Dom Hélder Câmara e o seu senso de oportunidade: Um exemplo que deveria ser seguido pelo Empresariado de Petrolândia

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Petrolândia 22 de fevereiro de 2012

O maior sonho de Dom Hélder era a erradicação da miséria no mundo. Sonhava com o ano 2000 sem fome. Ainda no Rio, criou o Banco da Providência e a Cruzada São Sebastião, no intuito de pôr fim às favelas. Graças a doações, edificou no Leblon um conjunto de prédios, para cujos apartamentos transferiu famílias de uma favela próxima. Não deu certo. Sem recursos para pagar os impostos (luz, água, telefone…), os moradores passaram a sublocar os domicílios e a obter renda graças à venda de torneiras, pias e outras peças do imóvel.

Para angariar recursos a suas obras, Dom Hélder não titubeava em comparecer a programas de auditório de grande audiência televisiva. Certa ocasião, foi convidado por um apresentador para sortear prendas expostas no palco e vistas por todos, exceto pela pessoa trancada numa cabine opaca. Calhou de ser um desempregado. “Seu Joaquim, o senhor troca isto por aquilo?” E sem nomear o objeto, Dom Hélder apontava um liquidificador e, em seguida, um carro. Seu Joaquim respondia “sim” e toda a plateia vibrava. Em seguida, Dom Hélder indagou se trocava o carro por um abridor de latas. O homem topou. E não mais arredou pé, cismou que escolhera a melhor prenda. Ao sair da cabine, recebeu dos patrocinadores, decepcionado, o abridor. E Dom Helder mereceu um polpudo cheque. O arcebispo não teve dúvidas: “Seu Joaquim, o senhor troca este cheque pelo abridor?” No dia seguinte, no Palácio São Joaquim, onde funcionava a cúria do Rio, Dom Hélder foi criticado por ter aberto mão de um recurso que poderia reforçar suas obras sociais. Ele justificou-se: “Perdi o cheque, ganhei em publicidade. Esperem para ver quanto dinheiro vou angariar.” http://www.freibetto.org/index.php/artigos/78-o-legado-de-dom-helder-camara

O senso de oportunidade de Don Hélder poderia ser seguido pelo empresariado de Petrolândia destinando um pouquinho do seu patrimônio para criação de uma Fundação de Educação Cultura e Esporte. Esperar pela boa vontade do Governo Federal e do Estado seria malhar em ferro frio. Os poderosos do sertão não permitiriam que recursos dessa natureza viessem para por estas bandas.

As três primeiras metas dessa fundação poderia ser: Criar uma Faculdade de Turismo, uma Pista de Atletismo e a implantação da estrutura adequada ao desenvolvimento do turismo e ecoturismo no Lago de Itaparica e reserva legal do projeto Icó mandantes. Ganhariam muito em publicidade com retorno financeiro garantido. 4% do imposto sobre o lucro líquido que pagam ao Leão seriam destinados a Fundação, além do dinheiro que seria facilmente angariado junto a órgãos nacionais e internacionais. O incremento no emprego e renda da população aqueceria de imediato o comércio local deixando o empresariado cada vez mais rico e com a consciência tranquila de terem contribuído decisivamente para o desenvolvimento econômico e social de Petrolândia.

Cartas do Apóstolo Paulo aos Corintios 

Petrolândia 10 de fevereiro de 2012

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“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas”. (I Coríntios 6:12 )
CORINTO
” A cidade de Corinto foi destruída por um grande terremoto em 1858. Em seguida foi reconstruída a 6 km do local anterior. Escavações na cidade antiga permitiram diversas descobertas arqueológicas, tais como monumentos, imagens e ruínas de casas, templos e palácios Era uma cidade comercial muito rica, com poderosos, intelectuais, industriais, comerciantes e com uma população de mais de 500 mil habitantes, a maior parte escravos, tinham também trabalhadores, desempregados, migrantes, miseráveis e pedintes. Era uma cidade portuária onde se aglomeravam pessoas de todas as raças, culturas e crenças religiosas, procurando vida fácil e com muito luxo, tornando assim uma cidade cheia de ganância e imoralidade. Havia alguns com muita riqueza que chegava a ser um escândalo, diante da maioria que viviam na miséria absoluta. Em Corinto aconteciam também campeonatos de jogos diversos, patrocinados pelos grandes comerciantes e industriais. Era um dos maiores centros bancários da época. Tinham construções grandiosas e muitos templos dedicados aos deuses diversos. Havia uma mentalidade que ligava a cidade de Corinto com um jeito de viver na total liberdade. Viver “a moda Corinto” significava para muitos viver no luxo, na conduta libertina e era praticada principalmente pelos ricos”.

