Presidente Dilma entrega a segunda estação de bombeamento EBV II da Transposição do Rio São Francisco. E o caos no Sistema Itaparica como fica?

CanalAproxTranspE agora Presidente Dilma, como fica o Sistema Itaparica? Disseram a V. Exa. que a água que está sendo bombeada para a transposição do eixo Leste está prejudicando os produtores rurais do Icó Mandantes?

E agora Polo Sindical e Sindicatos associados: O que vocês disseram a Presidente sobre o que estão fazendo para que possamos continuar trabalhando honestamente e produzindo alimentos para o mundo? Disseram o que vocês fizeram para que cada reassentado receba os 21 hectares de área de cerqueiro a que têm direito? Disseram também o que vocês fizeram para que os reassentados recebam o título de posse de suas casas e lotes irrigados? Antes do governo do PT eu sei que fizeram muito.  E nos últimos 13 anos?

E agora senhores deputados e senadores que vivem a garimpar votos nos momentos das eleições: Pediram para a Presidente olhar para o Projeto Icó Mandantes? Conseguiram aprovar alguma emenda ou projeto que garanta a sustentabilidade do Sistema de Irrigação do Sistema Itaparica a exemplo do que fizeram para garantir 30 milhões para as bombas flutuantes para o Projeto Nilo Coelho em Petrolina? Projeto esse que foi concluído em apenas 90 dias?

E agora Produtores Rurais, conseguiram chegar perto da Presidenta para dizer que o nosso projeto está morrendo por falta de recursos devidos e prometidos pelo governo Federal? Conseguiram dizer a ela e aos políticos que os servidores que prestam serviços para a PLENA, (empresa terceirizada pela CODEVASF) para gerir o sistema de Irrigação dos projetos Icó Mandantes, Apolônio Sales, Barreira e Manga de baixo estão todos de aviso prévio? Conseguiram dizer a ela que, se até o próximo dia 15 de janeiro, a CODEVASF não pagar a conta da CELPE, esta cortará novamente a energia dos sistemas de bombeamento?

O canal de aproximação para a primeira estação de bombeamento da transposição do eixo leste (ver foto acima) inicia a menos de 500 metros da margem do lago onde está o Projeto Icó Mandantes. Corre paralelo ao início de quatro canais de aproximação dos sistemas de bombeamento do Projeto Icó Mandantes Bloco 4 (EB2, EB3, EB4 e EB5). Para a Transposição não está faltando nem recursos e nem água. Para os reassentados faltam os dois.

O projeto Icó Mandantes caminha a passos largos para o buraco que o levará ao fundo do poço. Não podemos, porém,  menosprezar os políticos, o sindicato e o polo sindical. Mas até agora, nada foi feito por eles que garanta a autosustentabilidade do Projeto. Continuamos reféns do voto de cabresto inclusive do sindicato e polo sindical que, no momento, são cabos eleitorais do governo federal. O mesmo governo federal que deixa que falte recursos até para pagar a conta de energia para consumo humano. Prefiro acreditar que a Presidenta Dilma não saiba disso.  Não podemos viver sem eles, políticos e sindicatos. Mas enquanto não tivermos organizados e unidos o suficiente para demonstrar que são eles que precisam de nós, chegaremos mais rápido do que se pensa ao fundo do poço e as consequências sociais serão desastrosas.  Será que nele caberá 8.000 habitantes? O que farão 2.500 jovens do Projeto Icó Mandantes na idade produtiva sem qualquer esperança de futuro?

Leia também:

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Suicídio e homicídio: o preço do progresso

Operária morre envenenada no Icó Mandantes

O Projeto Icó Mandantes de Petrolândia Pernambuco ontem hoje e amanhã

O Discurso proferido por Rui Barbosa no Senado Federal em 17/12/1914 é de uma atualidade impressionante:

“Sinto vergonha de mim por ter sido educador de parte desse povo, por ter batalhado sempre pela justiça, por compactuar com a honestidade, por primar pela verdade e por ver este povo já chamado varonil enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim por ter feito parte de uma era que lutou pela democracia, pela liberdade de ser e ter que entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente, a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez no julgamento da verdade, a negligência com a família, célula-mater da sociedade, a demasiada preocupação com o ‘eu’ feliz a qualquer custo, buscando a tal ‘felicidade’ em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir, sem despejar meu verbo, a tantas desculpas ditadas pelo orgulho e vaidade, a tanta falta de humildade para reconhecer um erro cometido, a tantos ‘floreios’ para justificar atos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição de sempre ‘contestar’, voltar atrás e mudar o futuro. Tenho vergonha de mim, pois faço parte de um povo que não reconheço, enveredando por caminhos que não quero percorrer…

Tenho vergonha da minha impotência, da minha falta de garra, das minhas desilusões e do meu cansaço. Não tenho para onde ir, pois amo este meu chão, vibro ao ouvir meu Hino e jamais usei a minha Bandeira para enxugar o meu suor ou enrolar meu corpo na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti, povo brasileiro!

