Produtores Rurais do Icó Mandantes: No mato sem cachorro

Petrolândia 27 de dezembro de 2013

Há poucos dias, na matéria anterior, divulgamos uma boa notícia para os produtores do Icó Mandantes em função de medidas tomadas pela CODEVASF. Quando poderemos fazer o mesmo em relação à Prefeitura de Petrolândia? Pelo andar da carruagem, com as próximas chuvas, o nosso gestor vai ter que transformar jumento em ambulância.

Quando criança, no Campinho, Limão, Poço da Onça e tantos outros locais que desapareceram do mapa após a barragem de Itaparica, vivi e presenciei em vários momentos ora a alegria nos anos de chuva, ora o desespero dos habitantes desta região do semiárido nordestino nos anos de seca. Tudo era imprevisível. Apenas a fé nutria o sonho da população nativa na esperança de que a partir de dezembro a chuva chegaria e assim permaneceria até o mês de março e a partir daí o inverno até o mês de junho, seguindo-se a segunda fase do bioma quando a caatinga adormecia esperando as chuvas do ano novo. Observar a lua na noite de natal e ano novo, a casa de João de Barro, a revoada de Tetéus, o movimento das formigas, a barra da lua no mês de outubro, tudo isso fazia parte do conhecimento empírico do sertanejo passado de geração a geração.

Mas esse tempo das cavernas acabou, embora, algumas pessoas supostamente bem informadas tenham parado no tempo inclusive os gestores municipais de Petrolândia. É um passado que deveria ser vivenciado nas escolas como parte da cultura do nosso povo e não de um futuro a ser vivenciado hoje, aqui e agora.

A seca de 2013 que começou em meados de 2012 já era prevista com bastante antecedência. As recentes chuvas e as que virão a partir de janeiro também estão anunciadas há mais de um ano. Quem, há cerca de dois anos, não conhecia o máximo solar ou atividade solar máxima anunciada pela NASA? Que o auge deste fenômeno era 2013 e que se repete a cada 11 anos? Será que os alunos com seus notebooks doados pelo Governo estão vivenciando nas nossas escolas conectadas a internet esse futuro vivenciado hoje, aqui e agora? Se a resposta for positiva quem sabe tenhamos no futuro gestores municipais comprometidos com mudança, única fórmula capaz de provocar desenvolvimento sustentável.

Talvez, por não acreditar na evolução da ciência, os gestores de Petrolândia, continuem apelando para as adivinhações.

Mais de um milhão de reais a Prefeitura está gastando para asfaltar ruas já pavimentadas: Algumas de asfalto sobre asfalto, outras de asfalto sobre paralelepípedo. Este serviço não irá melhorar, em nada, absolutamente nada, a qualidade de vida da população de Petrolândia. Nada mudará a não ser o visual. Pelo contrário: Irá aumentar a sensação de calor e mais pessoas doentes surgirão. Pesquisem na internet e vocês conhecerão os malefícios causados com a implantação de asfalto nas ruas.

Com apenas R$ 300.000,00 (trezentos mil reais), hoje, a estrada do Icó Mandantes voltaria a ser o que era em 2003, quando a CHESF a entregou de presente a Prefeitura de Petrolândia. A piçarra está lá, apenas foi jogada para as laterais transformando-a em riacho.

Em 2012, um pouco antes da eleição, esta estrada estava intransitável. A Prefeitura fez uma meia sola para enganar o povo, e conseguiu. Até quando? Até quando o povo descobrir que precisa escolher prefeitos e vereadores que não ruminem problemas, que tenham condições de prevê, controlar e vivenciar o futuro hoje, aqui e agora.

No próximo ano tem eleições. Vamos ficar de olho nos candidatos que essa turma vai apoiar, e porque estão apoiando.

Projeto Icó Mandantes: Sai a HIDROSONDAS entra a PLENA

Petrolândia 20 de dezembro de 2013ocupa03_

Até que enfim a hidrossondas saiu. Quase um ano de luta dos produtores, sindicato, políticos, técnicos da CODEVASF articulando-se para de forma consensual convencê-la que a sua forma de agir, administrar não correspondia às necessidades dos serviços demandados pelo sistema de irrigação do Projeto Icó Mandantes.

Em apenas 25 dias a empresa que a substituiu a PLENA CONSULTORIA E PROJETOS LTDA começa a conquistar a confiança dos produtores ao produzir resultados a muito esperados por todos.

Em conversa com técnicos CODEVASF E DA PLENA percebi que em termos estruturais nada mudou. Apenas percebi que são duas empresas com visões de mundo e de administração bem diferentes: A HIDROSSONDAS via o futuro como incontrolável, a PLENA vê o futuro como controlável. A anterior parecia achar que o futuro deveria ser previsto a segunda acha que o futuro deve ser vivenciado. Para uma o futuro é amanhã para a outra o futuro é hoje. A isso damos o nome de visão de futuro proativa e é isto que a PLENA tem demonstrado nestes 25 dias de trabalho.

Em pouquíssimo tempo identificou problemas e definiu prioridades.

Hoje um produtor rural me fez o seguinte comentário:

-Houve um vazamento em uma tubulação de uso comum próximo ao meu lote: Quando eu me preparava para ir avisar no centro administrativo distante 8 km o pessoal da manutenção chegou. E o mais interessante: Eram as mesmas pessoas de antes. O que mudou?

Por fim uma frase do grande Albert Einstein para reflexão pelos dirigentes da CODEVASF como contratante e da PLENA como contratada:

“Os problemas significativos com os quais nos deparamos não podem ser resolvidos no mesmo nível de pensamento em que estávamos quando eles foram criados.”

Uma dica: Esses problemas foram criados em 1986 quando foi assinado o acordo entre CHESF e reassentados intermediados pelo Sindicado e Polo Sindical. Precisamos como pensa a PLENA, pelo menos é o que percebi em reunião com um dos seus Dirigentes, Dr Elias, vivenciarmos esse futuro hoje, com o contexto social de hoje, com o pensamento de hoje, numa Visão de Futuro Proativa.