PETROLÂNDIA EM TEMPO DE VACAS MAGRAS

Há cerca de 40 anos que Petrolândia não sabe o que é desemprego. Em 2013, a Terra de Pedro comemorava 104 anos de emancipação em tempo de vacas gordas e “em alto estilo”, do jeito que os políticos gostam e o seu povo também. Muita festa movida à bandas caríssimas. Foram dois dias de muito forró, muita cana e nada de cultura local: Forró Chicote, Rodolfo Melo, Capim com Mel, Geraldinho Lins e Garota Safada. Nas comemorações dos 105 anos, 2014, a dose foi Triplicada: Banda Calypso, Moleca 100 Vergonha e Victo e Léo. Recursos que poderiam ter sido poupados para os anos de vacas magras que estavam por vir caíram nas mãos de empresários de grandes bandas de outras paragens. Mas o que fazer se é disso que o povo gosta? Quatro anos após, 2017, o novo Gestor inicia o seu mandato em tempo das vacas magras e na comemoração dos 108 anos de emancipação a população teve que se contentar com Wilton Belo, Fulô de Mandacaru e Geninho Batalha. A gritaria foi geral.

Faço aqui uma pausa para comentar uma mensagem bíblica do livro Gêneses capítulo 41:

Um Faraó do antigo Egito teve dois sonhos: No primeiro viu sete vacas gordas. No segundo, sete vacas magras devorando as sete vacas gordas. Recorreu a um sábio que se encontrava na prisão: José, filho de Jacó, pedindo humildemente que decifrasse o seu sonho: Contou-lhe que tinha visto, no sonho, sete vacas magras devorando sete vacas gordas. José disse que as sete vacas gordas significavam sete anos de fartura e as sete vacas magras sete anos de escassez. José sugeriu ainda que o Faraó deveria passar os sete anos de fartura armazenando o excesso da produção para serem distribuídos nos sete anos de dificuldades. E assim, quando chegaram os sete anos de miséria o mundo todo padeceu, menos o Egito.

Voltando ao tema:

Petrolândia não teve apenas sete anos de vacas gordas, mas 35 anos. Desde meados dos anos 70 quando a CHESF se instala de mala e cuia na velha cidade preparando-se para a construção da Barragem. “Pesando todas estas vantagens CHESF” criou o escritório de Petrolândia sob a direção do engenheiro Dr. Sérgio, com uma boa equipe de funcionários de nível superior e médio, alguns recrutados na cidade, grande número de empregados para os serviços de construção da Barragem eram pessoas aqui residentes com reais vantagens para ambos os lados: para a cidade porque o desemprego ficou reduzido a quase zero… (Gilberto de Menezes, De Jatobá A Petrolândia – Três nomes uma cidade, um povo, 2014, p. 96)

Provavelmente faltou aos gestores que passaram pela prefeitura a sabedoria necessária para recorrer ao sistema educacional a fim de “armazenar”, qualitativamente, nas crianças o bem mais precioso que todo município deve proporcionar aos seus filhos: Conhecimento. Só educação de qualidade, poderia fazer com que os seus jovens adultos e adultos jovens descobrissem que moram numa cidade do tamanho do Brasil, do tamanho do mundo. O resultado dessa desastrosa falta de vontade politica caiu como uma bomba relógio nas mãos do atual gestor que, em função de sua formação humanista, sem qualquer experiência política e não acostumado com vícios nada republicanos, foi escolhido como única tábua de salvação do grupo político que estava e está no poder há 16 anos.

Seis meses é muito pouco pra fazermos uma avaliação justa pra quem ainda tem três anos e meio pela frente.

ORLA DE PETROLÂNDIA – COMO NUM PASSE DE MÁGICA: TUDO LIMPO

Parafraseando John F. Kennedy: “Não pergunte o que Petrolândia pode fazer por você, pergunte o que você pode fazer por Petrolândia!”.

O mutirão realizado hoje por moradores e funcionários da Prefeitura a Pedido do Prefeito Ricardo Rodolfo para limpeza da Orla Fluvial de Petrolândia, tem um poder simbólico no imaginário social e cultural dos Petrolandenses que vai muito além da nossa real compreensão.

