PETROLÂNDIA EM TEMPO DE VACAS MAGRAS

Há cerca de 40 anos que Petrolândia não sabe o que é desemprego. Em 2013, a Terra de Pedro comemorava 104 anos de emancipação em tempo de vacas gordas e “em alto estilo”, do jeito que os políticos gostam e o seu povo também. Muita festa movida à bandas caríssimas. Foram dois dias de muito forró, muita cana e nada de cultura local: Forró Chicote, Rodolfo Melo, Capim com Mel, Geraldinho Lins e Garota Safada. Nas comemorações dos 105 anos, 2014, a dose foi Triplicada: Banda Calypso, Moleca 100 Vergonha e Victo e Léo. Recursos que poderiam ter sido poupados para os anos de vacas magras que estavam por vir caíram nas mãos de empresários de grandes bandas de outras paragens. Mas o que fazer se é disso que o povo gosta? Quatro anos após, 2017, o novo Gestor inicia o seu mandato em tempo das vacas magras e na comemoração dos 108 anos de emancipação a população teve que se contentar com Wilton Belo, Fulô de Mandacaru e Geninho Batalha. A gritaria foi geral.

Faço aqui uma pausa para comentar uma mensagem bíblica do livro Gêneses capítulo 41:

Um Faraó do antigo Egito teve dois sonhos: No primeiro viu sete vacas gordas. No segundo, sete vacas magras devorando as sete vacas gordas. Recorreu a um sábio que se encontrava na prisão: José, filho de Jacó, pedindo humildemente que decifrasse o seu sonho: Contou-lhe que tinha visto, no sonho, sete vacas magras devorando sete vacas gordas. José disse que as sete vacas gordas significavam sete anos de fartura e as sete vacas magras sete anos de escassez. José sugeriu ainda que o Faraó deveria passar os sete anos de fartura armazenando o excesso da produção para serem distribuídos nos sete anos de dificuldades. E assim, quando chegaram os sete anos de miséria o mundo todo padeceu, menos o Egito.

Voltando ao tema:

Petrolândia não teve apenas sete anos de vacas gordas, mas 35 anos. Desde meados dos anos 70 quando a CHESF se instala de mala e cuia na velha cidade preparando-se para a construção da Barragem. “Pesando todas estas vantagens CHESF” criou o escritório de Petrolândia sob a direção do engenheiro Dr. Sérgio, com uma boa equipe de funcionários de nível superior e médio, alguns recrutados na cidade, grande número de empregados para os serviços de construção da Barragem eram pessoas aqui residentes com reais vantagens para ambos os lados: para a cidade porque o desemprego ficou reduzido a quase zero… (Gilberto de Menezes, De Jatobá A Petrolândia – Três nomes uma cidade, um povo, 2014, p. 96)

Provavelmente faltou aos gestores que passaram pela prefeitura a sabedoria necessária para recorrer ao sistema educacional a fim de “armazenar”, qualitativamente, nas crianças o bem mais precioso que todo município deve proporcionar aos seus filhos: Conhecimento. Só educação de qualidade, poderia fazer com que os seus jovens adultos e adultos jovens descobrissem que moram numa cidade do tamanho do Brasil, do tamanho do mundo. O resultado dessa desastrosa falta de vontade politica caiu como uma bomba relógio nas mãos do atual gestor que, em função de sua formação humanista, sem qualquer experiência política e não acostumado com vícios nada republicanos, foi escolhido como única tábua de salvação do grupo político que estava e está no poder há 16 anos.

Seis meses é muito pouco pra fazermos uma avaliação justa pra quem ainda tem três anos e meio pela frente.

PAULO CÂMARA EM PETROLÃNDIA (SEMINÁRIO PERNAMBUCO EM AÇÃO): A POLÍTICA TEM RAZÕES QUE A PRÓPRIA RAZÃO DESCONHECE.

