O Milagre Econômico de Petrolândia

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Petrolândia 28 de maio de 2012

Petrolândia tem o quarto maior PIB per capita de Pernambuco segundo dados do IBGE 2009: 16.513,18. Fica atrás apenas de Ipojuca 93.791,75, Itapissuma 22.900,72 e Cabo de Santo Agostinho 22.301,09. O que isto significa e o que não significa? Quem contribuiu para que nossa cidade pareça ser, pelos dados estatísticos, a mais desenvolvida de todo Agreste e Sertão Pernambucano? Significa que poderíamos ter aqui o melhor IDH, as melhores estradas rurais, as melhores escolas, os professores mais bem pagos do Estado de Pernambuco. Não significa que é o fruto da “distribuição de poder político, da geração de oportunidades econômicas, do estímulo à inovação e à acumulação de capital humano, além de outras vias”. (QUALIDADE DAS INSTITUIÇÕES E PIB PER CAPITA NOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS – IPEA 2011)
A natureza e o progresso nos entregaram de presente, em 1988, uma usina hidrelétrica e um lago com 114 km de extensão. Mas tudo que não é fruto abençoado do esforço próprio não será valorizado e terminará caindo no esquecimento daqueles que não foram educados para entender e compreender o seu passado histórico. Mas há uma luz no fim do túnel. Pelo menos os agricultores sabem quanto custou, conseguir a área irrigada que hoje abastece centenas de cidades vizinha e capitais mais próximas. Quem não conhece a história dos agricultores, de então, ocupando o canteiro de obras da usina? Esses movimentos precisam ser mantidos vivo na memória do nosso povo. Em 2004, Petrolândia tinha 3 casas comerciais no seguimento agrícola. Hoje tem 12. Quem impulsionou tão expressivo crescimento? Como eram, em 2004, as casas comerciais no seguimento eletrodomésticos e material de construção? A diferença que for encontrada tem como fonte propulsora a agricultura familiar, ou seja, o trabalho de centenas de formiguinhas que trabalham na agricultura irrigada produzindo alimentos e contribuindo decisivamente para manter e impulsionar a economia de Petrolândia. O primeiro motor da economia de Petrolândia é a Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga. O segundo é a agricultura irrigada onde 90% está no Projeto Icó Mandantes. Por essa estrada, é escoada a produção agrícola desse projeto. Por aqui passam, diariamente, cerca de 50 caminhões transportando melancia, cebola, melão, tomate, pimentão, manga, goiaba, enfim, um infinidade de frutas e hortaliças. Mas Petrolândia parece querer insistir em não conhecer-se a si mesma. Talvez porque acostumou-se a receber presentes de Papai Noel. Em 1877 D. Pedro II deu de bandeja “um cais e uma ferrovia lingando economicamente o alto e o baixo São Francisco. A finalidade foi dar trabalho aos sertanejos famintos e também evacuar a produção de gêneros alimentícios vindos de outros municípios ribeirinhos do São Francisco, que eram os celeiros de nosso Sertão”. (www.petrolandia.pe.gov.br/historia.html). Perdemos o bonde da história, vamos perder novamente? Pensando nisso lembrei-me das cartas do Apóstolo Paulo aos Coríntios.

“A cidade de Corinto foi destruída por um grande terremoto em 1858. Em seguida foi reconstruída a 6 km do local anterior. Escavações na cidade antiga permitiram diversas descobertas arqueológicas, tais como monumentos, imagens e ruínas de casas, templos e palácios Era uma cidade comercial muito rica, com poderosos, intelectuais, industriais, comerciantes e com uma população de mais de 500 mil habitantes, a maior parte escravos, tinham também trabalhadores, desempregados, migrantes, miseráveis e pedintes. Era uma cidade portuária onde se aglomeravam pessoas de todas as raças, culturas e crenças religiosas, procurando vida fácil e com muito luxo, tornando assim uma cidade cheia de ganância e imoralidade. Havia alguns com muita riqueza que chegava a ser um escândalo, diante da maioria que viviam na miséria absoluta. Em Corinto aconteciam também campeonatos de jogos diversos, patrocinados pelos grandes comerciantes e industriais. Era um dos maiores centros bancários da época. Tinham construções grandiosas e muitos templos dedicados aos deuses diversos. Havia uma mentalidade que ligava a cidade de Corinto com um jeito de viver na total liberdade. Viver “a moda Corinto” significava para muitos viver no luxo, na conduta libertina e era praticada principalmente pelos ricos”.

Sem estradas e investimento na educação do povo é possível que perdamos mais uma vez o bonde da história. A Escola Municipal Caruá localizada na Agrovila 6 bloco 3 do Projeto Icó Mandantes, depois de vários anos entregue a administração das formigas, baratas e cupins não conseguiu honrar a resistência da família das bromeliáceas que o seu nome representa. Ameaçada de ruir os alunos a abandonaram. Parte do muro desabou e sua área externa serve de amalhador de bode e chiqueiro de porco. Mais quatro escolas aqui no projeto em poucos meses estarão na mesma situação. Dar para estufar o peito e gritar para os quatro ventos: Moro numa cidade linda, bonita por natureza e que tem o quarto PIB per capita do Estado? Pensem nisso. Só a distribuição de poder político, a geração de oportunidades econômicas, o estímulo à inovação e à acumulação de capital humano poderão manter, auto sustentar e desenvolver este segundo presente que Papai Noel nos concedeu. O Problema é que isto não vai cair do céu: Tem que ser conquistado pelo povo de Petrolândia.