Eu entendo as razões que levam muitos jovens da nossa cidade pós-barragem de Itaparica não perceberem a importância que tem este gesto. Afinal, a maior parte de nossas raízes culturais repousa adormecida sob as águas do Velho Chico. Petrolândia deu início, hoje, ao resgate desse passado pobre, difícil, mas construído com muito orgulho. A história de Petrúcio Amorim explicitada na sua música Tareco e Mariola é também a história do povo de Petrolândia.

“Cartas na mesa,

bom jogador conhece o jogo pela regra,

não sabes tu que já tirei leite de pedra,

só pra te ver sorrir pra mim não chorar.

Você foi longe,

me machucando provocou a minha ira,

só que eu nasci entre o velame e a macambira,

quem é você pra derramar meu munguzá”

USO DE DROGAS NA ESCOLA ICÓ MANDANTES – DEMONSTRAÇÃO DE DISCRIMINAÇÃO E INTOLERÂNCIA COM A ÁREA RURAL

Santo Agostinho, um dos maiores filósofos da era do Cristianismo, escreveu: “Dois homens olharam através das grades da prisão; um viu a lama, o outro as estrelas”. O que ele diz nesse pensamento é que a maneira de perceber a realidade depende da visão de mundo de cada pessoa.

Quando eu vi, no whatsApp, vídeos de alunos adolescentes da Escola Icó Mandantes apresentando o motorista Fabrício usando o procedimento correto para consertar o ônibus que os transportava, percebi apenas jovens ao mesmo tempo em que protestavam se divertiam de forma democrática e espontânea, comportamento esse tão natural e característico dessa fase da vida. “…um jovem que não protesta não me agrada. Porque o jovem tem a ilusão da utopia, e a utopia não é sempre ruim. A utopia é respirar e olhar adiante. O jovem é mais espontâneo, não tem tanta experiência de vida, é verdade. Mas às vezes a experiência nos freia. E ele tem mais energia para defender suas ideias. O jovem é essencialmente um inconformista. E isso é muito lindo! É preciso ouvir os jovens, dar-lhes lugares para se expressar, e cuidar para que não sejam manipulados. Porque há tanta exploração de pessoas, trabalho escravo, há tantos tipos de exploração… Eu me atreveria a dizer uma coisa, sem ofender. Há pessoas que buscam a exploração de jovens. Manipulando essa ilusão, esse inconformismo que existe. E depois arruínam a vida dos jovens. Portanto, cuidado com a manipulação dos jovens. Temos sempre que ouvi-los. Cuidado. Uma mãe, um pai, um filho que não escutam o filho jovem o isolam e geram tristeza em sua alma.” (Papa Francisco)

Outros perceberam o caos, e em vez de aproveitar o momento para educá-los, reeducá-los acharam o momento oportuno para fazer proselitismo político e ao mesmo tempo divulgar na mídia o preconceito latente que têm contra os que moram na zona rural. Aproveitaram-se da espontaneidade sertaneja de um funcionário sério, dedicado e que da a vida em todo trabalho que faz, José Alberto (Pinguin), para usá-lo como bode expiatório provavelmente com a finalidade de alcançarem objetivos inconfessáveis. É lamentável. Se alguém pensa que carro, novo ou velho não quebra, que em ônibus escolar só andam alunos “santos”, que em escola não se usa drogas nunca foi educador, nunca conviveu com criança e adolescente.

O uso de drogas existe em todas as escolas, públicas ou privadas, ricas ou pobres. Não escolhe raça, cor, nível social. Ela não diz como e quando chega. Mas é uma questão que deve ser tratada internamente, não como caso de polícia, não para punir e não cabe à escola na sua prerrogativa da autonomia de educar para a vida divulgar publicamente quem usa e quem não usa.

“O consumo de drogas vem se expandindo mundialmente e constitui, hoje, uma ameaça à estabilidade das estruturas e valores econômicos, políticos, sociais e culturais das nações. O abuso de drogas entre jovens tem sido uma das questões que mais afligem a sociedade contemporânea.

