cortará novamente a energia dos sistemas de bombeamento?

O canal de aproximação para a primeira estação de bombeamento da transposição do eixo leste (ver foto acima) inicia a menos de 500 metros da margem do lago onde está o Projeto Icó Mandantes. Corre paralelo ao início de quatro canais de aproximação dos sistemas de bombeamento do Projeto Icó Mandantes Bloco 4 (EB2, EB3, EB4 e EB5). Para a Transposição não está faltando nem recursos e nem água. Para os reassentados faltam os dois.

O projeto Icó Mandantes caminha a passos largos para o buraco que o levará ao fundo do poço. Não podemos, porém,  menosprezar os políticos, o sindicato e o polo sindical. Mas até agora, nada foi feito por eles que garanta a autosustentabilidade do Projeto. Continuamos reféns do voto de cabresto inclusive do sindicato e polo sindical que, no momento, são cabos eleitorais do governo federal. O mesmo governo federal que deixa que falte recursos até para pagar a conta de energia para consumo humano. Prefiro acreditar que a Presidenta Dilma não saiba disso.  Não podemos viver sem eles, políticos e sindicatos. Mas enquanto não tivermos organizados e unidos o suficiente para demonstrar que são eles que precisam de nós, chegaremos mais rápido do que se pensa ao fundo do poço e as consequências sociais serão desastrosas.  Será que nele caberá 8.000 habitantes? O que farão 2.500 jovens do Projeto Icó Mandantes na idade produtiva sem qualquer esperança de futuro?

Leia também:

A vaquinha do Icó Mandantes ou do Sistema Itaparica?

Suicídio e homicídio: o preço do progresso

Operária morre envenenada no Icó Mandantes

O Projeto Icó Mandantes de Petrolândia Pernambuco ontem hoje e amanhã

O Discurso proferido por Rui Barbosa no Senado Federal em 17/12/1914 é de uma atualidade impressionante:

“Sinto vergonha de mim por ter sido educador de parte desse povo, por ter batalhado sempre pela justiça, por compactuar com a honestidade, por primar pela verdade e por ver este povo já chamado varonil enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim por ter feito parte de uma era que lutou pela democracia, pela liberdade de ser e ter que entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente, a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez no julgamento da verdade, a negligência com a família, célula-mater da sociedade, a demasiada preocupação com o ‘eu’ feliz a qualquer custo, buscando a tal ‘felicidade’ em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir, sem despejar meu verbo, a tantas desculpas ditadas pelo orgulho e vaidade, a tanta falta de humildade para reconhecer um erro cometido, a tantos ‘floreios’ para justificar atos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição de sempre ‘contestar’, voltar atrás e mudar o futuro. Tenho vergonha de mim, pois faço parte de um povo que não reconheço, enveredando por caminhos que não quero percorrer…

Tenho vergonha da minha impotência, da minha falta de garra, das minhas desilusões e do meu cansaço. Não tenho para onde ir, pois amo este meu chão, vibro ao ouvir meu Hino e jamais usei a minha Bandeira para enxugar o meu suor ou enrolar meu corpo na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti, povo brasileiro!

De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”

Feminismo vs Machismo, Racismo vs Tolerância. – Dividir para dominar?

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Antes de tudo deixo aqui bem claro o meu conceito sobre o tema:

“Feminismo não prega ódio, feminismo não prega a dominação das mulheres sobre os homens. Feminismo clama por igualdade, pelo fim da dominação de um gênero sobre outro. Feminismo não é o contrário de machismo. Machismo é um sistema de dominação. Feminismo é uma luta por direitos iguais”. (Clara Averbuck)

Racismo é todo pensamento ou atitude que vise separar raças humanas considerando algumas superiores as outras. O racismo pode ser contra negros, mulatos, índios e até mesmo contra brancos. Reconheço, porém que quando se discute racismo os negros são a principal referência.

Dividir para dominar.

Quanto maior a fragmentação racial, étnica e/ou religiosa mais fácil para dominar. Neste caso a quem interessa essa fragmentação?

