Projeto de Lei 267/11 prever punição para aluno que desrespeitar Professor

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Petrolândia 13 de fevereiro de 2013

Tramita na Câmara dos Deputados em Brasília), em caráter conclusivo, o projeto de lei 267/11 da deputada Cida Borghetti (PP-PR), Este projeto prever punição para aluno que desrespeitar Professor.
Como sempre, políticos colocando a culpa nos estudantes e consequentemente nos pais dos alunos. Desde quando aluno, em qualquer parte do mundo, vai deixar de desrespeitar professor porque existe uma lei que o pune. Isso é delírio de Políticos que pretendem manter a população analfabeta à base de cacetadas da polícia. Se pensam dessa forma é porque sabem que esta lei vai funcionar para os filhos dos outros e não para os seus. Querem colocar o poder da palmatória dos professores de ontem na mão do poder de Polícia. “Não é possível pensar em sociedade sustentável com uma Educação para os nossos filhos e outra para os filhos dos outros.” (Bernardo Toro). Infelizmente há muitos professores que concordam com este projeto. Michael Barber (conselheiro na área de Educação e ex-assessor de Tony Blair no MEC britânico) diz o seguinte: “As pessoas precisam escolher seguir a carreira de professor, e não virar um deles apenas porque não tinham nada melhor para fazer”. Os cursos mais rápidos, mais baratos e mais fáceis de arranjar emprego são os de Licenciatura incluindo Pedagogia. Por isso tanta procura. Os baixos salários desviam os que têm vocação para o magistério para outras áreas.

Esses Deputados deveriam encontrar uma forma de punir Governadores e Prefeitos que não respeitam a LDB. Se querem saber por que tem alunos que desrespeitam professores organizem uma comissão e façam visitas de surpresa às escolas estaduais e municipais. Como são milhares de escolas façam uma pesquisa por amostragem. Peguem com antecedência o nome de todos que deveriam estar trabalhando, pessoal administrativo e docente, nas escolas no dia da visita. Assim saberão porque o Brasil ficou em penúltimo lugar no ranking global de educação. É um dos países com o pior sistema de educação no mundo, atrás da Argentina, Colômbia, etc. Enquanto o Estado achar que a culpa da situação de penúria da Educação Brasileira é dos Pais dos alunos o Brasil continuará na mesma situação. Aprovar projetos para o desenvolvimento de políticas públicas nas áreas de Educação e Saúde e a Federalização da Educação Básica trará mais resultado do que criar lei para punir Crianças e Adolescentes nas escolas.

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A Comissão de Seguridade Social e Família aprovou na quarta-feira (28) proposta que prevê punição para estudantes que desrespeitarem professores ou violarem regras éticas e de comportamento de instituições de ensino.
Pelo Projeto de Lei 267/11, da deputada Cida Borghetti (PP-PR), o estudante infrator ficará sujeito a suspensão e, na hipótese de reincidência grave, será encaminhamento à autoridade judiciária competente. A proposta muda o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90) para incluir o respeito aos códigos de ética e de conduta das escolas como responsabilidade e dever da criança e do adolescente estudante.
O relator, deputado Mandetta (DEM-MS), destacou que a violência contra professores do ensino médio e do fundamental é uma das causas da falta de qualidade da educação brasileira. “Professores com medo de sofrer violência ou represálias verbais e físicas, principalmente por parte de alunos, somado à falta de punição administrativa e/ou judicial dos estudantes indisciplinados ou violentos somente corroboram a existência de sérios problemas educacionais”, afirmou.
O parlamentar disse ainda que um estatuto que assegura apenas direitos, sem determinar deveres, desrespeita uma das regras básicas da educação, que é o respeito aos direitos dos outros. “É fato que há uma crescente violência contra professores e diretores em sala de aula, que não vem sendo coibida adequadamente pelas normas hoje em vigor. Cremos que o sistema de proteção integral determinado pela Constituição Federal às crianças e adolescentes também passa por imposição e cumprimento de deveres”, concluiu.
(Fonte: http://www.pp.org.br/noticias/453/161469/ComissaoAprovaPunicaoParaAlunoQueDesrespeitarProfessor/

A crise nas prefeituras e a teoria do bode

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Petrolândia 12 de fevereiro de 2013

