A SÍNDROME DO CACHORRO VIRA-LATAS

79

Petrolândia 05 de setembro de 2012 

O MEC se orgulha da mediocrização da educação brasileira. Incentiva, o povo a se orgulhar da ignorância letrada ao veicular, na imprensa, uma propaganda, a meu ver, enganosa. Esta propaganda, em vez de elevar a autoestima poderá criar, na nossa juventude, a síndrome do cachorro vira-latas. Diz ela que quase todas as escolas atingiram a meta e que estão perto de chegar a 6,00, rendimento este considerado aceito nos países desenvolvidos. É bom saber que, aqui no Brasil, uma escola que obteve média 5,00 poderá, dependendo da média estabelecida, ter atingido a média da mesma forma que a outra que tenha conseguido média 4,00. Um aluno que tenha conseguido média 6,00 num país desenvolvido se fizer esta aprova, aqui no Brasil, provavelmente chegará a 10,00. O aluno brasileiro, com média 6,00 que for avaliado nos países do primeiro mundo conseguirá atingir que média? É consenso no meio acadêmico o faz de contas das provas do IDEB principalmente o aplicado em 2011. Assim, corre-se o risco de se criar na nossa população a síndrome do cachorro vira-latas.

O Milagre Econômico de Petrolândia

escarua01escarua03

Petrolândia 28 de maio de 2012

Petrolândia tem o quarto maior PIB per capita de Pernambuco segundo dados do IBGE 2009: 16.513,18. Fica atrás apenas de Ipojuca 93.791,75, Itapissuma 22.900,72 e Cabo de Santo Agostinho 22.301,09. O que isto significa e o que não significa? Quem contribuiu para que nossa cidade pareça ser, pelos dados estatísticos, a mais desenvolvida de todo Agreste e Sertão Pernambucano? Significa que poderíamos ter aqui o melhor IDH, as melhores estradas rurais, as melhores escolas, os professores mais bem pagos do Estado de Pernambuco. Não significa que é o fruto da “distribuição de poder político, da geração de oportunidades econômicas, do estímulo à inovação e à acumulação de capital humano, além de outras vias”. (QUALIDADE DAS INSTITUIÇÕES E PIB PER CAPITA NOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS – IPEA 2011)
A natureza e o progresso nos entregaram de presente, em 1988, uma usina hidrelétrica e um lago com 114 km de extensão. Mas tudo que não é fruto abençoado do esforço próprio não será valorizado e terminará caindo no esquecimento daqueles que não foram educados para entender e compreender o seu passado histórico. Mas há uma luz no fim do túnel. Pelo menos os agricultores sabem quanto custou, conseguir a área irrigada que hoje abastece centenas de cidades vizinha e capitais mais próximas. Quem não conhece a história dos agricultores, de então, ocupando o canteiro de obras da usina? Esses movimentos precisam ser mantidos vivo na memória do nosso povo. Em 2004, Petrolândia tinha 3 casas comerciais no seguimento agrícola. Hoje tem 12. Quem impulsionou tão expressivo crescimento? Como eram, em 2004, as casas comerciais no seguimento eletrodomésticos e material de construção? A diferença que for encontrada tem como fonte propulsora a agricultura familiar, ou seja, o trabalho de centenas de formiguinhas que trabalham na agricultura irrigada produzindo alimentos e contribuindo decisivamente para manter e impulsionar a economia de Petrolândia. O primeiro motor da economia de Petrolândia é a Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga. O segundo é a agricultura irrigada onde 90% está no Projeto Icó Mandantes. Por essa estrada, é escoada a produção agrícola desse projeto. Por aqui passam, diariamente, cerca de 50 caminhões transportando melancia, cebola, melão, tomate, pimentão, manga, goiaba, enfim, um infinidade de frutas e hortaliças. Mas Petrolândia parece querer insistir em não conhecer-se a si mesma. Talvez porque acostumou-se a receber presentes de Papai Noel. Em 1877 D. Pedro II deu de bandeja “um cais e uma ferrovia lingando economicamente o alto e o baixo São Francisco. A finalidade foi dar trabalho aos sertanejos famintos e também evacuar a produção de gêneros alimentícios vindos de outros municípios ribeirinhos do São Francisco, que eram os celeiros de nosso Sertão”. (www.petrolandia.pe.gov.br/historia.html). Perdemos o bonde da história, vamos perder novamente? Pensando nisso lembrei-me das cartas do Apóstolo Paulo aos Coríntios.