Quando uma pessoa, grupo ou seja lá o que for tenta desqualificar quem pensa diferente da sua ideologia, quer seja quanto ao racismo, questões de gênero, etc., está nada mais nada menos, conscientemente ou não, promovendo a divisão dos seres humanos em fragmentos que só interessa a quem domina ou quer dominar. Se já domina quer continuar dominando, e se é dominado quer chegar ao outro lado para também se tornar um dominador. Isto é feito pelas ideologias com objetivos específicos que vão sendo criadas ao longo da história. As presas mais fáceis para aderirem a tais ideologias são os jovens. O Estado Islâmico não foi criado do dia pra noite.

A foto acima, é de minha avó (Maria Cassimira da Silva, carinhosamente chamada de Bibi). A criança com o laço na cabeça é minha Mãe. Bibi é filha de uma mulata (Verônica ou Mãe Lon). Esta por sua vez é filha de uma negra (Maria Matilde da Conceição). Foi Escrava no Icó do senhor Antônio Bigodeiro. Bibi Perdeu o seu marido, portanto meu avô João Campos, Filho de Faustina Campos natural de Glória, BA, quando minha mãe tinha 18 meses. Casou-se novamente e teve mais duas filhas. Ela tinha 9 irmãos. 5 mulheres e 4 homens. Bibi era, sem saber, feminista por natureza. Mas nunca precisou se colocar contra os homens para conquistar o seu espaço. Na nossa família de filhos a netos e bisnetos a última palavra era a dela. Todos na região gostavam e a admiravam. Em resumo: Minha trisavó era negra e escrava, com muito orgulho!!!

Por fim, eu relembro o nome de várias mulheres brasileiras que contribuíram significativamente para a conquista de direitos iguais para as mulheres, índios, negros sem nunca terem precisado pregar a dominação das mulheres sobre os homens. Leiam neste link:

18 mulheres brasileiras que fizeram diferença

OPERÁRIA MORRE ENVENENADA NO ICÓ MANDANTES

Lamentável. Logo que tombou, seus companheiros e companheiras nativos começaram a saquear os alimentos que ela levava para casa, enquanto outros cantavam, alegremente, sem perceber o que estava acontecendo. Ela morava numa comunidade extremamente organizada, talvez a mais social e mais estável de todas as comunidades. Ela saía todos os dias para trabalhar às cinco horas da manhã e voltava, no máximo, às 10 horas quando o sol, implacável, informava que ela deveria voltar à sua casa. Às 15:00 horas saía novamente para trabalhar. Percorria diariamente até 1,5 quilômetros para realizar o seu trabalho e quando voltava trazia alimentos para os que ficavam em casa. Era responsável pela manutenção da biodiversidade e altas taxas de produtividade da agricultura irrigada no nosso Município. Nunca cobrou nada pelo seu trabalho. É provável que hoje ela tenha trabalhado em uma plantação contaminada por agrotóxico.

O Projeto Jovem Empreendedor da agroindústria familiar, promovido pelo INSTITUTO AFIM, vem lutando com paciência e persistência para tornar a nossa agricultura familiar autossustentável. Em futuro não distante nossos produtores perceberão que não precisarão usar produtos que destroem a nossa biodiversidade e que causam tantas doenças ao ser humano (defeitos de nascença, câncer, etc). Nossos jovens empreendedores do Icó Mandantes de hoje perceberão que a goiaba, o tomate, a melancia e tantas outras frutas que produzimos não precisam ser bonitas e nem tão pouco ter valor de mercado quando destinadas à produção de doces e compotas.

OBS: São chamadas de OPERÁRIAS as abelhas que saem da colmeia em busca de alimentos, o néctar das flores. Chegam a carregar um volume maior que o seu peso corporal.

A vaquinha do Icó Mandantes ou do Sistema Itaparica?