“Você está com problemas? põe um bode dentro de casa e logo os seus problemas desaparecem, obscurecidos pela presença de um bicho que come todas as suas roupas, os seus móveis, o seu dinheiro e os seus documentos. Então você manda o bode embora e fica sem bode e sem problemas”. (Olavo de Carvalho)

Dizem que na época da crise do plano Color um pai de família necessitado, passando por sérias dificuldades, agricultor, morando numa comunidade da área rural na cidade de patamirim e com muitos filhos, foi pedir ajuda ao prefeito da cidade. Chegando lá, contou o seu drama: Tenho dez filhos, todos trabalhadores e honestos. Já me ajudam na roça. Sonho em um dia ver todos formados e quem sabe algum pode vir até a ser vereador, médico, advogado e até Presidente da República. Mas a situação está muito difícil. Alunos sem professor e, quando tem, as turmas são misturadas de crianças pequenas com meninos grandes na mesma sala. O Prefeito emocionado com a situação do pobre pai respondeu: não se preocupe vou resolver imediatamente o seu problema e de toda comunidade. Dentro de oito dias volte aqui.

Imediatamente ordenou ao Secretário de Agricultura colocar um Bode (Pai de Chiqueiro) no meio de cada sala de aula da escola daquela comunidade. E assim foi feito. No primeiro dia as crianças acharam interessante e se divertiram bastante com o bode. A partir do dia seguinte a fedentina era tanta que impreguinou até o fardamento das crianças. Em pouco tempo nem os pais aguentavam mais, pois as crianças chegavam em casa com toda fedentina característica do pai de chiqueiro e não havia mais sabão da terra que tirasse o perfume da farda das crianças. O estoque de sabão em pó da cidade acabou.

Completado os oito dias o pai voltou à Prefeitura:
– E aí a situação melhorou? Perguntou o Prefeito.
– Não estimado Prefeito, o professor que o senhor contratou piorou por demais a situação.
– Então vou mandar retirar o bode. Daqui a oito dias volte novamente aqui.
Passada uma semana, o cidadão voltou à prefeitura e o mandatário municipal perguntou: e então? As coisas melhoraram?
– Agora sim, Excelência, melhorou bastante. Tá todo mundo feliz. Sem o bode a comunidade deixou de gastar mais dinheiro com sabão, a sala de aula e a farda das crianças não tem mais aquela fedentina.

OBS: Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

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Há quem diga que a Teoria do Bode surgiu no bojo da Revolução Russa em 1917. Foi um período de muitos conflitos, que tinha como causa principal uma grande massa de operários e camponeses (90% da população) trabalhando muito e ganhando pouco. Esta revolução levou ao poder o Partido Bolchevique de Vladimir Lênin . Ainda no período de Consolidação da Revolução o povão que tinha invadido casas e mansões da aristocracia e burguesia (10% da população) Russa começam a reclamar da sujeira, falta de higiene e fedentina. Lênin, então, manda colocar um bode na sala de cada casa. A partir daí o povo passa a reclamar da fedentina do bode e suplicam encarecidamente ao Governante que retire o bode o que foi imediatamente atendido. Tudo voltou ao normal e os problemas anteriores foram esquecidos.

Esta teoria parte do pressuposto de que nada é tão ruim que não possa piorar. Embasada em experimentos psicológicos e no impressionismo, dissemina nas pessoas a certeza de que vivia melhor do que achava que vivia.

Sem merenda escolar e sem a carga horária determinada em Lei

Petrolândia 11 de fevereiro de 2013

“Fui passear na roça
Encontrei madalena
Sentada numa pedra
Comendo farinha seca
Olhando a produção agrícola
E a pecuária
Madalena chorava
Sua mãe consolava
Dizendo assim
Pobre não tem valor
Pobre é sofredor
E quem ajuda é Senhor do Bonfim” (Gilberto Gil)

Quando Gilberto Gil escreveu esta música ainda não havia o programa Bolsa Família e Bolsa Escola obrigando, por lei, os alunos pobres a frequentarem a escola, provavelmente não para matar a fome de aprendizagem, mas a fome do estômago para no futuro votarem nos neos coronéis. Por isso, não tem qualquer problema faltar merenda de vez em quando, pois só assim quebra-se o ciclo de aprendizagem dos alunos e eles chegarão aos dezesseis anos analfabetos funcionais prontos para votarem naqueles que tiverem condições de lhe darem uma ajudazinha com um eventual subemprego ou de preferência vendendo o seu voto. Aos que caírem na delinquência polícia neles. Esta é a lógica perversa da política brasileira.

