ORLA DE PETROLÂNDIA – COMO NUM PASSE DE MÁGICA: TUDO LIMPO

Parafraseando John F. Kennedy: “Não pergunte o que Petrolândia pode fazer por você, pergunte o que você pode fazer por Petrolândia!”.

O mutirão realizado hoje por moradores e funcionários da Prefeitura a Pedido do Prefeito Ricardo Rodolfo para limpeza da Orla Fluvial de Petrolândia, tem um poder simbólico no imaginário social e cultural dos Petrolandenses que vai muito além da nossa real compreensão.

Eu entendo as razões que levam muitos jovens da nossa cidade pós-barragem de Itaparica não perceberem a importância que tem este gesto. Afinal, a maior parte de nossas raízes culturais repousa adormecida sob as águas do Velho Chico. Petrolândia deu início, hoje, ao resgate desse passado pobre, difícil, mas construído com muito orgulho. A história de Petrúcio Amorim explicitada na sua música Tareco e Mariola é também a história do povo de Petrolândia.

“Cartas na mesa,

bom jogador conhece o jogo pela regra,

não sabes tu que já tirei leite de pedra,

só pra te ver sorrir pra mim não chorar.

Você foi longe,

me machucando provocou a minha ira,

só que eu nasci entre o velame e a macambira,

quem é você pra derramar meu munguzá”

Meu Pé de Ipê Roxo: Pede socorro no Dia da Árvore

Pau D’Arco ou Ipê Roxo

Pau D’Arco ou Ipê Roxo

Pau D’Arco ou Ipê Roxo

Pau D’Arco ou Ipê Roxo

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– Olá meu amigo. Você passa por aqui todos os anos desde 2010 sempre nessa época. Desculpe-me, hoje eu não posso mais lhe presentear com aquela deslumbrante beleza. Antes você dizia que estava fazendo mototerapia. Prometeu passar a fazer jumentoterapia. E agora vem fazendo carroterapia. Cadê a moto?

– Substituir pelo carro. Estou cada vez mais cansado e andando devagar. No carro o risco é menor.

– Ora, se está andando devagar deveria ter vindo no seu velho amigo jumento. Esse aí produz tanta poeira que está me sufocando.

– E é por isso que você está sem as flores?

– Não. Esse aí vai me matando aos poucos com tanta poluição. A falta de flores é pela falta de chuva. Já não sirvo mais nem para vocês fazerem cabo de machado. Mas também nem seria necessário. Agora o homem usa a moto serra. Acaba conosco em poucos segundos. Nos anos de mil e novecentos e antigamente, nessa época de seca, vocês desabavam daqui como retirantes para as cidades. Voltavam quando São Pedro abria as porteiras e eu estava aqui, firme, esperando. Agora, depois da Barrarem de Itaparica, são os retirantes das cidades apelidados de sem terra que veem de lá pra cá. Já sinto cheiro deles aqui por perto. Acho que no próximo ano você não me encontrará mais aqui.

– Vai viajar?

– Não. Você certamente não me verá mais. Estarei escondido nas paredes das casas de taipa dos Sem Terra ou transformado em carvão para os churrascos que eles fazem nos finais de semana. Veja, no chão, o que fizeram ontem comigo. Quando o Projeto Icó Mandantes foi criado vocês prometeram que aqui seria a reserva legal. Nós seriamos preservados para servir de pulmão aos reassentados. Será que esqueceram que eu sou a Árvore Símbolo da Flora Nacional?

– E os fiscais do IBAMA não passam por aqui?

– Que nada amigo. Será que eles também são Sem Terra?