A maior crise hídrica dos últimos 80 anos, no Rio São Francisco, reduziu a produção agrícola? A resposta é não, com exceção da região onde estão os perímetros irrigados da Barragem de Itaparica. No Projeto Icó Mandantes a área irrigada está reduzida a metade. Neste projeto há bem pouco tempo produzia, só de melancia, 300 toneladas por dia. Hoje a produção diária não chega a 20 toneladas. A culpa é da crise hídrica? Não. Falta água, no lago, para irrigação? Não. A água não chega em quantidade suficiente na área irrigada porque os canais de aproximação estão obstruídos por vegetação. No momento estão sendo desobstruídos, mas em breve tudo voltará ao mesmo. Onde está o problema? Na vaquinha que produz o leite necessário à sobrevivência dos produtores. Aqui o insumo necessário à produção agrícola e ao consumo humano é gratuito: A água. A quem interessa que esta vaquinha continue em ação? A quase todos: Ao polo sindical que é o pai do projeto e não quer que os seus filhos criem asas. Interessa a maioria dos produtores, que por questões de ordem sócio cultural, não querem se tornar independentes do leite da vaquinha. Interessa a CODEVASF que opera um sistema de irrigação para produtores rurais que por diversas razões não têm como cobrar que os serviços por ela prestados sejam executados de acordo com os recursos financeiros que ela tem recebido ao longo dos anos. E não foram poucos. Os técnicos da CODEVASF não conseguem fazer o que deveria numa empresa aparelhada pela politicagem.

Se no próximo ano não chover o suficiente em toda extensão do Rio São Francisco o Lago de Itaparica chegará ao volume morto. O prejuízo para a economia de Petrolândia será incalculável além do que já tem causado até o momento com a redução da produção. Não haverá nem royalties e nem ICMS provenientes da Usina Luiz Gonzaga.

Os produtores, de perímetros irrigados que não dependem do leite da vaquinha saberão encontrar o caminho para continuar produzindo. Os que dependem da vaquinha como sobreviverão? Será que por aqui passará algum mestre da sabedoria e mandará seu discípulo jogar a vaquinha no precipício?

Para mais informações sobre os problemas gerados pela vaquinha leia as matérias abaixo:

SUICÍDIO E HOMICÍDIO: O PREÇO DO PROGRESSO

PROJETO ICÓ MANDANTES: SAI A HIDROSONDAS ENTRA A PLENA

PROJETO ICÓ MANDANTES ENSINA A CULTIVAR NO DESERTO DOS CAMPINHOS

O PROJETO ICÓ MANDANTES DE PETROLÂNDIA PERNAMBUCO ONTEM HOJE E AMANHÃ

ÓRFÃOS DA BARRAGEM DE ITAPARICA

CENTRO DE MONITORAMENTO DO SISTEMA DE IRRIGAÇÃO DO PROJETO ICÓ MANDANTES

TCU VERIFICA INDÍCIOS DE IRREGULARIDAS EM OBRAS DE REASSENTAMENTO DE ITAPARICA

PRODUTORES RURAIS DO ICÓ-MANDANTES OCUPAM E ASSUMEM COMANDO DAS ESTAÇÕES DE BOMBEAMENTO

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A FÁBULA DA VAQUINHA

Um mestre da sabedoria passeava por uma floresta com seu fiel discípulo, quando avistou ao longe um sítio de aparência pobre e resolveu fazer  uma breve visita… Durante o percurso ele falou ao aprendiz sobre a importância das  visitas e as oportunidades de aprendizado que temos,   também com as pessoas que mal conhecemos.

Chegando ao sítio, constatou  a pobreza do lugar: sem calçamento,  casa  de  madeira,  os  moradores,  um   casal e três filhos, vestidos com  roupas  rasgadas e sujas… Então se aproximou do senhor, aparentemente o pai daquela família, e perguntou: “Neste lugar não há sinais de pontos de comércio e de trabalho. Como o senhor e a sua família sobrevivem aqui?” E o senhor calmamente respondeu: “Meu amigo, nós temos uma vaquinha que nos dá vários litros de leite todos os dias. Uma parte desse produto nós  vendemos  ou trocamos na cidade vizinha por outros gêneros alimentícios e  a  outra  parte  nós  produzimos queijo e coalhada para o nosso consumo e  assim vamos sobrevivendo.”