“A cidade de Corinto foi destruída por um grande terremoto em 1858. Em seguida foi reconstruída a 6 km do local anterior. Escavações na cidade antiga permitiram diversas descobertas arqueológicas, tais como monumentos, imagens e ruínas de casas, templos e palácios Era uma cidade comercial muito rica, com poderosos, intelectuais, industriais, comerciantes e com uma população de mais de 500 mil habitantes, a maior parte escravos, tinham também trabalhadores, desempregados, migrantes, miseráveis e pedintes. Era uma cidade portuária onde se aglomeravam pessoas de todas as raças, culturas e crenças religiosas, procurando vida fácil e com muito luxo, tornando assim uma cidade cheia de ganância e imoralidade. Havia alguns com muita riqueza que chegava a ser um escândalo, diante da maioria que viviam na miséria absoluta. Em Corinto aconteciam também campeonatos de jogos diversos, patrocinados pelos grandes comerciantes e industriais. Era um dos maiores centros bancários da época. Tinham construções grandiosas e muitos templos dedicados aos deuses diversos. Havia uma mentalidade que ligava a cidade de Corinto com um jeito de viver na total liberdade. Viver “a moda Corinto” significava para muitos viver no luxo, na conduta libertina e era praticada principalmente pelos ricos”.

Sem estradas e investimento na educação do povo é possível que perdamos mais uma vez o bonde da história. A Escola Municipal Caruá localizada na Agrovila 6 bloco 3 do Projeto Icó Mandantes, depois de vários anos entregue a administração das formigas, baratas e cupins não conseguiu honrar a resistência da família das bromeliáceas que o seu nome representa. Ameaçada de ruir os alunos a abandonaram. Parte do muro desabou e sua área externa serve de amalhador de bode e chiqueiro de porco. Mais quatro escolas aqui no projeto em poucos meses estarão na mesma situação. Dar para estufar o peito e gritar para os quatro ventos: Moro numa cidade linda, bonita por natureza e que tem o quarto PIB per capita do Estado? Pensem nisso. Só a distribuição de poder político, a geração de oportunidades econômicas, o estímulo à inovação e à acumulação de capital humano poderão manter, auto sustentar e desenvolver este segundo presente que Papai Noel nos concedeu. O Problema é que isto não vai cair do céu: Tem que ser conquistado pelo povo de Petrolândia.

A Moto e o Jumento

Petrolândia 15 de março de 2012 

77

Eu andava, tranquilamente, fazendo mototerapia lá pras bandas do Sobrado, quando encontrei esses velhos companheiros de outrora ou como diz Luiz Gonzaga: nosso irmão. Companheiros de um tempo em que o tempo não contava. Um tempo em que a velocidade não tinha importância alguma. Um tempo em que todos, ao andar devagar, caminhavam ouvindo os sons da mata: o som das flores se abrindo, o som das catingueiras bebendo o orvalho da manhã. De repente um deles olha para mim, torce o rabo, liga as antenas, sintoniza na frequência do meu pensamento e dispara:
-Se não me faia a memória estou conhecendo vosmicê seu caba da peste. Vosmicê não é aquele que nos anos de mil e novecentos e antigamente eu carregava no lombo levando para a escola?
-Sim amigo sou eu mesmo.
-Vosmicê não tem vergonia? Mesmo depois de véio fez como os outros, me trocou pela moto? Lembra dos velhos tempos quando eu levava vosmicê no lombo tocando outros jumentos, carregados de melancia no caçuá, do Limão Bravo até a feira de Barreiras?