Os alunos das Escolas Municipais do Projeto Icó Mandantes de Petrolândia continuam, ninguém sabe até quando, sem merenda escolar e sem a carga horária determinada em Lei. Os recursos para este fim foram depositados no Banco do Brasil de Petrolândia, na conta da Prefeitura há mais de um mês. Estes recursos são enviados pelo FNDE (Fundo Nacional de desenvolvimento escolar), através do PINAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) em dez parcelas mensais para cobertura de 20 dias. Confira no quadro acima.

O FNDE é uma autarquia vinculada ao Ministério da Educação. É ele o responsável pela normatização, assistência financeira, coordenação, acompanhamento, monitoramento, cooperação técnica e fiscalização da execução do programa. A aplicação correta destes recursos em cada cidade é fiscalizada por um Conselho de Alimentação Escolar – CAE constituído por 7 membros assim distribuídos:

1- representante do poder Executivo;
1- representante do poder Legislativo;
2- representantes dos professores;
2- representantes de pais de alunos, indicados formalmente pelos conselhos escolares, associações de pais e mestres ou entidades similares;
1- representante de outro segmento da sociedade civil, indicado formalmente pelo segmento representado;

Alguém sabe nominar as pessoas que compõem este conselho em Petrolândia? Qual é o vereador membro deste conselho? Será que os dois representantes dos pais de alunos têm filhos matriculados nas escolas do município?

Enquanto os alunos da Bahia apelam para o Senhor do Bom Fim embalados pela música de Gilberto Gil a única solução para os alunos pobres de Petrolândia, no momento, é apelar para o Padroeiro da nossa cidade: São Francisco de Assis já que ele abdicou de sua riqueza para ajudar os mais necessitados, caso contrário continuarão a ser encaminhados para os currais eleitorais dos neos coronéis nordestinos. Até quando?

A RENÚNCIA DO PAPA BENTO XVI E A CRISE NAS PREFEITURAS

Papa Bento XVI

Papa Bento XVI

Petrolândia 11 de fevereiro de 2013

Os Prefeitos que não conseguem resolver os problemas do seu povo deixando crianças inocentes sem escolas e professores sem salário deveriam fazer o mesmo.

“No mundo de hoje, sujeito a rápidas transformações, e abalado por questões de grande relevo para a vida da fé, para governar a nave de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor tanto do corpo como do espírito, vigor que, nos últimos meses, diminuiu em mim de tal forma como eis de reconhecer minha incapacidade para exercer bem o Ministério que me foi encomendado” (Papa Bento XVI) .

“A juventude não é uma época da vida, e um estado do coração;
Não é uma questão de rostos rosados, lábios vermelhos e flexibilidade nas mãos e pernas;
É uma questão de força ardente, de rica criatividade e ardente paixão.
A juventude é o frescor na fonte profunda da vida;
A juventude é a coragem que suplanta a covardia;
É o espírito de desafio que afasta a tendência à comodidade.
Há casos em que existe mais juventude num homem de sessenta anos do que num jovem de vinte.
O homem não envelhece apenas pela passagem de anos.
Envelhece no momento em que perde os ideais.” (Samuel Ullman (1840-1924)

O gesto do Papa XVI, ao reconhecer a sua incapacidade para exercer bem o Ministério demonstra que ele não envelheceu e nem perdeu os seus ideais.

Rodrigo Novaes visita produtores rurais no Icó Mandantes

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Petrolândia 10 de fevereiro de 2013

O movimento dos trabalhadores rurais do Icó Mandantes recebeu, ontem, a visita do Deputado Estadual Rodrigo Novaes. Ele atendeu a um convite do vereador Rogério Novaes. Embora eu não concorde com este tipo de simbiose, mistura de movimento operário com movimento político, é importante que a mesma chance seja dada a qualquer político, independente de bandeira partidária, que queira conhecer, contribuir e colaborar com a nossa causa. Do contrário, corremos o risco de transformar o Projeto Icó mandantes em curral eleitoral ou quem sabe contribuir para oficializar e consolidar aquilo que já vem sendo praticado há muito tempo. As empresas terceirizadas pela Codevasf para operar o sistema de irrigação do nosso projeto transformaram-se em cabides de emprego dos protegidos de alguns políticos. O resultado está aí: sucateamento de todo o equipamento que compõe o sistema e ralo de escoamento sem limite do dinheiro da Chesf, como já afirmou o Ministro das Minas e Energia Edson Lobão. Não queremos coronéis em nossa região e nem líder político, queremos líderes políticos. Em vez de simbiose, protocooperação.