Utopias Peregrinas

Dom Helder Câmara

Petrolândia 07 de fevereiro de 2012

Hoje, 07 de fevereiro de 2012, comemora-se 103 anos de nascimento de Dom Helder Câmara. Em 1993, Washington, velho companheiro de lutas políticas na UFPE, Prof. de Filosofia e então Diretor da Editora Universitária, profundo conhecedor das minhas habilidades caseiras de editoração eletrônica convidou-me ao seu gabinete e disse depois de dar umas duas baforadas no seu cachimbo que parecia mais o Maria Fumaça saindo da estação de Petrolândia para Delmiro Gouveia na época de D. Pedro: “Tenho uma missão para você”. Perguntei-lhe: Iniciar a campanha de lançamento da candidatura de Mozart Neves à sucessão de Éfrem na Reitoria? Responde ele: “Calma esse é o cara, mas é muito cedo. A missão é você fazer a editoração eletrônica do livro de um grande escritor, grande poeta, grande orador, grande santo. A formatação do livro deve ter a cara do autor: simplicidade, humildade e sabedoria”. Quem é este homem tão importante? “O nome do livro é Utopias Peregrinas e o autor Dom Helder Câmara.” Topa? Se fosse hoje eu teria respondido “demorou”. Peguei os originais datilografados fui para casa e virei a noite digitando. Na época os recursos de editoração eletrônica eram muito limitados. Eu usava o famoso “Ventura Publisher”. Parece 100 anos de diferença para os de Hoje. Mesmo assim, no dia seguinte, o livro estava pronto. Imediatamente fui, movido a emoção” à Igreja das Fronteiras apresentar minha “obra de arte”. Toquei a campainha e para surpresa minha fui atendido pelo próprio Dom Helder. Pensei: Como é que um homem tão importante vem atender pessoalmente e sozinho, sem qualquer agendamento, ao toque de uma campainha? Lembrei, então, de um episódio já conhecido de todos:

‘Um dia, o governo militar, preocupado com a segurança do arcebispo de Olinda e Recife, temendo que algo acontecesse a ele – um atentado ou “acidente” – e a culpa recaísse sobre o Planalto, enviou delegados da Polícia Federal para lhe oferecer um mínimo de proteção. Disseram-lhe: “Dom Helder, o governo teme que algum maluco o ameace e a culpa recaia sobre o regime militar. Estamos aqui para lhe oferecer segurança”. Dom Helder reagiu: “Não preciso de vocês, já tenho quem cuide de minha segurança”. “Mas, Dom Helder, o senhor não pode ter um esquema privado. Todos que dispõem de serviço de segurança precisam registrá-lo na Polícia Federal. Esta equipe precisa ser de nosso conhecimento, inclusive devido ao porte de armas. O senhor precisa nos dizer quem são as pessoas que cuidam da sua segurança.” Dom Helder retrucou: ‘Podem anotar os nomes: são três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo.”’ (freibetto.org/index.php/?artigos/?78-o-legado-de-dom-helder-c?amara) De repente fui envolvido por uma forte energia inexplicável. Entramos numa casa muito simples ao lado da Igreja. Sentamos um ao lado do outro. Ele pegou os originais, folheou, rapidamente, e disse. Está ótimo, mas a capa está muito enfeitada. É possível deixar apenas a Foto? Tive, assim, o privilégio de lê, em primeira mão, a obra de um dos maiores pensadores do nosso tempo, que tanto contribuiu para a “formação da consciência cristã e cívica do nosso tempo”.