“Dois homens olharam através das grades da prisão; um viu a lama, o outro as estrelas” (Santo Agostinho) – A maneira de perceber a realidade depende da visão de mundo de cada pessoa ou de seus interesses pessoais.

O Blogueiro Magnu Martins parece ter visto apenas o que ele queria: Dizer que o Seminário em Petrolândia Fracassou.
As matérias publicadas ou são tendenciosas ou ele, Magnu, não conhece as lideranças dessa região bem como a população da Micro região Itaparica (141.618) e das demais que ele comparou: Pajeú (325.564) e Moxotó (224.134). Pelo número de Habitantes destas, o Seminário deveria ter sido realizado num Estádio de futebol.

Ausência de algumas lideranças houve, mas provavelmente ele não sabe as razões. Como jornalista deveria saber. Além do mais chamou os alunos do Ensino Médio de desinteressados e mau educados. Não foi isso que vi. Se houve algum problema, nada fora dos limites do comportamento natural de toda juventude. Se a supervisora interviu, agiu como todo educador que tem compromisso com Educação.

Não é todo político que tem a coragem de prestar contas de suas ações em uma quadra de esportes lotada de jovens. Parabéns Governador Paulo Câmara, Parabéns Prefeito Ricardo Rodolfo, Parabéns Estudantes do Ensino Médio de Petrolândia, Parabéns Petrolândia. As lideranças políticas que não compareceram é porque não estão interessadas no desenvolvimento da região.

“Diferentemente da abertura, ontem, em Afogados da Ingazeira, polo do Pajeú, onde se observou a presença das mais expressivas lideranças políticas da região, o seminário de Petrolândia, aberto há pouco, não repete o sucesso de ontem.

A começar pela plateia, fortemente composta por estudantes do ensino médio, que não estão nem aí para o que as autoridades falam. Há pouco, um grupo de estudantes chegou a levar um carão de uma supervisora de escola por mau comportamento.

Assessores do governador não admitem que o evento fracassou. Alegam que a região de Itaparica é bem menor do que a do Pajeú ‘Enquanto o Pajeú tem 17 municípios, aqui são apenas sete municípios’, justifica um assessor”. (https://www.blogdomagno.com.br/ver_post.php?id=173830 acessado em 25/03/2017).

“Informada do fracasso em Petrolândia, a prefeita Madalena Brito (PSB), anfitriã, cuidou de reforçar a mobilização ontem, envolvendo todos os prefeitos da região, deputados votados no Moxotó, vereadores e lideranças sindicais. O que ocorreu em Itaparica serviu até de alerta para o Governo e aliados. Lá, o prefeito-anfitrião Pastor Ricardo e os deputados que atuam na região relaxaram na mobilização. Mesmo ocupando o ambiente com estudantes, ainda se observou um amontoado de cadeiras vazias”. (https://www.blogdomagno.com.br/ver_post.php?id=173871 – Acessado em 25/03/2017)

Fotos: Divulgação Facebook

PAULO CÂMARA EM PETROLÃNDIA (SEMINÁRIO PERNAMBUCO EM AÇÃO): A POLÍTICA TEM RAZÕES QUE A PRÓPRIA RAZÃO DESCONHECE.

O Blogueiro Magnu Martins parece ter visto apenas o que ele queria: Dizer que o Seminário em Petrolândia Fracassou.

“Dois homens olharam através das grades da prisão; um viu a lama, o outro as estrelas” (Santo Agostinho) – A maneira de perceber a realidade depende da visão de mundo de cada pessoa ou de seus interesses pessoais.

“Diferentemente da abertura, ontem, em Afogados da Ingazeira, polo do Pajeú, onde se observou a presença das mais expressivas lideranças políticas da região, o seminário de Petrolândia, aberto há pouco, não repete o sucesso de ontem.

A começar pela plateia, fortemente composta por estudantes do ensino médio, que não estão nem aí para o que as autoridades falam. Há pouco, um grupo de estudantes chegou a levar um carão de uma supervisora de escola por mau comportamento.