Como filho de reassentado, e produtor rural, aqui fica o convite a todos os vereadores e Prefeito de Petrolândia: Venham conhecer de perto nossos problemas e comer um gostoso pirão de bode ou de peixe junto a quem os colocou no poder. Assim vocês poderão levar, com conhecimento de causa e argumentos contundentes aos deputados mais votados em Petrolândia: Armando Monteiro, Inocêncio Oliveira, Fernando Filho entre outros a razão pela qual nós queremos continuar produzindo alimentos para o mundo.

PRODUTORES RURAIS DO ICÓ-MANDANTES OCUPAM E ASSUMEM COMANDO DAS ESTAÇÕES DE BOMBEAMENTO

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Petrolândia 04 de fevereiro de 2013

Produtores Rurais reunidos em assembleia no Centro Administrativos do Projeto Icó-mandantes Petrolândia Pernambuco, decidem assumir, de forma organizada, planejada e disciplinada o comando das Estações de Bombeamentos (EB1, EB2, EB3, EB4 E EB5). “Este patrimônio é nosso. Não é da Chesf, da Codevasf e Hidrossondas. “Temos que preservar o que foi por nós conquistado” disse o Vereador Rogério Novaes. A assembleia foi convocada pelo Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Petrolândia José Maurício que teve completo apoio de várias lideranças Locais, entre elas o Vereador Rogério Novaes que é também Produtor Rural neste projeto.

Salários e outros benefícios atrasados foi a motivação da greve decretada, legalmente, pelos funcionários da Hidrosondas (Empresa terceirizada pela Codevasf para prestar serviços de manutenção e irrigação do Projeto Icó Mandantes) que decidiram a partir de hoje manter apenas os serviços essenciais funcionando com três horas diárias de água. Se a situação continuasse por 4 ou 5 dias o prejuízo dos agricultores seria incalculável, pois 90% da nossa agricultura irrigada é temporária, principalmente hortaliças. Para a maioria a perca seria total.

Por três vezes a Hidrossondas deixou de cumprir acordo feito junto aos seus funcionários representados pelo sindicato de sua categoria e do Sindicato dos Produtores Rurais de Petrolândia. Participei de todas as reuniões. Na última em Petrolina na Sede da Codevasf no dia 08/02/2013 o Gerente regional José Costa afirmou, na presença do Gerente Proprietário da Hidrossondas, que a Chesf vem repassando normalmente os recursos para a Codevasf e esta paga religiosamente em dia os serviços Prestados pela Hidrossondas. Depois de muita discussão, a pedido do Gerente da Hidrossondas fez um apelo aos seus funcionários para continuarem trabalhando normalmente que até o dia 28/02/2013 estaria tudo regularizado. O acordo foi mais uma vez assinado e mais uma vez descumprido.

O projeto Icó-Mandantes é, hoje, a base de sustentação da Economia de Petrolândia. Os agricultores sabem quanto custou conseguir a área irrigada que hoje abastece centenas de cidades vizinha e capitais mais próximas. Quem não conhece a história dos agricultores, de então, ocupando o canteiro de obras da usina? Em 2004, Petrolândia tinha 3 casas comerciais no seguimento agrícola. Hoje tem 12. Quem impulsionou tão expressivo crescimento? Como eram, em 2004, as casas comerciais no seguimento eletrodomésticos e material de construção? A diferença que for encontrada tem como fonte propulsora a agricultura familiar, ou seja, o trabalho de centenas de formiguinhas que trabalham na agricultura irrigada produzindo alimentos e contribuindo decisivamente para manter e impulsionar a economia de Petrolândia. O primeiro motor da economia de Petrolândia é a Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga. O segundo é a agricultura irrigada onde 90% está no Projeto Icó Mandantes.