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Iphan PE: Igreja do Sagrado Coração de Jesus em Petrolândia não tem relevância cultural e afetiva para a população

Foto: Petrolândia, ontem, hoje, sempre

Foto: Petrolândia, ontem, hoje, sempre

Em 1988 o Governo Federal através da Eletrobrás/Chesf, ao fechar as comportas da Barragem de Itaparica (Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga), destruiu o meio ambiente, dizimou culturas, rompeu laços familiares e de amizade de mais de 10.500 famílias nos Estados de Pernambuco e Bahia. Agora o IPHAN PE, autarquia do mesmo governo Federal sob a presidência do Engenheiro Frederico Faria Neves Almeida, superintendência estadual responsável pela preservação de bens patrimoniais históricos culturais, repete a mesma lógica perversa das grandes hidrelétricas ao rejeitar o pedido de tombamento da Igreja do Sagrado Coração de Jesus localizada em Petrolândia, no Lago de Itaparica ao caracterizá-la, equivocadamente, como Ruinas Submersas. “Trata-se das ruínas submersas da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, cuja construção, em estilo de inspirações ogivais góticos, iniciou-se nos primeiros anos da década de 1950 e nunca foi finalizada face ao fechamento das comportas da barragem de Itaparica em 1988, que a inundou” (IPHAN, 2015, parecer número IB/03/MS/2015).

Esta Igreja nunca esteve submersa mesmo quando o lago atingiu a sua cota máxima. Monumentos históricos submersos, em Petrolândia, ficaram o Cais e a Estação Ferroviária D. Pedro II construídos pelo próprio Imperador D. Pedro II. Ela está lá há 27 anos, localizada agora no Lago de Itaparica a 500 metros da BR 110, simbolizando a nossa história, exibindo a sua beleza para a população nativa e todos que passam pela referida BR pedindo socorro para que não a deixem sucumbir apagando assim a marca mais significativa do passado coletivo da cidade de Petrolândia.

O parecer do IPHAN diz, nas entrelinhas, que a Igreja do Sagrado Coração de Jesus em Petrolândia não possui relevância histórica, cultural e afetiva para a população: “O que se percebe no presente pleito de tombamento, é o realinhamento das relações de poder do planejado, do não planejado, dos novos arranjos nas estratégias de vida, alguma coisa aquém das tensões de relevância. O que interessa, muito mais que uma simples descrição das manifestações individuais em si, é a malha social que cria o contexto onde o estresse de um saudosismo pode florescer. Neste caso, o estresse oriundo da emersão das ruínas da Igreja do Sagrado Coração de Jesus – Petrolândia/PE e do consequente saudosismo associado, distanciando-se significativamente do valor excepcional que deve carregar um bem cultural nacional”. (IPHAN, 2015, parecer número IB/03/MS/2015).

Neste caso só interessa ao IPHAN PE bens de excepcional valor? Sem desmerecê-los, seus técnicos agiram de forma elitista, burocrática e, para ser gentil, prefiro dizer excessivamente equivocada. Elitista por afirmar que um bem cultural deve ter valor excepcional e burocrática por se ater ao pé da letra tanto no que se refere ao pedido de tombamento como a interpretação da Lei. Excessivamente equivocada por dizer que o bem está submerso. Ora, que significado teria tombar uma Igreja submersa?

Não é por eu não ser historiador, arquiteto, sociólogo, arqueólogo, antropólogo, geógrafo ou jurista que eu não possa perceber entender e interpretar e chegar a conclusão que o bem objeto deste processo tenha ou não valor histórico e cultural.

Segundo Silvia Zanirato “O patrimônio é um conceito muito amplo e nele se inscrevem os bens culturais e naturais, ainda que nem sempre essa acepção seja considerada. Não é algo circunscrito às criações físicas do homem, nem somente a algo monumental, excepcional do ponto de vista da história, da arte, da estética. Ele é formado por uma série de elementos naturais e culturais, materiais e imateriais que registram os modos de vida ao longo do tempo. Nesse entendimento o ambiente é um patrimônio porque nele se desenvolvem diferentes formas de vida. O patrimônio também não se limita aos bens reconhecidos e protegidos por leis. Mesmo aqueles que não se encontram nessa condição podem ser considerados patrimônio porque há neles valores afetivos, de existência, de identidade”. (http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/510945-patrimonio-cultural-e-natural-mais-um-tema-ignorado-na-rio20-entrevista-especial-com-silvia-zanirato)

A Igreja do Sagrado Coração de Jesus em Petrolândia “No gênero, é o único bem cultural que restou após o fechamento das comportas da barragem de Itaparica e a única ponte que liga o passado ao presente cujo patrimônio histórico arquitetônico ainda está nascendo: 24 anos.