Assessores do governador não admitem que o evento fracassou. Alegam que a região de Itaparica é bem menor do que a do Pajeú ‘Enquanto o Pajeú tem 17 municípios, aqui são apenas sete municípios’, justifica um assessor”. (https://www.blogdomagno.com.br/ver_post.php?id=173830 acessado em 25/03/2017).

“Informada do fracasso em Petrolândia, a prefeita Madalena Brito (PSB), anfitriã, cuidou de reforçar a mobilização ontem, envolvendo todos os prefeitos da região, deputados votados no Moxotó, vereadores e lideranças sindicais. O que ocorreu em Itaparica serviu até de alerta para o Governo e aliados. Lá, o prefeito-anfitrião Pastor Ricardo e os deputados que atuam na região relaxaram na mobilização. Mesmo ocupando o ambiente com estudantes, ainda se observou um amontoado de cadeiras vazias”. (https://www.blogdomagno.com.br/ver_post.php?id=173871 – Acessado em 25/03/2017)

Essas matérias ou são tendenciosas ou ele, Magnu, não conhece as lideranças dessa região bem como a população da Micro região Itaparica (141.618) e das demais que ele comparou: Pajeú (325.564) e Moxotó (224.134). Pelo número de Habitantes destas, o Seminário deveria ter sido realizado num Estádio de futebol.

Ausência de algumas lideranças houve, mas provavelmente ele não sabe as razões. Como jornalista deveria saber. Além do mais chamou os alunos do Ensino Médio de desinteressados e mau educados. Não foi isso que vi. Se houve algum problema, nada fora dos limites do comportamento natural de toda juventude. Se a supervisora interviu, agiu como todo educador que tem compromisso com Educação.

Não é todo político que tem a coragem de prestar contas de suas ações em uma quadra de esportes lotada de jovens. Parabéns Governador Paulo Câmara, Parabéns Prefeito Ricardo Rodolfo, Parabéns Estudantes do Ensino Médio de Petrol, Parabéns Petrolândia. As lideranças políticas que não compareceram é porque não estão interessados no desenvolvimento da região.

 

Fotos: Divulgação Facebook

ORLA DE PETROLÂNDIA – COMO NUM PASSE DE MÁGICA: TUDO LIMPO

Parafraseando John F. Kennedy: “Não pergunte o que Petrolândia pode fazer por você, pergunte o que você pode fazer por Petrolândia!”.

O mutirão realizado hoje por moradores e funcionários da Prefeitura a Pedido do Prefeito Ricardo Rodolfo para limpeza da Orla Fluvial de Petrolândia, tem um poder simbólico no imaginário social e cultural dos Petrolandenses que vai muito além da nossa real compreensão.

Eu entendo as razões que levam muitos jovens da nossa cidade pós-barragem de Itaparica não perceberem a importância que tem este gesto. Afinal, a maior parte de nossas raízes culturais repousa adormecida sob as águas do Velho Chico. Petrolândia deu início, hoje, ao resgate desse passado pobre, difícil, mas construído com muito orgulho. A história de Petrúcio Amorim explicitada na sua música Tareco e Mariola é também a história do povo de Petrolândia.

“Cartas na mesa,

bom jogador conhece o jogo pela regra,

não sabes tu que já tirei leite de pedra,

só pra te ver sorrir pra mim não chorar.