………

A atuação dos professores é fundamental na educação preventiva, ajudando os alunos a constituírem um sistema de valores pessoal que lhes animem a adotar um estilo de vida, em que o abuso de drogas não encontre ressonância”. (http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-85572006000200018&script=sci_arttext)

Espero que os vereadores que convocaram o funcionário para dar explicações sobre o suposto caos existente usem o bom senso. Problemas específicos que afetam a vida atual e futura de crianças e adolescentes no que se refere a comportamento de qualquer natureza devem ser tratados, por educadores e psicólogos juntamente com os pais que são os mais interessados.

Não há como não concordar com Rui Barbosa:

“Tenho vergonha da minha impotência, da minha falta de garra, das minhas desilusões e do meu cansaço.

 

Não tenho para onde ir

pois amo este meu chão,

vibro ao ouvir meu Hino

e jamais usei a minha Bandeira

para enxugar o meu suor

ou enrolar meu corpo

na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

 

Ao lado da vergonha de mim,

tenho tanta pena de ti,

povo brasileiro

 

De tanto ver triunfar as nulidades,

de tanto ver prosperar a desonra,

de tanto ver crescer a injustiça,

de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,

o homem chega a desanimar da virtude,

a rir-se da honra,

a ter vergonha de ser honesto”.

Desfile de 7 de setembro em Petrolândia 2015 – Rio São Francisco, responsabilidade de todos

Eu poderia fazer uma análise da multidão que tomou conta da orla de Petrolândia nesta manhã de sol deste 7 de setembro para prestigiar o desfile de crianças e adolescentes das escolas municipais. Se fizesse isto estaria fugindo do verdadeiro significado do evento, o civismo, principalmente quando lidamos com crianças em formação da sua personalidade.

Em 7 de setembro de 1882 o Brasil tornava-se independente da Coroa Portuguesa. Com o grito da independência de D. Pedro II o Brasil passa a ser politicamente e economicamente independente de Portugal após 300 anos de dependência.

Mas civismo não significa apenas demonstrar amor pela Pátria, pelo Estado e a Cidade em que nascemos. Vai muito além: Significa também demonstrar atitudes e valores que preservem o meio ambiente, atitudes e valores no sentido de melhorar o bem estar de todos. E para isso, o tema do desfile não poderia ser melhor. As apresentações de cada escola, mesclados com o grupo da terceira idade liderado por Dona Bezinha, Guarda municipal, Polícia Militar, Exercito, Corpo de Bombeiros, acompanharão para sempre o imaginário dos principais protagonistas dessa festa cívica: Os alunos. Parabéns aos professores e gestores e pessoal administrativo de cada escola pelo compromisso demonstrado. Parabéns a todos os organizadores.

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DSC01526_PalanquePara ver todas as fotos clique aqui

CABEÇA VAZIA É OFICINA DO DIABO (Entendendo o discurso do Vereador Eudes)

Petrolândia 05 de maio de 2015

O objetivo desta matéria é tentar entender ou fazer entender o significado do termo “cabeça vazia” utilizado pelo Vereador Eudes Fonseca na sessão plenária na câmara de vereadores de Petrolândia realizada em 29/04/2015: “…uma indicação na qual eu solicitei ao gestor municipal a abertura de uma casa da juventude para o projeto Icó Mandantes na qual como justificativa lá nós temos vários jovens, alguns talvez com a cabeça um pouco vazia e outros talvez por falta de oportunidade … para dar assistência ao jovens para que eles possam desenvolver suas práticas e desempenhar alguma atividade ligada ao agronegócio…” (Extraído do áudio publicado no Petrolândia notícias) 

O titulo desta matéria é um provérbio e como tal facilmente reconhecível e memorizado embora na concepção popular assuma vários significados que são interpretados de acordo com a situação social, emocional de quem emite e de quem ouve. Cabeça vazia significa, no entendimento mais usual, pessoas desocupadas, sem trabalho, sem metas a seguir. Se foi isto que o Nobre Vereador Eudes quis dizer eu diria que no Icó Mandantes não tem apenas alguns de cabeças vazias, tem centenas, e nos próximos dez anos serão milhares. Na primeira década do reassentamento existiam no Icó Mandantes alguns jovens de cabeça vazia e o diabo soube como aproveitar para nelas construir a sua oficina. Entenda aqui: (O Projeto Icó Mandantes de Petrolândia Pernambuco ontem hoje e amanhã) Não será, agora, que uma Casa da Juventude idealizada e construída para alguns, sem comunicação e ou interligação com todo o sistema que fomenta as políticas públicas do nosso município que vai resolver o problema. Quem vem produzindo essas cabeças vazias é o sistema de ensino que nos últimos anos está abaixo dos limites aceitáveis para uma região que produz riqueza e uma população de mais de sete mil habitantes.