-Ora meu amigo, lembro de tudo isso. Mas naquela época nós saíamos daqui no sábado à tarde para chegar à feira de Barreiras no domingo bem cedinho. Quinze horas de viagem para ir e mais quinze para voltar. Hoje esse percurso nós fazemos de carro ou de moto em apenas 30 minutos.
-Siná dos tempos. Mas naquela época quando eu me espantava vosmicê às vezes caía, e foram muitas quedas, mas vosmicê nunca sofreu nada grave, mesmo quando tava chei de mé. Essa sua máquina fotográfica já registrou todas as capelinhas existentes na beira da estrada relembrando os que faleceram? Elas não relembram os jumentos que foram atropelados por motos ou carros. Relembram seus amigos que morreram em acidentes de moto. Só nos últimos anos vosmicê perdeu 8 amigos entre 15 e 25 anos de idade, aqui no Icó Mandantes. E toda semana pelo menos um é levado, todo arrebentado, de ambulância para os hospitais de Petrolândia, Caruaru ou Recife.
-É isso aí, sabe que eu nunca tinha pensado nisso? hoje não temos tempo nem para refletir sobre essas coisas.
-Tudo bem continue aí fazendo sua mototerapia, mas dê um recado a seus amigos humanos que de tão preocupados com a velocidade não perceberam que tornaram-se desumanos com a natureza e com nóis seus irmãos nos velhos tempos: Que lembrem, como Luiz Gonzaga, que nóis fumo o maior instrumento de desenvolvimento do Sertão. Ajudamos vosmicês na lida diária, que um dia ajudamos o Brasil a se desenvolver. Arrastamos lenha, madeira, pedra, cal, cimento, tijolo, telha. Fizemos açude, estrada de rodagem. Carregamos água pra casa de vosmicês. Fizemos a feira em cima de montaria. Que lembrem que já servimos até de transporte pra Nosso Senhor quando ele ia para o Egito. Não esqueça de dizer aos seus amigos desse tá de facebook pra botarem fotos das antigas feiras de Petrolândia e Barreiras. Aí vosmicês vão relembrar que só existia estacionamento pra cavalo, burro e jumento. Automove? Só os caminhões de seu Né de Tacaratu e Zé da Cruz de Petrolândia, que faziam as feiras de Tacaratu, Petrolândia, Floresta e Barreiras. Quanta diferença em?
-Vou dar o recado direitinho. Vocês ainda vão ser muito úteis por aqui. Tem muito turista por esse mundão afora querendo andar de jumento pelas trilhas da Reserva Legal do Projeto Icó Mandantes. Vou até sugerir que seja criado uma modalidade turística com o seguinte slogan: jumentoterapia nas trilhas do Projeto Icó Mandantes. 

Dom Hélder Câmara e o seu senso de oportunidade: Um exemplo que deveria ser seguido pelo Empresariado de Petrolândia

69 71 70

 

 

 

 

 

 

Petrolândia 22 de fevereiro de 2012

O maior sonho de Dom Hélder era a erradicação da miséria no mundo. Sonhava com o ano 2000 sem fome. Ainda no Rio, criou o Banco da Providência e a Cruzada São Sebastião, no intuito de pôr fim às favelas. Graças a doações, edificou no Leblon um conjunto de prédios, para cujos apartamentos transferiu famílias de uma favela próxima. Não deu certo. Sem recursos para pagar os impostos (luz, água, telefone…), os moradores passaram a sublocar os domicílios e a obter renda graças à venda de torneiras, pias e outras peças do imóvel.

