A vaquinha do Icó Mandantes ou do Sistema Itaparica?

A maior crise hídrica dos últimos 80 anos, no Rio São Francisco, reduziu a produção agrícola? A resposta é não, com exceção da região onde estão os perímetros irrigados da Barragem de Itaparica. No Projeto Icó Mandantes a área irrigada está reduzida a metade. Neste projeto há bem pouco tempo produzia, só de melancia, 300 toneladas por dia. Hoje a produção diária não chega a 20 toneladas. A culpa é da crise hídrica? Não. Falta água, no lago, para irrigação? Não. A água não chega em quantidade suficiente na área irrigada porque os canais de aproximação estão obstruídos por vegetação. No momento estão sendo desobstruídos, mas em breve tudo voltará ao mesmo. Onde está o problema? Na vaquinha que produz o leite necessário à sobrevivência dos produtores. Aqui o insumo necessário à produção agrícola e ao consumo humano é gratuito: A água. A quem interessa que esta vaquinha continue em ação? A quase todos: Ao polo sindical que é o pai do projeto e não quer que os seus filhos criem asas. Interessa a maioria dos produtores, que por questões de ordem sócio cultural, não querem se tornar independentes do leite da vaquinha. Interessa a CODEVASF que opera um sistema de irrigação para produtores rurais que por diversas razões não têm como cobrar que os serviços por ela prestados sejam executados de acordo com os recursos financeiros que ela tem recebido ao longo dos anos. E não foram poucos. Os técnicos da CODEVASF não conseguem fazer o que deveria numa empresa aparelhada pela politicagem.

Se no próximo ano não chover o suficiente em toda extensão do Rio São Francisco o Lago de Itaparica chegará ao volume morto. O prejuízo para a economia de Petrolândia será incalculável além do que já tem causado até o momento com a redução da produção. Não haverá nem royalties e nem ICMS provenientes da Usina Luiz Gonzaga.

Os produtores, de perímetros irrigados que não dependem do leite da vaquinha saberão encontrar o caminho para continuar produzindo. Os que dependem da vaquinha como sobreviverão? Será que por aqui passará algum mestre da sabedoria e mandará seu discípulo jogar a vaquinha no precipício?

Para mais informações sobre os problemas gerados pela vaquinha leia as matérias abaixo:

SUICÍDIO E HOMICÍDIO: O PREÇO DO PROGRESSO

PROJETO ICÓ MANDANTES: SAI A HIDROSONDAS ENTRA A PLENA

PROJETO ICÓ MANDANTES ENSINA A CULTIVAR NO DESERTO DOS CAMPINHOS

O PROJETO ICÓ MANDANTES DE PETROLÂNDIA PERNAMBUCO ONTEM HOJE E AMANHÃ

ÓRFÃOS DA BARRAGEM DE ITAPARICA

CENTRO DE MONITORAMENTO DO SISTEMA DE IRRIGAÇÃO DO PROJETO ICÓ MANDANTES

TCU VERIFICA INDÍCIOS DE IRREGULARIDAS EM OBRAS DE REASSENTAMENTO DE ITAPARICA

PRODUTORES RURAIS DO ICÓ-MANDANTES OCUPAM E ASSUMEM COMANDO DAS ESTAÇÕES DE BOMBEAMENTO

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A FÁBULA DA VAQUINHA

Um mestre da sabedoria passeava por uma floresta com seu fiel discípulo, quando avistou ao longe um sítio de aparência pobre e resolveu fazer  uma breve visita… Durante o percurso ele falou ao aprendiz sobre a importância das  visitas e as oportunidades de aprendizado que temos,   também com as pessoas que mal conhecemos.

Chegando ao sítio, constatou  a pobreza do lugar: sem calçamento,  casa  de  madeira,  os  moradores,  um   casal e três filhos, vestidos com  roupas  rasgadas e sujas… Então se aproximou do senhor, aparentemente o pai daquela família, e perguntou: “Neste lugar não há sinais de pontos de comércio e de trabalho. Como o senhor e a sua família sobrevivem aqui?” E o senhor calmamente respondeu: “Meu amigo, nós temos uma vaquinha que nos dá vários litros de leite todos os dias. Uma parte desse produto nós  vendemos  ou trocamos na cidade vizinha por outros gêneros alimentícios e  a  outra  parte  nós  produzimos queijo e coalhada para o nosso consumo e  assim vamos sobrevivendo.”

O sábio agradeceu pela informação,  contemplou  o   lugar por uns  momentos,  depois se despediu e foi embora. No meio do caminho, voltou ao seu fiel discípulo e ordenou: “Aprendiz, pegue a vaquinha, leve-a ao  precipício  ali  à   frente  e  empurre-a,  jogue-a  lá  embaixo.” O jovem  arregalou  os  olhos  espantado  e  questionou o mestre sobre o fato de a vaquinha  ser  o  único  meio de sobrevivência daquela família, mas, como  percebeu  o  silêncio absoluto do seu mestre, foi cumprir a ordem. Assim, empurrou a vaquinha morro abaixo e a viu morrer.

Aquela cena ficou marcada na memória daquele jovem durante alguns   anos,  até  que,  um  belo  dia,  ele  resolveu   largar  tudo o que havia  aprendido e voltar àquele mesmo lugar e contar tudo àquela família, pedir  perdão e ajudá-los. E assim o fez. Quando se aproximava do local, avistou um sítio muito bonito, com árvores floridas, todo murado, com carro na garagem e algumas crianças  brincando  no  jardim.  Ficou triste e desesperado,  imaginando  que  aquela humilde família tivera que vender o  sítio  para sobreviver. Apertou o passo e, chegando lá, foi logo recebido por um caseiro muito simpático e perguntou sobre a família que ali morava há uns quatro anos.  O caseiro respondeu: “Continuam morando aqui.” Espantado, o discípulo entrou correndo  na casa e viu que era mesmo a  família  que   visitara antes com o mestre. Elogiou o local e perguntou ao senhor (o dono da vaquinha): “Como o senhor melhorou este sítio e está   tão  bem de vida?” E o senhor, entusiasmado, respondeu: “Nós tínhamos uma vaquinha  que  caiu  no  precipício  e morreu. Daí em diante, tivemos que fazer  outras  coisas  e  desenvolver   habilidades  que  nem sabíamos que  podíamos,  assim   alcançamos  o sucesso que seus olhos vislumbram agora!”

OBS: Os dados sobre a produção agrícola foram obtidos junto a vendedores de insumos agrícolas que atuam em todo Sistema Itaparica e todos os projetos irrigados desde Sobradinho até Petrolândia. Foram entrevistados também produtores rurais da área ribeirinha de Petrolândia.

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