Em fim não adianta inventar a roda. Melhor lê o que Graciliano Ramos escreveu há em 1936, portanto há 79 anos: ANGÚSTIA, o romance mais rico em todos os sentidos que ele escreveu. Sugiro aos professores do ensino médio especialmente do Icó Mandantes que distribuam com seus alunos o texto abaixo e peçam que eles respondam as seguintes perguntas:

1-Existe diferença entre a situação politica e social identificada por Graciliano Ramos há 79 anos?
2-Por quê Marina era considerada uma pessoa de cabeça vazia?

PESADELO QUE NÃO ACABA

“Um crime, uma ação boa dá tudo no mesmo. Afinal já nem sabemos o que é bom e o que é ruim, tão embotados vivemos”, pensa Luís da Silva, narrador de Angústia, modesto funcionário público. Se vivesse hoje, mais de 60 anos depois, sua situação seria a mesma ou pior. De lá para cá, alguns indicadores sociais melhoraram, mas outros vícios, como a corrupção e a falência dos costumes, agravaram-se.

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Robert H. Heilman observa, a propósito da Tess de Hardy: “Nossos egos estão ligados às nossas idéias; querem que os fatos se ajustem às idéias, do contrário nos ofendemos e tendemos, se tivermos poder para tanto, a nos tornar punitivos”. Pois bem: a punição, em primeira etapa, vai para Luís da Silva, e este se humilha mais para sofrer mais, para purgar. Depois, com o aparecimento de Marina, os fados oferecem-lhe breve trégua. No seu romance de fundo de quintal com Marina – quintais cheios de lixo e plantações mesquinhas, onde um homem carrancudo e uma mulher triste trabalham com pipas e dornas -, Luís tem a impressão de descobrir o amor, quando está atraído pelo erotismo e Marina anseia apenas em sair da pobreza absoluta. De qualquer modo, é a felicidade: ele está relativamente tranqüilo, tem uns três contos de réis de economias, deseja casar-se. A idéia de casamento precipita a tragédia pessoal banhada pela tragédia social. Moça estouvada, de cabeça vazia, pensando em ostentações, Marina consome num ápice as suadas economias de Luís no enxoval e, em pleno “noivado”, aceita a corte de um estranho, Julião Tavares, um parasita de discurso empolado e arrogância pavonácea. Tavares é o resumo de tudo quanto oprime Luís: dinheiro fácil, berço de ouro, prestígio social, mediocridade intelectual, poder de corromper e safar-se ileso. Gordo, cínico e esperto, Julião Tavares invade a casa de Luís, seduz Marina e distancia-se quando ela ostenta sinais de gravidez. A família submete-se: nenhuma queixa, apenas resmungos. Os humildes aprendem a vergar a espinha sob o peso dos opressores. O sedutor lança-se à conquista fácil de outras meninas pobres.

Mas o narrador de Angústia, espezinhado, traumatizado, esbulhado pela vida – este reage. É que o sofrimento atinge o ponto da exasperação, ele tem as comportas cheias de água estagnada. A fúria que antes o devastava se dirige ao opressor. Ele não tem, como Moisés, coragem de pichar muros, de distribuir “folhetos incendiários”. Mas o Presidente dos Imortais lhe põe nas mãos o instrumento da vingança – uma corda. A essa altura o monólogo de Luís da Silva – o fluxo “objetivo” do inconsciente, ou seja, a linguagem da ação – se transforma em delírio. Imagens se atropelam: o cano de água é uma corda, a gravata enrola-se como corda, a cobra em volta do pescoço de Trajano é corda viva. O narrador vê-se compelido a matar Julião Tavares após a verificação de que Marina, grávida, procura parteira clandestina. No capítulo final as referências ao passado se aglomeram. É um entrechoque de lembranças. As imagens trágicas do meio rural e da vida urbana de Luís se juntam para entoar o coro da tragédia. Início e fim do romance se fecham quais pontas de um leque. Angústia é um pesadelo contínuo. O narrador pergunta: “Haverá dentro de 20 anos criaturas assim que, tendo corrido mundo, se resignam a viver num fundo de quintal, olhando canteiros murchos, respirando podridões, desejando um pedaço de carne viciada?” Sim, e em condições ainda piores. (Texto extraído do Portal São Francisco) 

