Quando setembro passar

Petrolândia 01 de setembro de 2015

Pau de Ema

Pau de Ema

Pau de Ema

Pau de Ema

“Setembro passou, Outubro e Novembro, Já estamos em Dezembro, Meu Deus que é de nós, Meu Deus, meu Deus, Assim fala o pobre, Do seco Nordeste, Com medo da peste, Da fome feroz”… (Luiz Gonzaga)

Setembro chegou trazendo com ele mais uma vez a transição da fase verde para fase a seca na região do semiárido Nordestino. Mais dois meses e tudo estará seco, esturricado, a menos que, como se repete há cinco anos, ocorra a chuva das flores no final de outubro e início de novembro.  Depois disso o nordestino “Apela pra Março, Que é o mês preferido, Do santo querido Senhor São José, Meu Deus, meu Deus, Mas nada de chuva, Tá tudo sem jeito, Lhe foge do peito O resto da fé, Ai, ai, ai, ai”. (Luiz Gonzaga).

A raiz da árvore, acima, saciava a fome do nordestino faminto nas grandes secas como a de 1932.

Vamos rezar para que este fenômeno não se repita no próximo ano, caso contrário a vida vai ficar difícil também para quem se dedica à Agricultura irrigada no Lago de Itaparica.

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A Seca Verde no semiárido Nordestino

 

A Moto e o Jumento

Petrolândia 15 de março de 2012 

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Eu andava, tranquilamente, fazendo mototerapia lá pras bandas do Sobrado, quando encontrei esses velhos companheiros de outrora ou como diz Luiz Gonzaga: nosso irmão. Companheiros de um tempo em que o tempo não contava. Um tempo em que a velocidade não tinha importância alguma. Um tempo em que todos, ao andar devagar, caminhavam ouvindo os sons da mata: o som das flores se abrindo, o som das catingueiras bebendo o orvalho da manhã. De repente um deles olha para mim, torce o rabo, liga as antenas, sintoniza na frequência do meu pensamento e dispara:
-Se não me faia a memória estou conhecendo vosmicê seu caba da peste. Vosmicê não é aquele que nos anos de mil e novecentos e antigamente eu carregava no lombo levando para a escola?
-Sim amigo sou eu mesmo.
-Vosmicê não tem vergonia? Mesmo depois de véio fez como os outros, me trocou pela moto? Lembra dos velhos tempos quando eu levava vosmicê no lombo tocando outros jumentos, carregados de melancia no caçuá, do Limão Bravo até a feira de Barreiras?

-Ora meu amigo, lembro de tudo isso. Mas naquela época nós saíamos daqui no sábado à tarde para chegar à feira de Barreiras no domingo bem cedinho. Quinze horas de viagem para ir e mais quinze para voltar. Hoje esse percurso nós fazemos de carro ou de moto em apenas 30 minutos.
-Siná dos tempos. Mas naquela época quando eu me espantava vosmicê às vezes caía, e foram muitas quedas, mas vosmicê nunca sofreu nada grave, mesmo quando tava chei de mé. Essa sua máquina fotográfica já registrou todas as capelinhas existentes na beira da estrada relembrando os que faleceram? Elas não relembram os jumentos que foram atropelados por motos ou carros. Relembram seus amigos que morreram em acidentes de moto. Só nos últimos anos vosmicê perdeu 8 amigos entre 15 e 25 anos de idade, aqui no Icó Mandantes. E toda semana pelo menos um é levado, todo arrebentado, de ambulância para os hospitais de Petrolândia, Caruaru ou Recife.
-É isso aí, sabe que eu nunca tinha pensado nisso? hoje não temos tempo nem para refletir sobre essas coisas.
-Tudo bem continue aí fazendo sua mototerapia, mas dê um recado a seus amigos humanos que de tão preocupados com a velocidade não perceberam que tornaram-se desumanos com a natureza e com nóis seus irmãos nos velhos tempos: Que lembrem, como Luiz Gonzaga, que nóis fumo o maior instrumento de desenvolvimento do Sertão. Ajudamos vosmicês na lida diária, que um dia ajudamos o Brasil a se desenvolver. Arrastamos lenha, madeira, pedra, cal, cimento, tijolo, telha. Fizemos açude, estrada de rodagem. Carregamos água pra casa de vosmicês. Fizemos a feira em cima de montaria. Que lembrem que já servimos até de transporte pra Nosso Senhor quando ele ia para o Egito. Não esqueça de dizer aos seus amigos desse tá de facebook pra botarem fotos das antigas feiras de Petrolândia e Barreiras. Aí vosmicês vão relembrar que só existia estacionamento pra cavalo, burro e jumento. Automove? Só os caminhões de seu Né de Tacaratu e Zé da Cruz de Petrolândia, que faziam as feiras de Tacaratu, Petrolândia, Floresta e Barreiras. Quanta diferença em?
-Vou dar o recado direitinho. Vocês ainda vão ser muito úteis por aqui. Tem muito turista por esse mundão afora querendo andar de jumento pelas trilhas da Reserva Legal do Projeto Icó Mandantes. Vou até sugerir que seja criado uma modalidade turística com o seguinte slogan: jumentoterapia nas trilhas do Projeto Icó Mandantes. 