Você foi longe,

me machucando provocou a minha ira,

só que eu nasci entre o velame e a macambira,

quem é você pra derramar meu munguzá”

O FORRÓ/SERESTA MAIS DEMOCRÁTICO DO MUNDO EM PETROLÂNDIA

Gente humilde, pessoas simples, um bom tecladista e vocalista. Esta é a receita do tempero que há dois anos vem fazendo a alegria de quem gosta de dançar ao ar livre ao som de músicas que fazem bem ao coração a alma e a mente. No domingo de 29/01/2017 enquanto muitos petrolandenses se acotovelavam para ver Gustavo Lima em Tacaratu o público fiel do Baião D2 curtia, como sempre, o que já se tornou referência na vida noturna da nossa querida Petrolinda. Aqui todos se divertem tendo dinheiro ou não. O acesso é livre, a bebida é barata, o churrasquinho e o caldinho também. Se você não faz questão de luxo, de estar ao lado de gente pobre ou rica não deixe de conhecer o Forró/Seresta mais democrático do mundo. Além do grande cantor e tecladista Aldo Silva (proprietário do restaurante) natural da Agrovila 01 Bloco 01 a cantora Irisvânia é presença garantida todos os domingos. Não faltam também excelentes intérpretes que por aqui estão de passagem, como caminhoneiros, vendedores, promotores de vendas de outras paragens. Confira vendo o vídeo abaixo.

Para garantir a tranquilidade dos clientes há dois Seguranças e a Polícia Militar que faz ronda constante no local.

OBS

O Baião D2 & Churrascaria fica na BR 316 ao lado da PETROVEL, Petrolândia Pernambuco. Funciona de terça a domingo das 9:00 às 21 horas. O Forró/Seresta aos domingos das 19:30 às 00:00 horas.

PRÓXIMO DOMINGO NA PRAÇA – RECORDAÇÕES DO ICÓ E DO LIMÃO

“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós”. (Saint-Exupéry)

O repertório do próximo evento DANCE NA PRAÇA, 08/01/2017, será dedicado aos músicos que alegraram os finais de semana no nosso Saudoso Icó e Limão Bravo até o início dos anos 70. Foram eles que ensinaram a mim e a tanto(a)s outro(a)s a gostar da boa Música.  A presença daqueles humildes grandes artistas nas festas de Carnaval, São João, Natal  era imprescindível.

ZÉ MIÚDO – Nos anos 60 ele volta, de São Paulo, à sua Terra Natal trazendo um violão de Oito Bocas e a influência que lá recebeu da música Caipira. “Beijinho Doce” das Irmãs Galvão, era a sua preferida. Faleceu em 2014, aos 77 anos. Morava na Agrovila 1 dos Mandantes. Era Irmão de Dona Maria de Geracina.

MANOEL BARBOSA – Funcionário do DENOCS. Era um excelente Violonista. Sua música preferida: “Quem eu quero não me Quer” de Anísio Silva. Reassentado, Morava na Agrovila 3 do Limão. Faleceu em 2005 aos 80 anos. Era irmão de João Barbosa e Zezinho Barbosa.

MANÚ – Também um grande violonista. Suas músicas preferidas são as de Nelson Gonçalves (A Volta do Boêmio) e Ataufo Alves (Meus Tempos de Criança). Aos 87 anos ainda resiste a uma boa noitada de seresta. Reassentado, mora na Agrovila 2 do Limão.

GABRIEL RODRIGUES – Motorista do DENOCS, toca sanfona e cavaquinho e muito bem. Está com 89 anos. Mora em Arcoverde. Todos os seus filhos são músicos e tocam de tudo. Sanfona, cavaquinho, violão, guitarra, teclado, percussão, etc. Eles fizeram a abertura do Baile dos Filhos e Amigos de Petrolândia 2016.

GENIVAL – Excelente Acordeonista. Aprendeu com o Pai Gabriel Rodrigues citado acima. Mora em Itaparica, Jatobá, PE.

Cândio – Tocava Pé de Bode (sanfona de 8 baixos). Nos forrós de Pé de Latada nas taipas de casa ele não podia faltar. Faleceu aos 95 anos. Morava na Agrovila 2 dos Mandantes.