Mas Petrolândia não gera emprego e renda apenas a nível Local. Quando plantamos semente de cebola 502 e semente de Melancia Hola Premium, por exemplo, estamos gerando emprego nos Estados Unidos e na África, pois é lá que elas são produzidas.

“Não devemos ter medo dos confrontos… até os planetas se chocam e do caos nascem as estrelas.” (Charles Chaplin). É possível que o episódio de hoje sirva de exemplo e não chegue ao fim quando a greve terminar, se é que vai terminar. Vamos aproveitar o momento para demonstrar que os filhos, netos e bisnetos dos reassentados (mas de 50% dos reassentados já passaram para o outro lado da vida) têm condições de gerenciar os serviços de manutenção e irrigação do Projeto Icó Mandantes sem necessidade de atravessadores do nosso dinheiro. É só a Codevasf repassar os recursos diretamente para os produtores Rurais do projeto Icó Mandantes, que através de cooperativa ou associação saberão caminhar com suas próprias pernas. Queremos que nos deixem continuar trabalhando com dignidade e produzindo alimentos para mundo. Ele precisa de nós.

Eu, eterno aprendiz, numa aula de Educação do Campo

Petrolândia 04 de fevereiro 2013

Papai o que é isto?
– É um plantio de melancia.
– E cadê as melancias?
– Ainda estão muito pequenas e algumas flores femininas ainda vão ser fecundadas. Tem apenas 35 dias de plantada.
– Flores femininas vão ser fecundadas? O que é isto?
– É quando a abelha pousa numa flor masculina para se alimentar e depois pousa numa flor feminina. Nesse momento começa a nascer uma nova melancia.
Júlia, já demonstrando espírito de pesquisadora intervém e pergunta:
– Papai isto aqui pequenininho é uma melancia?
– Não, isto aí já tem o formato de melancia, mas neste momento ainda é a flor feminina da melancia. A parte de baixo que parece uma melancia é o ovário e a parte de cima de cor amarela chama-se estigma.
– Papai, pergunta Laura: O que é Ovário?
E agora professor, como sair dessa.
Ovário, Ovário…, é o local onde vai nascer e crescer as sementes da melancia.
– Daqui a 25 dias estas melancias estarão grandes pesando entre 10 e 15 quilogramas. Servirão para alimentar pessoas de todo o Brasil. Aqui, no Icó Mandantes, os agricultores produzem frutas e hortaliças que irão alimentar pessoas de todo o Brasil e até de outros países. Assim eles ganham dinheiro que servirá para comprar outros alimentos, roupas, carros, motos e muito mais.
– E se as pessoas do campo não puderem produzir alimentos?
– As cidades deixarão de existir.

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Hoje 04/02/2013, primeiro dia letivo para a Etapa de Educação Infantil e Ensino Fundamental, aqui na Agrovila 03 do Limão, levei Laura e Júlia, minhas filhas, até um plantio de melancia para uma aula de Educação do Campo. O meu objetivo, como pai, era incentivá-las a valorizar o meio onde estão vivendo a sua infância para que amanhã, em qualquer lugar que estejam, no campo ou na cidade saibam compreender e respeitar o homem como ser humano qualquer que seja a sua orientação: Política, Filosófica, religiosa, sexual, etc, etc. Evitar que tenham como modelo aqueles que por razões históricas incentivam e praticam a discriminação hierárquica entre campo e cidade. O que me preocupava no momento que decidi levá-las à roça para uma aula prática era responder a seguinte pergunta: É possível ministrar uma aula prática de Ciências fundamentada nos princípios filosóficos que orientam a Educação do Campo? Para responder a esta pergunta tive, como sempre, que pesquisar para descobrir redescobrir o que há de novo neste campo de conhecimento:

Descobrir então que “A Educação do Campo é negatividade: denúncia/resistência,luta contra. – Basta! de considerar natural que os sujeitos trabalhadores do campo sejam tratados como inferiores, atrasados, pessoas de segunda categoria; que a situação de miséria seja seu destino; que no campo não tenha escola, que seja preciso sair do campo para freqüentar uma escola; que o acesso à educação se restrinja à escola, que o conhecimento produzido pelos camponeses seja desprezado como ignorância…