A proposta parte do princípio de que esta Igreja é a ponte que une o passado ao presente na região de Itaparica. Ela marca a luta do governo central que se inicia no século XVIII contra a erradicação da pobreza absoluta no semiárido nordestino. D. Pedro II quando aqui esteve em 1887 manda construir um cais e uma ferrovia. Ele já previa naquele momento desenvolver mecanismos para acabar com a indústria da pobreza que estava por vir”. Assim senhores técnicos do IPHAN PE ela representa toda a história do nosso passado como bem histórico, cultural e ambiental.

Esse estresse que os técnicos do IPHAN não conseguem enxergar na malha social petrolandense tem colocado nossa cidade no ranking das cidades com maior número de pessoas que cometem suicídio em PE. Lembrando mais uma vez: A proposta de tombamento em nenhum momento fala em submersão ou emersão da Igreja do Sagrado coração de Jesus.

Se a proposta de tombamento não conseguiu traduzir para os técnicos do IPHAN PE o significado de relevância cultural e afetivo da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em parte submersa, se está aquém do esperado, que considerassem o espirito da lei e solicitassem mais informações a quem mais interessa, a população petrolandense.

Conclui o parecer: “É possível, entretanto, que o proponente, faça o requerimento do tombamento da referida igreja em nível Municipal (se for de interesse municipal, junto a Prefeitura Municipal) e/ou Estadual (se for de interesse estadual, junto a FUNDARPE – Fundação de Apoio do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco).”. (IPHAN, 2015, parecer número IB/03/MS/2015). Fica aqui a pergunta: O Município ou o Governo Estadual pode tombar um bem cuja propriedade é da União?

Senhores técnicos do IPHAN PE: Não é ao poder executivo, em qualquer esfera, que interessa o tombamento ora solicitado. É à população. Os políticos passam, os laços sociais e afetivos permanecem. “O Estado não pode colocar-se como centro onde se defende e se irradia a memória, pois, ao fazê-lo, destrói a dinâmica e a diferenciação interna da memória social e política; não pode ser produtor da memória e nem o definidor do que pode e deve ser preservado” (Marilena Chauí)]

Ora, se foi o governo imperial quem deu início a construção de bens históricos culturais que estão hoje submersos (Cais e Estação Ferroviária D. Pedro II, se o próprio nome de Petrolândia é uma homenagem a D. Pedro II, se foi o governo federal quem aqui construiu o primeiro projeto de irrigação, se foi o governo federal quem construiu a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, se foi o próprio governo federal quem construiu a Barragem de Itaparica destruindo a fauna e a flora nativas, dizimando culturas, rompendo laços familiares e de amizade em nome do progresso, se o bem cultural objeto da solicitação de tombamento, é por lei de propriedade do Governo Federal, a proposta de tombamento teria que ser encaminhada ao IPHAM. Se fosse aprovado caberia à ELETROBRÁS/CHESF preservá-lo.

Lembramos à nossa população que apenas o ato de tombamento de um bem material ou imaterial é capaz de impedir a sua destruição e/ou descaraterização. Qualquer outra ação ficará ao sabor da sensibilidade do interesse político momentâneo do poder executivo.

Vamos agora apelar para que a Prefeitura encontre o melhor caminho para que a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, localizada no Lago de Itaparica, continue esbanjando a sua imponência para nós e para o mundo.