MENININHO – Tocava Acordeom.  Animava os forrós do Icó ao Limão. Reassentado, mora na Agrovila 5 do Limão. Filho de Pedro de Chico Moço e pai de Juliana Souza. De vez em quando ele relembra os bons tempos tocando na velha companheira.

CHICO DE MILA – Toca Sanfona. Era o principal forrozeiro na Chapada. Ainda relembra os velhos tempos quando de vez em quando pega na sua inseparável companheira de outrora. Reassentado, mora na Agrovila 1 do Limão.  É pai de Paulinha.

Eu não podia ficar de fora dessa Relação. O violão sempre me acompanhou. Tive minhas primeiras aulas com Manú e Manoel Barbosa. Minha música preferida era “Que queres tu de mim” de Altemar Dutra.

OBS: Se esqueci de alguém me corrija

Petrolândia 2016: Carnaval ontem e hoje

 

“…Foi bom te ver outra vez
Tá fazendo um ano
Foi no carnaval que passou
Eu sou aquele Pierrô
Que te abraçou e te beijou, meu amor…” (Máscara negra – Zé Kéti e Pereira Mattos).

O perfil dos carnavais saudosos de Petrolândia acabou? Não. Apenas mudou o cenário ou de cenário. Ontem, na velha cidade submersa tínhamos durante, o dia, os Corsos que eram desfiles de carros, com foliões geralmente fantasiados, que jogavam confetes, serpentinas e esguichos de lança-perfume nos ocupantes dos outros veículos. Havia também o desfile dos bonecos do grande folião Panta. À noite os bailes no Grêmio e no Clube da Barreira onde só podia entrar a fina flor da cidade. O povão tinha que se contentar com o carnaval democrático do clube Piçarrinha.

Mas se não acabou, onde estão os grandes foliões de ontem que ninguém viu brincando no carnaval de 2016 em Petrolândia? Se dermos um espiadinha nas redes sociais veremos. A fina flor formada hoje por empresários e políticos mudaram de palco. Está nos carnavais do Recife e Olinda, Rio de Janeiro, Salvador, etc, nos melhores Resorts do País ou nas Roças que de Roças só o nome. São verdadeiros paraísos à beira do lago com lindas piscinas, píer, lanchas, jets skis e muito mais.

Por aqui, a turma do tacho e tantos outros blocos não deixaram a peteca cair. A alegria tomou conta da cidade, principalmente na orla, formada por foliões consumidores que contribuem para eleger os políticos e deixar os empresários mais ricos para que no próximo carnaval se ausentem novamente da cidade para brincar o carnaval em outras paragens.

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Uma ponte entre o passado e o presente

cais03Petrolândia 05 de novembro de 2013

Cais D. Pedro II ou Píer da Prainha? Se a resposta correta for a primeira opção teremos uma ponte entre o passado e o presente. Será uma importante, oportuna e merecida contribuição ao patrimônio histórico e cultural da nossa cidade. Independentemente do estilo da obra de ontem e de hoje será uma forma do nosso povo mergulhar e ficar conectado permanentemente à história da nossa querida Petrolândia. Mas se for batizado de “Píer da Prainha” estaremos cometendo um equívoco histórico imperdoável conhecido como estrangeirismo ou até mesmo barbarismo. Infelizmente, muitas vezes, de forma inconsciente, pessoas apropriam-se de neologismos e passam a usá-los, sem perceber, como instrumento de dominação através da linguagem.

cais04“Píer” vem do inglês. Significa “Pilar” em nosso dicionário nordestinês. Aportuguesado: Vários pilares sustentando uma passarela flutuante que servirá para atracar embarcações. Parece-me que no projeto apresentado pelo Prefeito o “Píer da Prainha” é apenas uma peça de engrenagem no meio de um todo chamado Cais.