A Educação do Campo é positividade: a denúncia não é espera passiva, mas se combina com práticas e propostas concretas do que fazer, do como fazer: a educação, as políticas públicas, a produção, a organização comunitária, a escola,…” (Roseli Salete Caldart – Do Instituto Técnico de Capacitação e Pesquisa da Reforma Agrária. Doutora em Educação pela UFRGS)

EDUCAÇÃO BÁSICA NAS ESCOLAS DO ICÓ MANDANTES: DO JEITO QUE O DIABO GOSTA

Petrolândia 08 de fevereiro de 2013

escolaag3b3Quanto mais gente ignorante e analfabeta melhor para os que detêm o poder e querem, nele, permanecer eternamente. Desde o dia 04 do corrente, segunda feira que os alunos das Escolas municipais do Projeto Icó Mandantes têm aulas apenas até às 9:00 hs. Motivo: Falta de merenda. Nesta sexta feira é que professores da agrovila 03 Bloco 03 solicitaram aos pais para enviar lanche para as crianças, a fim de evitar a interrupção das aulas.

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Os alunos destas escolas estão na faixa etária entre quatro e dez anos de idade. O problema principal para eles não é a questão do não aprender a ler e escrever, aprender matemática, etc, etc. Isto é o que existe de menos importante nos primeiros anos da educação básica. O fundamental nesta fase é a formação da personalidade da criança que se estende até aos seis anos. Este é o momento delas aprenderem a ser disciplinadas, a respeitar o próximo, a valorizar o ambiente escolar e da comunidade onde vivem e convivem e viverão amanhã. Mas em vez disso elas aprendem o contrário, pois se o governo não cumpre com a sua obrigação elas também aprenderão a não cumprir no futuro. Se o governo não pode dar merenda escolar, então não invente. Para que serve a bolsa escola ou bolsa família se o principal que é educação básica de qualidade passa a ser direito prometido e não cumprido pelo governo?

Enquanto nós produtores rurais aqui do Icó Mandantes lutam com dignidade, neste momento, para produzir alimentos para outros que estão em gabinetes refrigerados jogando pelo ralo da corrupção o dinheiro público, estes outros deixam nossos filhos sem o direito fundamental da educação integral. O dinheiro da merenda escolar recebido religiosamente todo mês foi parar aonde?

Para finalizar deixo com vocês, para reflexão, esta mensagem de Robert Fulghum. Leiam, vale a pena.

“Tudo o que hoje preciso realmente saber sobre como viver bem, aprendi no jardim de infância. A sabedoria não se encontrava no topo de um curso de pós-graduação, mas no montinho de areia da escola de todo dia.

As coisas que aprendi:

01- Compartilhe tudo;
02-Jogue dentro das regras;
03-Não bata nos outros;
04-Coloque as coisas de volta onde pegou;
05-Arrume sua bagunça;
06-Não pegue as coisas dos outros;
07-Peça desculpas quando machucar alguém; mas peça mesmo !!!
08-Lave as mãos antes de comer e agradeça a Deus antes de deitar;
09-Dê descarga; (esse é importante);
10-Biscoitos quentinhos e leite fazem bem para você;
11-Respeite o limite dos outros;
12-Leve uma vida equilibrada: aprenda um pouco, pense um pouco… desenhe… pinte… cante… dance… brinque… trabalhe um pouco todos os dias;
13-Tire uma soneca a tarde; (isso é muito bom)
14-Quando sair, cuidado com os carros;
15-Dê a mão e fique junto;
16-Repare nas maravilhas da vida;
17-O peixinho dourado, o hamster, o camundongo branco e até mesmo a sementinha no copinho plástico, todos morrem… nós também.

Pegue qualquer um desses itens, coloque-os em termos mais adultos e aplique-os à sua vida familiar, ao seu trabalho, ao seu governo, ao seu mundo e vai ver como são verdadeiros. Pense como o mundo seria melhor se todos nós tivéssemos biscoitos e leite todos os dias por volta das três da tarde e pudéssemos nos deitar com um cobertorzinho para uma soneca. Ou se todos os governos tivessem como regra básica devolver as coisas ao lugar em que elas se encontravam e arrumassem a bagunça ao sair. Ao sair para o mundo é sempre melhor darmos as mãos e ficarmos juntos. É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós!

O importante é aproveitar o momento e aprender a sua duração, pois a vida está nos olhos de quem souber ver.”