Matérias e vídeos veiculados na imprensa sobre a Igreja do Sagrado Coração de Jesus:

Petrolândia: Visualização da imponência das ruínas da igreja de Barreiras é único ponto positivo da redução das águas de Itaparica

 

Proposta de tombamento

Parecer do IPHAN PE número IB/03/MS/2015. Nesse Parecer o IPHAN PE inclui Viviane Freire Florentino como parte interessada. Informo que ela é minha filha e que apenas protocolou, a meu pedido, a proposta de tombamento, por morar no Recife. Não o fiz pessoalmente porque resido na área Rural de Petrolândia. Apesar de ter sido emitido em 15 de maio do corrente só tomamos conhecimento no 11/09/2015

Uma ponte entre o passado e o presente

cais03Petrolândia 05 de novembro de 2013

Cais D. Pedro II ou Píer da Prainha? Se a resposta correta for a primeira opção teremos uma ponte entre o passado e o presente. Será uma importante, oportuna e merecida contribuição ao patrimônio histórico e cultural da nossa cidade. Independentemente do estilo da obra de ontem e de hoje será uma forma do nosso povo mergulhar e ficar conectado permanentemente à história da nossa querida Petrolândia. Mas se for batizado de “Píer da Prainha” estaremos cometendo um equívoco histórico imperdoável conhecido como estrangeirismo ou até mesmo barbarismo. Infelizmente, muitas vezes, de forma inconsciente, pessoas apropriam-se de neologismos e passam a usá-los, sem perceber, como instrumento de dominação através da linguagem.

cais04“Píer” vem do inglês. Significa “Pilar” em nosso dicionário nordestinês. Aportuguesado: Vários pilares sustentando uma passarela flutuante que servirá para atracar embarcações. Parece-me que no projeto apresentado pelo Prefeito o “Píer da Prainha” é apenas uma peça de engrenagem no meio de um todo chamado Cais.

Em 1877 D. Pedro II veio à Petrolândia e mandou construir um Cais e uma ferrovia. Objetivo: Ligar economicamente o alto e o baixo São Francisco e com isso escoar a produção de gêneros alimentícios produzidos em municípios localizados às margens do Velho Chico além de gerar emprego e renda para os sertanejos famintos. O Cais foi construído e a ferrovia também. Dar para entender um empreendimento deste porte há 136 anos em Petrolândia? Só Mergulhando na história das águas do Velho Chico.

cais02Segundo o Prefeito Lourival Simões “Desde a mudança da cidade para a atual localização, o poder público aguarda essa correção, pois tínhamos na Velha Cidade o nosso cais e, com a mudança para cá, nós perdemos esse espaço que servirá não apenas ao desenvolvimento do turismo como auxiliará aos pequenos e médios pescadores que terão onde atracar suas embarcações”.

Assim, se em 1877 D. Pedro II veio aqui e mandou construir um Cais nada melhor que o Prefeito que 136 anos depois manda construir outro para substituí-lo, e agora com toda força do Estado da Arte do século XXI, sugira ao povo que ele seja batizado de Cais D. Pedro II em vez de Píer da Prainha.

cais01E se assim for, os pequenos pescadores, os humildes agricultores, os cabras da peste do nosso sertão não sairão daqui irritados por não conseguirem entender o linguajar da elite que frequenta o Píer da Prainha como apresentado no vídeo abaixo. Os gringos turistas, gostarão de ouvir e aprender o arretado linguajar nordestinês dos guias turísticos petrolandenses. Em vez de importar vamos exportar neologismo.

Fotos: Divulgação facebook 

Dom Hélder Câmara e o seu senso de oportunidade: Um exemplo que deveria ser seguido pelo Empresariado de Petrolândia

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Petrolândia 22 de fevereiro de 2012

O maior sonho de Dom Hélder era a erradicação da miséria no mundo. Sonhava com o ano 2000 sem fome. Ainda no Rio, criou o Banco da Providência e a Cruzada São Sebastião, no intuito de pôr fim às favelas. Graças a doações, edificou no Leblon um conjunto de prédios, para cujos apartamentos transferiu famílias de uma favela próxima. Não deu certo. Sem recursos para pagar os impostos (luz, água, telefone…), os moradores passaram a sublocar os domicílios e a obter renda graças à venda de torneiras, pias e outras peças do imóvel.