Para angariar recursos a suas obras, Dom Hélder não titubeava em comparecer a programas de auditório de grande audiência televisiva. Certa ocasião, foi convidado por um apresentador para sortear prendas expostas no palco e vistas por todos, exceto pela pessoa trancada numa cabine opaca. Calhou de ser um desempregado. “Seu Joaquim, o senhor troca isto por aquilo?” E sem nomear o objeto, Dom Hélder apontava um liquidificador e, em seguida, um carro. Seu Joaquim respondia “sim” e toda a plateia vibrava. Em seguida, Dom Hélder indagou se trocava o carro por um abridor de latas. O homem topou. E não mais arredou pé, cismou que escolhera a melhor prenda. Ao sair da cabine, recebeu dos patrocinadores, decepcionado, o abridor. E Dom Helder mereceu um polpudo cheque. O arcebispo não teve dúvidas: “Seu Joaquim, o senhor troca este cheque pelo abridor?” No dia seguinte, no Palácio São Joaquim, onde funcionava a cúria do Rio, Dom Hélder foi criticado por ter aberto mão de um recurso que poderia reforçar suas obras sociais. Ele justificou-se: “Perdi o cheque, ganhei em publicidade. Esperem para ver quanto dinheiro vou angariar.” http://www.freibetto.org/index.php/artigos/78-o-legado-de-dom-helder-camara

O senso de oportunidade de Don Hélder poderia ser seguido pelo empresariado de Petrolândia destinando um pouquinho do seu patrimônio para criação de uma Fundação de Educação Cultura e Esporte. Esperar pela boa vontade do Governo Federal e do Estado seria malhar em ferro frio. Os poderosos do sertão não permitiriam que recursos dessa natureza viessem para por estas bandas.

As três primeiras metas dessa fundação poderia ser: Criar uma Faculdade de Turismo, uma Pista de Atletismo e a implantação da estrutura adequada ao desenvolvimento do turismo e ecoturismo no Lago de Itaparica e reserva legal do projeto Icó mandantes. Ganhariam muito em publicidade com retorno financeiro garantido. 4% do imposto sobre o lucro líquido que pagam ao Leão seriam destinados a Fundação, além do dinheiro que seria facilmente angariado junto a órgãos nacionais e internacionais. O incremento no emprego e renda da população aqueceria de imediato o comércio local deixando o empresariado cada vez mais rico e com a consciência tranquila de terem contribuído decisivamente para o desenvolvimento econômico e social de Petrolândia.

Cartas do Apóstolo Paulo aos Corintios 

Petrolândia 10 de fevereiro de 2012

72

“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas”. (I Coríntios 6:12 )
CORINTO
” A cidade de Corinto foi destruída por um grande terremoto em 1858. Em seguida foi reconstruída a 6 km do local anterior. Escavações na cidade antiga permitiram diversas descobertas arqueológicas, tais como monumentos, imagens e ruínas de casas, templos e palácios Era uma cidade comercial muito rica, com poderosos, intelectuais, industriais, comerciantes e com uma população de mais de 500 mil habitantes, a maior parte escravos, tinham também trabalhadores, desempregados, migrantes, miseráveis e pedintes. Era uma cidade portuária onde se aglomeravam pessoas de todas as raças, culturas e crenças religiosas, procurando vida fácil e com muito luxo, tornando assim uma cidade cheia de ganância e imoralidade. Havia alguns com muita riqueza que chegava a ser um escândalo, diante da maioria que viviam na miséria absoluta. Em Corinto aconteciam também campeonatos de jogos diversos, patrocinados pelos grandes comerciantes e industriais. Era um dos maiores centros bancários da época. Tinham construções grandiosas e muitos templos dedicados aos deuses diversos. Havia uma mentalidade que ligava a cidade de Corinto com um jeito de viver na total liberdade. Viver “a moda Corinto” significava para muitos viver no luxo, na conduta libertina e era praticada principalmente pelos ricos”.