EM PETROLÂNDIA: INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO CIÊNCIA E TECNOLOGIA – Ponto de presença

Petrolândia 20 de novembro de 2014

Ensina a sabedoria popular do lavrador que para se colher bons frutos, e a ciência moderna confirma, dois pré-requisitos devem ser cumpridos: Primeiro é necessário preparar bem o terreno; Segundo escolher uma boa semente.

Petrolândia cumpriu de forma impecável estes dois requisitos. Preparou bem o terreno transformando a Escola Agropecuária, em Centro de Referência e escolheu uma semente fértil, pública federal, gratuita e de qualidade. Uma semente fecunda que produz conhecimento e transforma-o em tecnologia de ponta a serviço da juventude, sobretudo dos mais necessitados: O INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO DO SERTÃO DE PERNAMBUCO. Um sonho sonhado por Francisco Simões de Lima, então Prefeito de Petrolândia, quando construiu a Escola Agropecuária que no momento se torna realidade segundo o seu Filho Prefeito Lourival Simões. Não devemos, porém, esperar neste terreno, que os bons frutos sejam colhidos de imediato. Em educação o retorno só se percebe em longo prazo. É como diz Augusto Cury: “Educar é semear com sabedoria e colher com paciência”.

A semente aqui em Petrolândia foi plantada. Agora é regar com a água que jorra da fonte da sabedoria e cultivar com as ferramentas da humildade, perseverança, tolerância, determinação e vontade política, que os frutos, no tempo certo, começarão a surgir naturalmente.

O que aqui hoje se plantou com certeza produzirá jovens talentosos e qualificados para ingressar nesse mercado cada vez mais competitivo do mundo do trabalho.

Como petrolandense e Professor aposentado da Universidade Federal de Pernambuco, na área de educação, coloco o meu humilde conhecimento e experiência adquiridos em 33 anos de magistério a disposição dos que gerenciam este educandário.

PROJETO BRINCANDO COM O FOLCLORE

Petrolândia 26 de agosto de 2014


Estive no dia 21 de agosto de 2014 na ESCOLA MUNICIPAL ÂNGELA MARIA FERRAZ DE SÁ para vivenciar junto com pais, mestres e alunos o dia do folclore. Criatividade e compromisso de todos que fazem esse espaço educacional foi o que constatei. A primeira infância uniu-se a terceira idade proporcionando um espetáculo deslumbrante.

Parabéns a todos. Minha princesinha Júlia agradece.

Educação no Brasil: Mais uma vez no rabo da gata

Paulo Campos

Petrolândia 04 de abril de 2014

Desculpem a expressão, mas ela é adequada para um país que não consegue sair dos últimos lugares quando submetido à avaliação comparativa com outros países. Ficou em 38º lugar num total de 44 países avaliados pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa).

Delimitando o tema à educação no nosso município, eu envio a seguinte mensagem aos Professores e Gestores escolares do Ensino Médio de Petrolândia: “O papagaio come o milho, o periquito leva a fama”. São vocês que levam a culpa, mas o buraco é mais embaixo. Os alunos que chegam pra vocês oriundos da Educação Infantil e Fundamental não gostam de Estudar, não gostam de Escola, não gostam de Professor. Este desinteresse, esta apatia eles começaram a aprender na Educação Infantil. Isto não acontece por falta de infraestrutura, por falta de material didático, por falta de capacitação dos professores. É o resultado de falta de gestão adequada a nível de sistema. O material didático que o MEC vem distribuindo desde 2010 para o Ensino Fundamental e Médio é de excelente qualidade e com material de apoio ao professor de fazer inveja as melhores escolas particulares do país. Veja neste link o Material que foi enviado para a Educação Infantil nas Escolas do Icó Mandantes desde o ano passado: Em muitos municípios eles se perdem no meio do caminho e quando chegam à escola os professores não recebem o mínimo de apoio logístico e pedagógico adequado. De quebra ainda existe no pacote a “Coleção Família&Escola” que deve ser distribuída aos pais dos alunos em reuniões com palestras específicas. Eu pergunto: Algum pai de aluno recebeu isso algum dia?