Em 1877 D. Pedro II veio à Petrolândia e mandou construir um Cais e uma ferrovia. Objetivo: Ligar economicamente o alto e o baixo São Francisco e com isso escoar a produção de gêneros alimentícios produzidos em municípios localizados às margens do Velho Chico além de gerar emprego e renda para os sertanejos famintos. O Cais foi construído e a ferrovia também. Dar para entender um empreendimento deste porte há 136 anos em Petrolândia? Só Mergulhando na história das águas do Velho Chico.

cais02Segundo o Prefeito Lourival Simões “Desde a mudança da cidade para a atual localização, o poder público aguarda essa correção, pois tínhamos na Velha Cidade o nosso cais e, com a mudança para cá, nós perdemos esse espaço que servirá não apenas ao desenvolvimento do turismo como auxiliará aos pequenos e médios pescadores que terão onde atracar suas embarcações”.

Assim, se em 1877 D. Pedro II veio aqui e mandou construir um Cais nada melhor que o Prefeito que 136 anos depois manda construir outro para substituí-lo, e agora com toda força do Estado da Arte do século XXI, sugira ao povo que ele seja batizado de Cais D. Pedro II em vez de Píer da Prainha.

cais01E se assim for, os pequenos pescadores, os humildes agricultores, os cabras da peste do nosso sertão não sairão daqui irritados por não conseguirem entender o linguajar da elite que frequenta o Píer da Prainha como apresentado no vídeo abaixo. Os gringos turistas, gostarão de ouvir e aprender o arretado linguajar nordestinês dos guias turísticos petrolandenses. Em vez de importar vamos exportar neologismo.

Fotos: Divulgação facebook 

Petrolândia vs Cocal dos Alves

Petrolândia 22 de maio 2013

O texto, abaixo juntamente com as fotos e vídeo apresentados, são uma tentativa de levar os leitores a refletirem sobre o que há de diferença entre Petrolândia e Cocal dos Alves.

O que descrevo tem caráter meramente acadêmico visando contribuir, simplesmente, para o debate a respeito de um tema que vem sendo amplamente divulgado na imprensa e bastante discutido no meio educacional. Nada de pessoal contra a pessoa de quem quer que seja, político ou não. Espero que tenham discernimento capaz de distinguir uma coisa da outra.

Para facilitar a análise vou me deter a descrever fatos do cotidiano do Projeto Icó Mandantes, localizado na área rural de Petrolândia Pernambuco por ser a comunidade onde moro e que conheço como a palma da minha mão. A população desta comunidade é superior a de Cocal dos Alves.

Cocal dos Alves é uma cidade pobre, encravada no interior do Piauí com pouco mais de 5.600 habitantes. A agricultura é a sua principal fonte de renda. É a típica cidade que vive praticamente do FPM – Fundo de Participação dos Municípios. Seu pib per capta é 2.951,15. Em termos econômicos o contraste com Petrolândia é estarrecedor: População 36.000 habitantes, pib per capita 18.737,90, sete vezes superior ao de Cocal dos Alves.

O Projeto Icó Mandantes é formado por 16 comunidades: Quinze Agrovilas e a Vila dos Pescadores. A agricultura irrigada é um dos principais motores que impulsionam a economia de Petrolândia. Os serviços públicos como estradas, escolas, postos de saúde, sistema de tratamento de água foram construídos pela CHESF e mantidos durante muito tempo pela Prefeitura através de recursos financeiros repassados pelas CHESF. Para saber mais detalhes deste projeto leia (O Projeto Icó Mandantes de Petrolândia Pernambuco ontem hoje e amanhã )

Em vários pontos Cocal dos Alves assemelha-se às comunidades do Projeto Icó Mandantes: “Quanto mais se enumeram as vitórias, maior é o contraste com o tamanho da cidade a 300 quilômetros de Teresina. De perto, Cocal dos Alves parece menor ainda do que revela o tamanho de sua população. Muitas famílias moram em casas afastadas em meio a grandes plantações de cajueiros, a principal fonte de renda da cidade. A maior parte das ruas é de terra ou areia e frequentada por galinhas, cabras e porcos que vivem fora da cerca.” (http:// ultimosegundo.ig.com.br/educacao/em cocal dos alves nada e mais importante que competicoes educacionais/n1597057185707.html)

A inferioridade econômica de Cocal dos Alves se inverte quando analisamos as condições educacionais, hoje, das duas comunidades, e projetamos a situação dos jovens de lá e daqui para os próximos 15 anos.