Utopias Peregrinas

Dom Helder Câmara

Petrolândia 07 de fevereiro de 2012

Hoje, 07 de fevereiro de 2012, comemora-se 103 anos de nascimento de Dom Helder Câmara. Em 1993, Washington, velho companheiro de lutas políticas na UFPE, Prof. de Filosofia e então Diretor da Editora Universitária, profundo conhecedor das minhas habilidades caseiras de editoração eletrônica convidou-me ao seu gabinete e disse depois de dar umas duas baforadas no seu cachimbo que parecia mais o Maria Fumaça saindo da estação de Petrolândia para Delmiro Gouveia na época de D. Pedro: “Tenho uma missão para você”. Perguntei-lhe: Iniciar a campanha de lançamento da candidatura de Mozart Neves à sucessão de Éfrem na Reitoria? Responde ele: “Calma esse é o cara, mas é muito cedo. A missão é você fazer a editoração eletrônica do livro de um grande escritor, grande poeta, grande orador, grande santo. A formatação do livro deve ter a cara do autor: simplicidade, humildade e sabedoria”. Quem é este homem tão importante? “O nome do livro é Utopias Peregrinas e o autor Dom Helder Câmara.” Topa? Se fosse hoje eu teria respondido “demorou”. Peguei os originais datilografados fui para casa e virei a noite digitando. Na época os recursos de editoração eletrônica eram muito limitados. Eu usava o famoso “Ventura Publisher”. Parece 100 anos de diferença para os de Hoje. Mesmo assim, no dia seguinte, o livro estava pronto. Imediatamente fui, movido a emoção” à Igreja das Fronteiras apresentar minha “obra de arte”. Toquei a campainha e para surpresa minha fui atendido pelo próprio Dom Helder. Pensei: Como é que um homem tão importante vem atender pessoalmente e sozinho, sem qualquer agendamento, ao toque de uma campainha? Lembrei, então, de um episódio já conhecido de todos:

‘Um dia, o governo militar, preocupado com a segurança do arcebispo de Olinda e Recife, temendo que algo acontecesse a ele – um atentado ou “acidente” – e a culpa recaísse sobre o Planalto, enviou delegados da Polícia Federal para lhe oferecer um mínimo de proteção. Disseram-lhe: “Dom Helder, o governo teme que algum maluco o ameace e a culpa recaia sobre o regime militar. Estamos aqui para lhe oferecer segurança”. Dom Helder reagiu: “Não preciso de vocês, já tenho quem cuide de minha segurança”. “Mas, Dom Helder, o senhor não pode ter um esquema privado. Todos que dispõem de serviço de segurança precisam registrá-lo na Polícia Federal. Esta equipe precisa ser de nosso conhecimento, inclusive devido ao porte de armas. O senhor precisa nos dizer quem são as pessoas que cuidam da sua segurança.” Dom Helder retrucou: ‘Podem anotar os nomes: são três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo.”’ (freibetto.org/index.php/?artigos/?78-o-legado-de-dom-helder-c?amara) De repente fui envolvido por uma forte energia inexplicável. Entramos numa casa muito simples ao lado da Igreja. Sentamos um ao lado do outro. Ele pegou os originais, folheou, rapidamente, e disse. Está ótimo, mas a capa está muito enfeitada. É possível deixar apenas a Foto? Tive, assim, o privilégio de lê, em primeira mão, a obra de um dos maiores pensadores do nosso tempo, que tanto contribuiu para a “formação da consciência cristã e cívica do nosso tempo”.

Ninho de Casaca de Couro: Obra Prima arquitetônica da fauna do semiárido nordestino

Petrolândia 01 de outubro de 2011

Fomos presenteados com a construção da residencia oficial de um casal da rainha dos pássaros da fauna nordestina. No Jardim à poucos metros do terraço elas resolveram construir o seu lindo palácio. Ao amanhecer elas anunciam com o seu lindo canto, em dupla, que estão saindo para o campo. Sempre que voltam durante o dia fazem um desafio como se fosse dois repentistas. Diariamente fazem reparo na coberta de sua residência destelhados pelo vento forte. A tardinha ao escurecer anunciam novamente que estão se recolhendo aos seus aposentos. E assim acontece todos os dias.
Ruy de Morais e Silva compôs uma música, eternizada por Jakson do Pandeiro. Esta Música retrata fielmente a vida deste espetáculo que a natureza nos oferece gratuitamente. No áudio do vídeo ao lado a interpretação é da Banda Casaca de Couro de Aracaju, SE.