O modelo de Gestão empregado nas Escolas Municipais do Icó Mandantes foi criado para infernizar a vida dos professores. Nem a Padroeira das causas impossíveis Santa Rita de Cássia consegue resolver o problema. A folha de pagamento dos professores da Prefeitura de Petrolândia é suficiente para emplacar nossa cidade entre as melhores do país desde que o gerenciamento do sistema seja concebido para educar e não para angariar votos a cada dois anos. Até quando?

E ainda tem gente que pergunta: Que cidade é essa? Que país é esse? Eu respondo parafraseando Zé da Luz: É uma cidade diferente do Brasi das capitá. É mais uma cidade deste Brasi brasilêro, sem mistura de instrangero, um Brasi nacioná.

Mas é também uma cidade que tem, para os “ricos” Catamarã, campeonato de Jet ski, e logo logo o Pier da Prainha.

Não se enganem: Sem educação de qualidade para as nossas crianças tudo não passará de ilusão passageira que conduzirá a juventude ao consumismo irracional e ao chegarem à adolescência decepcionados e descrentes da vida, vendo seus sonhos de criança desfeitos, encontrarão como porta de saída para satisfazer as suas ansiedades o consumo de drogas.

Prêmio Arte Livre para o Icó Mandantes Petrolândia PE

Valdiran Caitano de Morais Júnior

Valdiran Caitano de Morais Júnior

Petrolândia 02 de novembro de 2013

E agora Valdiran Caitano de Morais Júnior ou simplesmente, Júnior, para onde vamos? “A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca…” (Paulo Freire).

Tive a grata satisfação de estar a seu lado no mesmo dia em que, oficiosamente, você soube através da Gestora Ivone da sua premiação no Concurso Arte livre promovido pelo Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente – CEDCA/PE. Tema: “A proteção de crianças e adolescentes nos grandes eventos”

artelivre08A sua mãe ficou sem acreditar. Queria ver em que relação constava o seu nome. Nada demais. Emoção de mãe coruja. Em poucos minutos de bate papo percebi que o prêmio conquistado não foi por acaso.

– Que desenho você fez?
– O desenho de um cavalo, um vaqueiro e pessoas.
– Porque escolheu este desenho?
artelivre07– Eu tinha ido a uma vaquejada na semana anterior.

A questão agora, Júnior, é saber como administrar a força do simbolismo que este merecido prêmio representa para a sua vida futura e das demais crianças não apenas da Escola Municipal Canafístula, mas de todas que fazem a comunidade Icó mandantes. “…E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria.” (Paulo Freire)

Como usar o notebook recebido como prêmio sem acesso à internet? Você não acha que todos deveriam ter acesso a net gratuitamente? As grandes empresas faturam bilhões e bilhões com propaganda. Por quê elas em parceria com o poder público não bancam a internet para os pobres?

artelivre05Não pare de sonhar. Lembre-se sempre que o mesmo poder que tem um balanço sofisticado no parque infantil do Colégio Santa Maria em Recife, para o desenvolvimento intelectual de uma criança, tem um balanço com pneu de carro dependurado com cordas em um umbuzeiro aqui nas escolas do Icó Mandantes. Nunca esqueça que o mesmo poder de estímulo à aprendizagem que tem uma cadeira escolar nova tem uma cadeira escolar velha desde que adequada à idade da criança e conduzida por quem tem compromisso com a educação. O mobiliário para uma criança da educação infantil não pode ser o mesmo para uma criança do ensino fundamental. Assim, estando adequada a idade tanto faz o mobiliário escolar construído nas melhores fábricas do país como aquelas que eram construídas com muito amor e carinho pelo nosso querido marceneiro Chiquinho Amorim da Agrovila 03.