A CEASA de Petrolândia e o Boi Voador

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Petrolândia 11 de outubro de 2012

Eu assistia ao último comício de Cícero Moura, 04/10/2012, quando ele diz: “Uma de minhas grandes realizações será construir a CEASA”. Um senhor a meu lado, olha para mim, franze a testa e diz: “É mais fácil um boi voar do que esta ceasa ser construída. O povo já está cansado de ouvir a mesma promessa. Há 20 anos que entra prefeito e sai prefeito e a ladainha é a mesma”.
Lembrei então do boi voador de Maurício de Nassau. A diferença é que há 371 anos, entre a elaboração do projeto e a inauguração da obra, passaram-se apenas 3 anos.
A inauguração da ponte Maurício de Nassau ligando Recife a Cidade Maurícia (parte da cidade do Recife durante o Domínio Holandês) foi precedida por muita polêmica. O povo não acreditando na sua construção dizia que era mais fácil um boi voar do que a ponte ser construída.
Maurício de Nassau depois de esperar em vão por recursos prometidos pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais resolveu construí-la com recursos próprios. O Investimento retornaria com a cobrança de pedágio. No dia 28 de fevereiro de 1644, a ponte foi concluída. Conta-se que apenas o pedágio cobrado no dia da inauguração superou o capital investido.
“Conforme a crônica de frei Manuel Calado, a fim de obter um maior número de pessoas pagando pedágio na ponte, no dia da sua inauguração, Nassau havia feito anunciar que um boi manso, pertencente Melchior Álvares, iria voar.
Para a festa, para a qual foram convidados os membros do Supremo Conselho, mandou abater e esfolar um boi, e encher-lhe a pele de erva seca, tendo posto esta encoberta no alto de uma galeria que tinha edificada no seu jardim. Pediu a Melchior Álvares emprestado um boi muito manso que aquele tinha, e o fez subir ao alto da galeria e, depois de visto pelo grande número de pessoas presentes, mandou-o fechar em um aposento, de onde tiraram o outro couro de boi cheio de palha, e o fizeram vir voando por umas cordas com um engenho, para grande admiração de todos. Tanta gente passou de uma para outra parte da ponte que, naquela tarde, rendeu mil e oitocentos florins, não pagando cada pessoa mais que duas placas à ida, e duas à vinda”.
http://pt.wikipedia.org/wik/Boi_voador 

Pedagogia da Ignorância Letrada

Petrolândia 07 de setembro de 2012

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Eu tinha decidido não fazer qualquer comentário de natureza crítica sobre a nossa realidade social nesse período pré-eleitoral. Contudo, algumas publicações aqui no face obrigam-me, como educador rever a posição até então assumida. Pessoas vinculadas ao poder na Prefeitura de Petrolândia tentam assassinar o hino da resistência à ditadura miliar querendo apropriar-se de personagens que se tornaram símbolos da história política e musical do nosso País. Se em tais atitudes pudéssemos, pelos menos, perceber vestígios de engajamento político consciente até que poderíamos perdoar. Contudo o que se observa são colocações de natureza ingênua e de total ignorância política e social. Isto pode levar a nossa população a escolher de forma equivocada o futuro dirigente da nossa cidade. Estou falando de Geraldo Vandré e de sua música PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES. Informo, porém, que não estou falando de Dr. Simões, pois ele pertenceu a esse período político do quem “sabe faz a hora” e, por formação política, dificilmente permitiria que o nome de Vandré fosse utilizado para manipular pessoas. Vontade política, compromisso com os mais necessitados são traços que não se transferem necessariamente através dos nossos genes.

Acredito que Geraldo Vandré, autêntico nordestino de João Pessoa, Paraíba, jamais se orgulharia e nem votaria no 22, pelo contrário: sentiria vergonha de quem trata gente como se fosse gado “Porque gado a gente marca, tange, ferra, engorda e mata, Mas com gente é diferente” (Geraldo Vandré).