O sábio agradeceu pela informação,  contemplou  o   lugar por uns  momentos,  depois se despediu e foi embora. No meio do caminho, voltou ao seu fiel discípulo e ordenou: “Aprendiz, pegue a vaquinha, leve-a ao  precipício  ali  à   frente  e  empurre-a,  jogue-a  lá  embaixo.” O jovem  arregalou  os  olhos  espantado  e  questionou o mestre sobre o fato de a vaquinha  ser  o  único  meio de sobrevivência daquela família, mas, como  percebeu  o  silêncio absoluto do seu mestre, foi cumprir a ordem. Assim, empurrou a vaquinha morro abaixo e a viu morrer.

Aquela cena ficou marcada na memória daquele jovem durante alguns   anos,  até  que,  um  belo  dia,  ele  resolveu   largar  tudo o que havia  aprendido e voltar àquele mesmo lugar e contar tudo àquela família, pedir  perdão e ajudá-los. E assim o fez. Quando se aproximava do local, avistou um sítio muito bonito, com árvores floridas, todo murado, com carro na garagem e algumas crianças  brincando  no  jardim.  Ficou triste e desesperado,  imaginando  que  aquela humilde família tivera que vender o  sítio  para sobreviver. Apertou o passo e, chegando lá, foi logo recebido por um caseiro muito simpático e perguntou sobre a família que ali morava há uns quatro anos.  O caseiro respondeu: “Continuam morando aqui.” Espantado, o discípulo entrou correndo  na casa e viu que era mesmo a  família  que   visitara antes com o mestre. Elogiou o local e perguntou ao senhor (o dono da vaquinha): “Como o senhor melhorou este sítio e está   tão  bem de vida?” E o senhor, entusiasmado, respondeu: “Nós tínhamos uma vaquinha  que  caiu  no  precipício  e morreu. Daí em diante, tivemos que fazer  outras  coisas  e  desenvolver   habilidades  que  nem sabíamos que  podíamos,  assim   alcançamos  o sucesso que seus olhos vislumbram agora!”

OBS: Os dados sobre a produção agrícola foram obtidos junto a vendedores de insumos agrícolas que atuam em todo Sistema Itaparica e todos os projetos irrigados desde Sobradinho até Petrolândia. Foram entrevistados também produtores rurais da área ribeirinha de Petrolândia.

Outubro Rosa saindo, Novembro Azul chegando

“No meio do caminho tinha uma pedra… Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas” (Carlos Drummond de Andrade).

Outubro Rosa chega ao fim em 2015. Que venha o Novembro Azul. Duas campanhas que conscientizam e ajudam mulheres a combater o câncer de mama e homens o câncer de próstata. O Icó Mandantes entrou este ano na onda deste movimento mundial. É mais uma pedra que está sendo removida no caminho do povo do Icó Mandantes.

Nós que fazemos o INSTITUTO AFIM continuaremos aqui tentando remover outras pedras que têm surgido no caminho. Nada é impossível quando lutamos por uma causa. Ia tudo bem com o PROJETO JOVENS EMPREENDEDORES DA AGROINDÚSTRIA FAMILIAR DO ICÓ MANDANTES até o momento em que fomos surpreendidos por várias pedras encontradas no meio do caminho: Crise hídrica, crise política, crise econômica, e uma das maiores secas dos últimos 80 anos que atinge a região banhada pelo Rio São Francisco. Não vamos desanimar.

Até Dilma Dilma Rousseff, Eduardo Campos e Aécio Neves, quando em campanha às eleições, visitaram o INSTITUTO AFIM para dizer que dariam apoio ao projeto.

Mas tenho certeza que elas sairão do caminho. Aos poucos sairão. Vamos seguir o Conselho de Bill Gates: “Tente uma, duas, três vezes e se possível tente a quarta, a quinta e quantas vezes for necessário. Só não desista nas primeiras tentativas, a persistência é amiga da conquista. Se você quer chegar a aonde a maioria não chega, faça o que a maioria não faz”.

Enquanto vamos persistindo, tentando conquistar a nossa sonhada sustentabilidade tão necessária à elevação da autoestima de nossos jovens e promoção da paz em nosso município, que tal aproveitar o momento para fazermos nossa homenagem ao Outubro Rosa que se finda e ao Novembro Azul que se inicia, amanhã, ouvindo o Hino do INSTITUTO AFIM com a música do padroeiro da nossa Petrolândia e também padroeiro da ecologia e dos animais?

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