Floresta do Navio: O Pensionado da Divina Providência Pede Providências

PDP01Petrolândia 01 de setembro de 2013

Estive, hoje (01/09/2013), revisitando a minha querida e saudosa Floresta do Navio que um dia me adotou como estudante vindo do Icó Petrolândia Pernambuco. Ao chegar em frente às ruinas do PDP (Pensionato da Divina Providência) outrora dirigido por Da. Lindaura carinhosamente chamada pelos seus “meninos” e “meninas” de Tia Lala tive coragem apenas para perguntar: Por quê?

Por um momento lembrei-me apenas destas duas frases de Caio Fernando Abreu:

PDP02“O silêncio responde até mesmo aquilo que não foi perguntado”.
“Perguntei ao tempo qual seria a solução, e ele disse: – Deixe-me passar”!

Até a placa de algum Governador que não mais se consegue identificar quem um dia, talvez por acaso, pensou em recuperá-lo, resistiu a ação predatória das intempéries da vida, que silenciosamente age contra crianças e adolescentes pobres que precisam de apoio do Estado para estudar. Esse é o Brasi Cabôco de Zé da Luz:

PDP03“É êsse o Brasí Cabôco,
Um Brasí bem brasilêro,
Sem mistura de istrangêro
Um Brasí nacioná!

Brasí, qui foi, eu tou certo,
Argum dia discuberto,
Prú Pêdo Arves Cabrá” !!!

Fui interno deste pensionato no início dos anos 60 enquanto fazia o curso ginasial (hoje ensino fundamental do 6º ao 9º ano) com uma bolsa de estudo concedida por Antônio Novaes. As mulheres ficavam neste prédio e os homens no Campo do Monte localizado, na época, na conhecida rua de baixo (final da rua dos tamarindos).

Aí obtive o meu primeiro diploma: Datilografia com direito a formatura com festa e tudo mais e que serviu mais tarde para trabalhar no Núcleo de Supervisão Pedagógica como Auxiliar de Escrita, hoje GERE, por indicação da sua então Diretora Fortunata Ferraz (Dona Tatinha). Por quê as antigas máquinas de datilografia Remington e Olivetti, não foram substituídas por modernos computadores com acesso à internet servindo, hoje este ambiente, de espaço de inclusão digital e formação profissional para crianças e adolescentes carentes?

O PDP abrigava estudantes carentes residentes em áreas rurais de Floresta e das cidades vizinhas: Airi, Varjota, Barra do Silva, Carnaubeira, Icó, Limão Bravo, Lagoa da Areia, Gravatá, Sabiucá, Ibimirim, Itacuruba e muito mais.

Eu e meus colegas dos anos sessenta, internos ou não, fizemos muitas serenatas para as jovens colegas estudantes, que aí residiam.

Por onde andam, Arturzinho, Nelson Quirino, Milson, José Neto, Orlando, Tadeu, Augusto Sávio, Souza, José Cleofas, Amadeu, Manelito, Manoel Pedro, Zildo, Sales, Antônio Goiana, Zé Goiana, Sé, Élcio, Jarbas, Geraldo Cornélio, Weldon, Lourinaldo, Guilherme, Galego Feitosa, Tenente Siqueira (Delegado que logo que chegou à Floresta proibiu as serestas e depois liberou para que ele mesmo pudesse nos acompanhar e cantar para sua a recém-namorada Dinair Novaes)?

Por onde andam as meninas de Tia Lala que, sabiamente fingindo dormir, permitia que suas pupilas se debruçassem nas janelas do pavimento superior para ouvir na madrugada adentro os seus seresteiros preferidos: Alice, Marluce, Zilda, Ivete, Pedrina, Mena, Sônia, Iza, Marina, Tatá, Socorrinha e tantas e tantas outras?

Por onde andam os grandes Educadores/Professores/Educadores do Ginásio padre Cláudio Novaes, do Ginásio Industrial, da Escola Normal Afonso Ferraz: Toinha Nelza, Lourdes Rosa, Eurides, Alípio Carvalho, Dr Guedes, Dr Gentil Porto, Jaime, Dinair Novaes, Célia Novais, Janete, Tidinha, Osminha, Fortunata Ferraz, Zélia, Sílvia Delgado e tantos outros?

Enfim alguém já solicitou o tombamento deste monumento histórico?

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