Que futuro espera os jovens de Cocal dos Alves e do Projeto Icó Mandantes? Esta é a pergunta que cada leitor deve responder depois de ler o texto que se segue.

A nave que move alunos e pais de alunos pobres em busca do sucesso é movida por dois combustíveis: Sonhos e ideais. Tanto a nave como os combustíveis são gratuitos e existem em abundância na natureza, mas não estão disponíveis à população pobre principalmente do meio rural a menos que surja um Antônio Amaral de Cocal dos Alves, “sem lenço e sem documento”, movido apenas ao desejo de disponibilizar à população pobre de sua cidade essa fonte inesgotável de energia que remove qualquer obstáculo que surja na frente dos que sonham. Uma energia tão forte capaz de ter 100% dos alunos, dessa pequena cidade, inscritos no vestibular de uma Universidade Federal aprovados com distinção.

Mas se apenas um professor de Escola Ppetrococalública Municipal de uma das cidades mais pobres do Piauí, com as condições materiais mínimas, foi capaz de num universo de 20 milhões de alunos, fazer seus discípulos se tornarem campeões da OBMEP- Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas conquistando 120 medalhas em 5 anos, imaginem se o poder público municipal por esse Brasil afora tivesse vontade política para incentivar aqueles que estão diretamente com a mão na massa, cujo interesse é simplesmente mudar a realidade sócio econômica dos que mais precisam desse combustível infalível e gratuito: Sonhos e Ideais.

A população pobre de Petrolândia e particularmente do Projeto Icó Mandantes, teve a mesma oportunidade, respeitada a devida proporcionalidade quanto a natureza do objeto em questão.

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Em 2010 três escolas ficaram entre as de melhor desempenho na avaliação do SAEPE na GRE de Floresta, que inclui Belém, Carnaubeira, Floresta, Itacuruba, Jatobá, Petrolândia e Tacaratú. O Prefeito da nossa cidade não perdeu tempo e não permitiu que o burro passasse selado. Foram comemorações e comemorações pela conquista. Até outdoors foram espalhados pela cidade. Mas os principais atores dessa brilhante conquista, professores, alunos e comunidade da Escola Municipal Juá na Agrovila 10 do Icó Mandantes foram esquecidos. Até o Laboratório de Informática para a Escola e um notebook para cada Professor prometidos pelo Governador Eduardo Campos, se veio, ninguém sabe ninguém viu. Enquanto em Cocal dos Alves brilharam as estrelas dos professores e alunos, aqui os protagonistas do sucesso educacional foram o Governador e o Prefeito com seus assessores de primeiro e segundo escalão que aproveitaram o sucesso dos outros para fazer proselitismo político.

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Quando eu vi, pela internet em 2011, o Prefeito e seu staff recebendo do Governador as “merecidas homenagens” fui à Escola Juá para saber o que ela tinha de diferente para ser tão boa. O professores presentes, entre eles Clécio e a professora Rita, convenceram-me com suas respostas características de educadores comprometidos e vocacionados para o magistério, mas a resposta mais convincente veio de uma mãe de aluno: “Esta escola é boa porque a comunidade é atuante, participa intensivamente da vida da escola”. Pelo que observei in loco a Prefeitura não fez nada, absolutamente nada, além do mínimo necessário para que a escola pudesse funcionar. Até uma Sala especial para instalar o Laboratório de Informática a escola construiu com recursos próprios e da comunidade. Até o momento, nem a cabaça e nem o mel.