Emfim, tudo se resume a uma questão de compromisso. Compromisso de todos que fazem a educação. Sem gestão e apoio logístico integrado tudo poderá passar de mera fantasia momentânea.

Minhas desculpas aos professores e gestores se o meu elogio foi apenas para o aluno. Se não o fiz é porque acho que vocês apenas cumpriram com o seus deveres de educador. Se assim o fizesse estaria aceitando como normal as atividades daqueles que não têm compromisso com seus alunos. A maior glória para um educador é ver o seu discípulo superá-lo.
Fotos: Divulgação facebook 

Professores: Sonhar é Preciso

Paulo Campos

Paulo Campos

Hoje, 15/10/2013, dia Professor, bateu forte a saudade do passado. Saudade dos alunos que me suportaram durante 32 anos de magistério, dos colegas que durante todos estes anos lutamos lado a lado para valorizar esta profissão cada vez mais difícil num país onde só tem vez político corrupto. E pra completar, quanto mais corruto mais a sociedade valoriza. Saudade de meus professores de outrora da adolescência em Floresta e da minha infância no Icó, Petrolândia. Penso, hoje, com a experiência dos meus 66 anos de idade que “A infância que já não existe presentemente, existe no passado que já não é ainda” (Santo Agostinho).

De repente viajei de volta ao passado. Embarquei na nave do tempo começando pela minha infância até chegar aos dias atuais. Descobrir com alegria que continuo a sonhar como antigamente. Nesse turismo comandado pela lembrança passei pela UFBA-CETEBA em 1972 e lembrei-me do professor de Desenho Técnico do Curso de Ciências Agrícolas que ali cursava. Este professor era um artista (pintor) famoso em Salvador. Nas suas aulas, 90% do tempo, ele dedicava-se a falar de suas experiências, dos seus sonhos e nos orientar sobre os caminhos que deveríamos seguir. Quando a aula terminava todos os colegas comentavam: “Que professor enrolão”. Nós tínhamos que aceitar tudo calado, pois era auge da Ditadura Militar. Para amenizar era auge, também, do movimento Jovem Guarda. A verdade é que quando nos deparamos com a prática na vida real foi que descobrimos que este foi o professor que mais contribuiu para a nossa vida futura. Ele nos ensinava a sonhar, a viver. Ele nos ensinou que o homem não envelhece apenas pela passagem de anos. “Envelhece no momento em que perde os ideais” (Samuel Ullman). Para comprovar o que descobrir nesta viagem transcrevo um texto que um colega enviou para mim sobre uma seleção realizada pela Volkswagen. Que sirva de reflexão para que vocês, colegas de hoje, continuem sonhando e ensinando os outros a sonhar.

Num processo de seleção da Volkswagen, os candidatos deveriam responder a seguinte pergunta: “Você tem experiência?” A redação abaixo foi desenvolvida por um dos candidatos:

“Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar, já me queimei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto, já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo. Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista. Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora. Já passei trote por telefone. Já tomei banho de chuva e acabei me viciando. Já roubei beijo. Já confundi sentimentos. Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido. Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro, já me cortei fazendo a barba apressado, já chorei ouvindo música no ônibus. Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer. Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas, já subi em árvore pra roubar fruta, já caí da escada de bunda. Já fiz juras eternas, já escrevi no muro da escola, já chorei sentado no chão do banheiro, já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante. Já corri pra não deixar alguém chorando, já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só. Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado, já me joguei na piscina sem vontade de voltar, já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios, já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar. Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso, já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial. Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar. Já apostei em correr descalço na rua, já gritei de felicidade, já roubei rosas num enorme jardim. Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um “para sempre” pela metade. Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol, já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão. Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração. E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: “Qual sua experiência?”. Essa pergunta ecoa no meu cérebro: Experiência… Experiência… Será que ser “plantador de sorrisos” é uma boa experiência? Não! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos! Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta: Experiência? Quem a tem, se a todo o momento tudo se renova?”

Até a próxima, quando a nave do tempo aterrissar em outras paragens do meu passado

OBS: Este foi o candidato selecionado pela Volkswagen
Esta crônica é uma adaptação de um texto que postei no facebook no dia do meu aniversário em 25/01/2012.

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