Xô, xô, xô, xô
Casaca de couro
Cantando as duas na telha
Cantando as duas na telha.

Parece um arapuá
Cheio de vara e algodão
O ninho de uma casaca
Não parece ninho não
Parece mais os parceiros
Do pajeu do sertão.

Em riba do pé de turco
Tem um ninho de graveto
Tem garrancho de jurema
Tem pau branco, tem pau preto
Tem lenha que dá pra facho
Tem vara que dá espeto

Uma grita, outra responde
Uma baixa, outra também
Parece mulher pilando
Pro mode fazer xerém
Subindo e descendo as asas
Como os seios do meu bem.

Eu nunca vi desafio
Mais bonito, mais iguá
Duas casacas de couro
Quando começa a cantar
Parece dois violeiros
Num galope à beira-mar.


Ouça o canto da Casaca de Couro

E agora Petrolândia: Seremos lembrados pelos políticos “pur nóis escuído para as rédias do pudê?

Petrolândia, 18 de janeiro de 2011

Os três Deputados Federais, eleitos, mais votados em Petrolândia

A resposta é não, a não ser quando solicitados para dar migalhas ou como na composição, “Vozes do Sertão” de Zé Dantas e Luiz Gonzaga: “Doutô uma esmola para um homem que é são, Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão É por isso que… pedimos proteção a vosmecê Homem por nós escuído para as rédias do poder… Esta música escrita há 48 anos continua atual. O problema é que continuamos escravos do voto proporcional onde os candidatos garimpam comprando votos em todo o Estado não tendo assim obrigação de prestar contas a ninguém, pois não sabem quem representam. “Os eleitores não se lembram em quem votaram e os deputados não sabem quem os elegeu”. Na última eleição, 2010, todos os 49 deputados federais eleitos foram votados em Petrolândia. Há candidatos que talvez, nem mesmo quem votou, sabe de onde veio nem para onde vai. A maioria dos países desenvolvidos adota o voto distrital. Neste sistema o eleitor vota apenas em candidatos que representam a sua região. Anos a fio a maioria dos nossos eleitores têm votado em candidatos representantes do clã de cidades vizinha pólo de desenvolvimento, como por exemplo Petrolina e Serra Talhada. Mas por questão de sobrevivência política os recursos suficientes para alavancar o desenvolvimento ficam por lá. Para nós nada que possa nos ensinar a pescar, a não ser uma esmolinha aqui outra aculá: Consulta médica, internação hospitalar, emprego para alguém da família, etc. Será que daqui a quatro anos estaremos votando nestes mesmos candidatos? É possível que desta vez os petrolandenses tenham mais sorte, pois agora “Petrolândia está bem representada”. Na bancada Federal ajudamos a eleger Inocêncio Oliveira, de Serra Talhada. É um dos Deputados mais prestigiados em Brasília. Obteve em nossa cidade 5.767 votos (32,6%); Fernando Filho, é de Petrolina. É filho de Fernando Bezerra Coelho, Ministro da Integração de Dilma. 5008 votos (30,36%). José Chaves é do Recife. 796 votos (4,82%) Na bancada estadual Alberto Feitosa é do Recife: 3.767 votos (21,83%). É o Secretário de Cultura de Pernambuco. Rodrigo Novaes é de Floresta. 1379 votos (7,99%). Será que desta vez eles conseguirão uma verbazinha para asfaltar a famosa e lendária reta de Ibimirim. Apenas 70 km da BR 110 até Petrolândia. Há dezenas de anos que candidatos ao governo do Estado prometem asfaltá- la. Miguel Arraes quando candidato ao primeiro governo depois da volta do exílio prometeu asfaltá-la, num comício em Petrolândia, mas “forças estranhas” não deixam os Governadores cumprirem o prometido. Por aqui falam as más línguas que são os Coelhos de Petrolina e por tabela os Oliveiras de Serra Talhada, pois se isto acontecesse mudaria completamente a geografia econômica do Sertão já que Petrolândia ficaria 100 km mais perto da capital. Além disso o trânsito vindo do Sul com destino á Caruarú Recife, Campina Grande, João Pessoa e Natal passaria a usar a rota de Petrolândia. A riqueza seria eqüitativamente mais distribuída no Sertão Pernambucano. Seria bom que cada candidato seguisse o exemplo de Lula e no final de cada mandato viesse à Petrolândia e juntamente com o político local que o apoiou, registrassem em cartório o que conseguiram para Petrolândia em termos de obras infra-estruturadoras. Parafrasiando Zé Dantas e Luiz Gonzaga: Se vocês fizerem o que prometeram em campanha para Petrolândia livraria nóis da ismola, que no fim de seus mandatos pagamo inté os juru sem gastar nossa corage.