Para angariar recursos a suas obras, Dom Hélder não titubeava em comparecer a programas de auditório de grande audiência televisiva. Certa ocasião, foi convidado por um apresentador para sortear prendas expostas no palco e vistas por todos, exceto pela pessoa trancada numa cabine opaca. Calhou de ser um desempregado. “Seu Joaquim, o senhor troca isto por aquilo?” E sem nomear o objeto, Dom Hélder apontava um liquidificador e, em seguida, um carro. Seu Joaquim respondia “sim” e toda a plateia vibrava. Em seguida, Dom Hélder indagou se trocava o carro por um abridor de latas. O homem topou. E não mais arredou pé, cismou que escolhera a melhor prenda. Ao sair da cabine, recebeu dos patrocinadores, decepcionado, o abridor. E Dom Helder mereceu um polpudo cheque. O arcebispo não teve dúvidas: “Seu Joaquim, o senhor troca este cheque pelo abridor?” No dia seguinte, no Palácio São Joaquim, onde funcionava a cúria do Rio, Dom Hélder foi criticado por ter aberto mão de um recurso que poderia reforçar suas obras sociais. Ele justificou-se: “Perdi o cheque, ganhei em publicidade. Esperem para ver quanto dinheiro vou angariar.” http://www.freibetto.org/index.php/artigos/78-o-legado-de-dom-helder-camara

O senso de oportunidade de Don Hélder poderia ser seguido pelo empresariado de Petrolândia destinando um pouquinho do seu patrimônio para criação de uma Fundação de Educação Cultura e Esporte. Esperar pela boa vontade do Governo Federal e do Estado seria malhar em ferro frio. Os poderosos do sertão não permitiriam que recursos dessa natureza viessem para por estas bandas.

As três primeiras metas dessa fundação poderia ser: Criar uma Faculdade de Turismo, uma Pista de Atletismo e a implantação da estrutura adequada ao desenvolvimento do turismo e ecoturismo no Lago de Itaparica e reserva legal do projeto Icó mandantes. Ganhariam muito em publicidade com retorno financeiro garantido. 4% do imposto sobre o lucro líquido que pagam ao Leão seriam destinados a Fundação, além do dinheiro que seria facilmente angariado junto a órgãos nacionais e internacionais. O incremento no emprego e renda da população aqueceria de imediato o comércio local deixando o empresariado cada vez mais rico e com a consciência tranquila de terem contribuído decisivamente para o desenvolvimento econômico e social de Petrolândia.

PETROLÂNDIA, NÃO CONHECE PETROLÂNDIA

Petrolândia 10 de junho de 2010

Bahia do Sobrado - Icó Mandantes, Petrolândia Pernambuco

Bahia do Sobrado – Icó Mandantes, Petrolândia Pernambuco

Li esta semema a reportagem CAMINHO DAS PEDRAS, publicada pela revista “Turismo na Serra” Ano 6 número 3, página 06. apresentando entre outras coisas “Trilhas em Petrolândia”… Para mim foi apenas a confirmação de que Petrolândia não conhece Petrolândia. Isto, em parte, pode ser perdoado uma vez que a modernização ocorrida em nossa cidade nos últimos 20 anos se deu, através de um processo chamado por Darcy Ribeiro de atualização história: um processo que é sofrido, pois ele vem de uma vontade externa e não do crescimento endógeno. Foi o que ocorreu com a construção da Barragem de Itaparica. Assim como diz o prof. Severino Vicente “Todo processo de mudança promove novas adequações identitárias e, durante algum tempo, as populações que passam por tal processo sentem-se perdidas, pois parte de suas crenças e de suas vidas foram arrancadas, e por esta razão, vêem-se obrigadas a se redefinirem diante do mundo e de si mesmo”. Vinte e dois anos é muito tempo, mas pouco para mudança significativa na identidade cultural de um povo. Essa reportagem, nos dá a impressão de que o potencial turístico de Petrolândia resume-se ao que foi apresentado, quando na realidade, aqui está, provavelmente, o maior potencial turístico de todo Norte e Nordeste, no seguimento ecoturismo. O que há de mais bonito e encantador às margens do Lago e na Reserva Legal do Icó Mandantes não foi apresentado.