As folhas caem: um espetáculo deslumbrante e inesquecível

Pau de Ema

Pau de Ema

Pau D’Arco ou Ipê Roxo

Pau D’Arco ou Ipê Roxo

Flor de Macambira

Flor de Macambira

Petrolândiaem 19 de setembro de 2010

Setembro, mês de transição da fase verde para a seca na região do semiárido no Lago de Itaparica. As folhas caem dando lugar as flores e logo em seguida aos frutos. Dentro de no máximo vinte dias toda a vegetação estará totalmente seca. Para quem curte a natureza é um espetáculo deslumbrante e inesquecível. As plantas adormecem aguardando as chuvas de março e em apenas oito dias tudo estará verde novamente. Quando estas chuvas não ocorrem vem a seca. É quando, parafraseando Humberto Teixeira, a lama vira pedra e o mandacaru seca, o ribação de sede bate asa e vai embora e em suas asas o nordestino arriba para os centros urbanos. Parece milagre: Pode passar dez anos de seca, sem chuva, mas aos primeiros pingos, em poucos dias tudo estará verde novamente. O arriba dos retirantes acontecia antes dá implantação da Barragem de Itaparica. Hoje a população nativa dedica-se a agricultura irrigada ou a criação de peixe no lago.

PETROLÂNDIA, NÃO CONHECE PETROLÂNDIA

Petrolândia 10 de junho de 2010

Bahia do Sobrado - Icó Mandantes, Petrolândia Pernambuco

Bahia do Sobrado – Icó Mandantes, Petrolândia Pernambuco

Li esta semema a reportagem CAMINHO DAS PEDRAS, publicada pela revista “Turismo na Serra” Ano 6 número 3, página 06. apresentando entre outras coisas “Trilhas em Petrolândia”… Para mim foi apenas a confirmação de que Petrolândia não conhece Petrolândia. Isto, em parte, pode ser perdoado uma vez que a modernização ocorrida em nossa cidade nos últimos 20 anos se deu, através de um processo chamado por Darcy Ribeiro de atualização história: um processo que é sofrido, pois ele vem de uma vontade externa e não do crescimento endógeno. Foi o que ocorreu com a construção da Barragem de Itaparica. Assim como diz o prof. Severino Vicente “Todo processo de mudança promove novas adequações identitárias e, durante algum tempo, as populações que passam por tal processo sentem-se perdidas, pois parte de suas crenças e de suas vidas foram arrancadas, e por esta razão, vêem-se obrigadas a se redefinirem diante do mundo e de si mesmo”. Vinte e dois anos é muito tempo, mas pouco para mudança significativa na identidade cultural de um povo. Essa reportagem, nos dá a impressão de que o potencial turístico de Petrolândia resume-se ao que foi apresentado, quando na realidade, aqui está, provavelmente, o maior potencial turístico de todo Norte e Nordeste, no seguimento ecoturismo. O que há de mais bonito e encantador às margens do Lago e na Reserva Legal do Icó Mandantes não foi apresentado.