Até o momento 150 alunos do ensino fundamental (1º. ao 5º ano) da Agrovila 4 do Projeto Icó-Mandantes, Escola Municipal Macambira estão confinados numa casa de 3 quartos sem as menores condições de espaço e higiene. Em quartos de 3 x 4 m, 20, 25, 30 crianças atropelam-se em busca daquilo que lhe é mais sagrado: O direito à educação. Em um único banheiro, de 1,5 X 1,0 m, sem as menores condições de higiene para essa quantidade de pessoas meninos e meninas, homens e mulheres fazem rodízio. Estão nesta casa desde o final de Julho porque a Escola Macambira está em reforma. Uma reforma muito simples que poderia ter sido realizada pela própria comunidade no período de férias. Em piores condições estão as crianças da agrovila 6 deste projeto desde o mês de fevereiro. Constatem com os seus próprios olhos dirigindo-se a estas duas agrovilas. Nestas e em mais 15 agrovilas e Vila dos Pescadores residem pessoas humildes, que pelas dificuldades que já passaram na vida não conseguem se desvincular do coronelismo que ainda impera no nosso município maquiados de bons moços.

Estes problemas estão relacionados a infraestrutura, ou seja, aos meios. Há outros referentes aos fins da educação tão graves quanto este ou até pior, pois se passa de forma silenciosa. Pessoas imersas numa concepção equivocada da realidade não conseguem perceber.

É bastante conhecida a forma como políticos maquiavélicos, em busca da permanência no poder, agem para não permitir que a população menos favorecida possa ascender socialmente através da educação: Primeiro colocando-se a culpa no insucesso da criança nos pais. Assim, os alunos têm baixo rendimento porque os pais não ajudam nos deveres de casa, não comparecem às reuniões de pais e mestres, etc, etc. Segundo, reduzindo a carga horária. Para isto recorre-se a todo tipo de artifício: Pinta-se a escola no período letivo, promove-se todos os tipos de reuniões no horário de aula, capacita-se professores em dias letivos, procede-se a dedetização da escola numa 4ª feira, para que os alunos fiquem três dias sem aula. Na Escola Dr. Trajano Pires da Nóbrega, onde minha filha Laura de seis anos estuda, em 2011 o ano letivo efetivo correspondeu apenas a 148 dias em vez de 200. Este ano, não chegará a 140.

No dia 28 deste mês fui convidado para uma reunião de pais e mestres. O emissário dos gestores deram, ditatorialmente, dois importantes recados: “por ordem da diretora de ensino rural a escola vai ser fechada a partir do dia 29 para realização de pintura. Os alunos deverão ficar três dias sem aulas”. Foram cinco dias de férias forçadas. O segundo aviso foi surpreendente e de extremo artifício maquiavélico: “Os alunos de todas as escolas do projeto Icó-mandantes com bom rendimento vão ter reduzida sua carga horária em uma hora até o final do ano para que os professores possam dar aulas de reforço aos mais fracos. Sem qualquer avaliação criteriosa indica-se, através do achismo, quem tem ou não bom rendimento. Com esta medida as crianças do Projeto Icó-Mandantes terão sua carga horária reduzida em 90 horas, aproximadamente, o que corresponde a 20 dias letivos.

A que conclusão pode-se chegar? Que a Prefeitura de Petrolândia, de forma dissimulada está adotando o seguinte critério: A todo aluno do Projeto Icó-Mandantes que apresentar bom rendimento deve ser proibido de continuar aprendendo. Assim os Gestores da educação no nosso município acabam de criar uma proposta pedagógica sui generis: A PEDAGOGIA DA IGNORÂNCIA LETRADA.

A essa altura vocês devem estar perguntando. O que foi que eu fiz para evitar este caos? Fiz tudo que estava a meu alcance e continuo fazendo denunciando neste Blog. Convoquei reuniões extraordinárias de Pais e Mestres, fiz manifestos, fiz carta aberta à população da comunidade com cópia para o Prefeito e Secretário de Educação. Resultado: Não consegui apoio de ninguém. Nem de qualquer pai ou de qualquer professor ou de qualquer gestor. O que conseguir foi o mesmo que Chico Buarque na música gente humilde:

……….
“Todo o meu peito se apertar
Porque parece
Que acontece de repente
Como um desejo de eu viver
Sem me notar
………..
Como uma inveja dessa gente
Que vai em frente
Sem nem ter com quem contar”

Não se deve, colocar aqui, qualquer culpa na família ou professores. “Estes estão tão imersos na realidade opressiva que não possuem uma percepção clara de si mesmos, pois seu modelo de humanidade é o modelo da opressão e para serem homens precisam ser como os opressores, pois estes representam seu TIPO DE HOMEM”. (Paulo Freire)

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