Os três Deputados Estaduais, eleitos, mais votados em Petrolândia

A seca Verde no Semiárido Nordestino

Petrolândia, 04 de novembro de 2010

Pau D’Arco ou Ipê Roxo

Pau D’Arco ou Ipê Roxo

Pau D’Arco ou Ipê Roxo

Pau D’Arco ou Ipê Roxo

Caatinga

Caatinga

No artigo anterior, 19/09/2010, http://popclubmpb.com.br/wordpress/?p=862 falávamos da transição entre a fase verde e a fase seca nesta região.

A vegetação começava a adormecer, quando a natureza, como sempre, nos surpreendeu com a chuva das flores. Este é o nome dado pela população nativa às chuvas que caem, esporadicamente, no mês de novembro. A vegetação é convidada a permanecer acordada prolongando o tempo de permanência de apresentação do espetáculo natural do verde e da flores, único no mundo nesta formatação. Se em dezembro não chover (chuva do umbuzeiro) ocorrerá o fenômeno conhecido por aqui como “Seca Verde”: A vegetação estará verde mas a terra permanecerá seca, esturricada.

Veja como estava há um ano:

Meu Pé de Ipê Roxo: Pede socorro no Dia da Árvore

OBS: Atualizado em 04/11/2016

As folhas caem: um espetáculo deslumbrante e inesquecível

Pau de Ema

Pau de Ema

Pau D’Arco ou Ipê Roxo

Pau D’Arco ou Ipê Roxo

Flor de Macambira

Flor de Macambira

Petrolândiaem 19 de setembro de 2010

Setembro, mês de transição da fase verde para a seca na região do semiárido no Lago de Itaparica. As folhas caem dando lugar as flores e logo em seguida aos frutos. Dentro de no máximo vinte dias toda a vegetação estará totalmente seca. Para quem curte a natureza é um espetáculo deslumbrante e inesquecível. As plantas adormecem aguardando as chuvas de março e em apenas oito dias tudo estará verde novamente. Quando estas chuvas não ocorrem vem a seca. É quando, parafraseando Humberto Teixeira, a lama vira pedra e o mandacaru seca, o ribação de sede bate asa e vai embora e em suas asas o nordestino arriba para os centros urbanos. Parece milagre: Pode passar dez anos de seca, sem chuva, mas aos primeiros pingos, em poucos dias tudo estará verde novamente. O arriba dos retirantes acontecia antes dá implantação da Barragem de Itaparica. Hoje a população nativa dedica-se a agricultura irrigada ou a criação de peixe no lago.

1 8 9 10 11