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A semente que ali foi plantada por professores alunos e pais poderia ter se espalhado pelas demais 15 escolas transformando o Projeto Icó Mandantes num Cocal dos Alves. Quem sabe agora, professores estivessem fazendo mestrado ou doutorado em alguma Universidade com bolsas do governo federal e alunos se preparando na certeza de que ingressariam em qualquer instituição educacional de alto nível.

O vídeo, abaixo, deveria ser visto e debatido em todas as salas de aula do Ensino Fundamental e Médio do Brasil.

A Cacimba – Homenagem aos 109 anos de Zé da Luz

Petrolândia 02 de maio de 2013

Alguém se recorda ou ouviu falar destes locais que desapareceram do mapa depois da Barragem de Itaparica? Poço da Madeira, Olho D´água, Sítio Novo, Lagoa da Areia, Caraíba, Boa Vista, Icó, Lagoa do Icó, Lagoa do Cipó, Lagoa do Angico, Chapada, Poço da Onça, Campinho, Cachimbo?… A resposta positiva existe apenas para poucos que se preocupam em passar para os seus descendentes a sua história de vida vivida e convivida em convivência com os momentos de seca com muita luta e dificuldade nestes saudosos locais. Locais onde os laços de amizade, seriedade, respeito e a palavra empenhada eram ponto de honra e princípio ético aceito por todos sem discussão. Locais onde as pessoas eram valorizadas pela honestidade e capacidade de se solidarizar com o próximo e não pela capacidade de ostentar carro do ano e habilidade maquiavélica de enganar inocentes indefesos. Locais “das muié séria Dos homes trabaiador” (Luiz Gonzaga e Zé Dantas)

A juventude de hoje, que estuda e estudou nas escolas do Icó Mandantes poderia conhecer e valorizar mais o seu espaço e o seu passado se os gestores do nosso município, pós Barragem de Itaparica quisessem que o nosso povo construísse o seu futuro a partir do conhecimento do seu passado. “Quem não sabe de onde vem não sabe para onde vai e não sabendo para onde vai não chegará a lugar algum”. (Paulo Campos, 2010 – Viajando em Busca de Mim Mesmo)

Em quais desses locais existiam aquela famosa cacimba destinada exclusivamente para que as moças do local tomassem banho de cuia? Vocês sabiam que as águas dos riachos que tinham como nascente essas cacimbas tinham um gostinho saboroso diferente? Vocês sabiam que o mato desses locais tinha olho?

Para homenagear os 109 anos desse Paraibano arretado “Zé da Luz” não deixem de ler refletindo, abaixo, essa obra prima da literatura Nordestina. Essas cacimbas não existiam apenas na Itabaiana cidade da Paraíba de Zé da Luz. Existiam por aqui também. Muitas estão, hoje, submersas, purificando e deixando as águas do Lago de Itaparica com o “gostim do suó do suvaco das moça” donzela que habitavam a região do hoje Icó Mandantes.

A cacimba (Zé da Luz)

Tá vendo aquela cacimba
lá na bêra do riacho,
im riba da ribanceira,
qui fica, assim, pru dibáxo
de um pé de tamarinêra.

Pois, um magóte de môça
quage toda manhanzinha,
foima, assim, aquela tuia,
na bêra da cacimbinha
prá tumar banho de cuia.

Eu não sei pru quê razão,
as águas dessa nacente,
as águas que ali se vê,
tem um gosto diferente
das cacimbas de bêbê…

As águas da cacimbinha
tem um gôsto mais mió.
Nem sargada, nem insôça…
Tem um gostim do suó
do suvaco déssas môça…

Quando eu vejo éssa cacimba,
qui inspio a minha cara
e a cara torno a inspiá,
naquelas águas quiláras,
Pego logo a desejá…

… Desejo, prá quê negá?
Desejo ser um caçote,
cum dois óio dêsse tamanho
Prá ver aquele magóte
de môça tumando banho!

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