De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”

OPERÁRIA MORRE ENVENENADA NO ICÓ MANDANTES

Lamentável. Logo que tombou, seus companheiros e companheiras nativos começaram a saquear os alimentos que ela levava para casa, enquanto outros cantavam, alegremente, sem perceber o que estava acontecendo. Ela morava numa comunidade extremamente organizada, talvez a mais social e mais estável de todas as comunidades. Ela saía todos os dias para trabalhar às cinco horas da manhã e voltava, no máximo, às 10 horas quando o sol, implacável, informava que ela deveria voltar à sua casa. Às 15:00 horas saía novamente para trabalhar. Percorria diariamente até 1,5 quilômetros para realizar o seu trabalho e quando voltava trazia alimentos para os que ficavam em casa. Era responsável pela manutenção da biodiversidade e altas taxas de produtividade da agricultura irrigada no nosso Município. Nunca cobrou nada pelo seu trabalho. É provável que hoje ela tenha trabalhado em uma plantação contaminada por agrotóxico.

O Projeto Jovem Empreendedor da agroindústria familiar, promovido pelo INSTITUTO AFIM, vem lutando com paciência e persistência para tornar a nossa agricultura familiar autossustentável. Em futuro não distante nossos produtores perceberão que não precisarão usar produtos que destroem a nossa biodiversidade e que causam tantas doenças ao ser humano (defeitos de nascença, câncer, etc). Nossos jovens empreendedores do Icó Mandantes de hoje perceberão que a goiaba, o tomate, a melancia e tantas outras frutas que produzimos não precisam ser bonitas e nem tão pouco ter valor de mercado quando destinadas à produção de doces e compotas.

OBS: São chamadas de OPERÁRIAS as abelhas que saem da colmeia em busca de alimentos, o néctar das flores. Chegam a carregar um volume maior que o seu peso corporal.

A vaquinha do Icó Mandantes ou do Sistema Itaparica?

A maior crise hídrica dos últimos 80 anos, no Rio São Francisco, reduziu a produção agrícola? A resposta é não, com exceção da região onde estão os perímetros irrigados da Barragem de Itaparica. No Projeto Icó Mandantes a área irrigada está reduzida a metade. Neste projeto há bem pouco tempo produzia, só de melancia, 300 toneladas por dia. Hoje a produção diária não chega a 20 toneladas. A culpa é da crise hídrica? Não. Falta água, no lago, para irrigação? Não. A água não chega em quantidade suficiente na área irrigada porque os canais de aproximação estão obstruídos por vegetação. No momento estão sendo desobstruídos, mas em breve tudo voltará ao mesmo. Onde está o problema? Na vaquinha que produz o leite necessário à sobrevivência dos produtores. Aqui o insumo necessário à produção agrícola e ao consumo humano é gratuito: A água. A quem interessa que esta vaquinha continue em ação? A quase todos: Ao polo sindical que é o pai do projeto e não quer que os seus filhos criem asas. Interessa a maioria dos produtores, que por questões de ordem sócio cultural, não querem se tornar independentes do leite da vaquinha. Interessa a CODEVASF que opera um sistema de irrigação para produtores rurais que por diversas razões não têm como cobrar que os serviços por ela prestados sejam executados de acordo com os recursos financeiros que ela tem recebido ao longo dos anos. E não foram poucos. Os técnicos da CODEVASF não conseguem fazer o que deveria numa empresa aparelhada pela politicagem.

Se no próximo ano não chover o suficiente em toda extensão do Rio São Francisco o Lago de Itaparica chegará ao volume morto. O prejuízo para a economia de Petrolândia será incalculável além do que já tem causado até o momento com a redução da produção. Não haverá nem royalties e nem ICMS provenientes da Usina Luiz Gonzaga.

Os produtores, de perímetros irrigados que não dependem do leite da vaquinha saberão encontrar o caminho para continuar produzindo. Os que dependem da vaquinha como sobreviverão? Será que por aqui passará algum mestre da sabedoria e mandará seu discípulo jogar a vaquinha no precipício?

Para mais informações sobre os problemas gerados pela vaquinha leia as matérias abaixo:

SUICÍDIO E HOMICÍDIO: O PREÇO DO PROGRESSO

PROJETO ICÓ MANDANTES: SAI A HIDROSONDAS ENTRA A PLENA

PROJETO ICÓ MANDANTES ENSINA A CULTIVAR NO DESERTO DOS CAMPINHOS

O PROJETO ICÓ MANDANTES DE PETROLÂNDIA PERNAMBUCO ONTEM HOJE E AMANHÃ

ÓRFÃOS DA BARRAGEM DE ITAPARICA

CENTRO DE MONITORAMENTO DO SISTEMA DE IRRIGAÇÃO DO PROJETO ICÓ MANDANTES

TCU VERIFICA INDÍCIOS DE IRREGULARIDAS EM OBRAS DE REASSENTAMENTO DE ITAPARICA

PRODUTORES RURAIS DO ICÓ-MANDANTES OCUPAM E ASSUMEM COMANDO DAS ESTAÇÕES DE BOMBEAMENTO

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A FÁBULA DA VAQUINHA

Um mestre da sabedoria passeava por uma floresta com seu fiel discípulo, quando avistou ao longe um sítio de aparência pobre e resolveu fazer  uma breve visita… Durante o percurso ele falou ao aprendiz sobre a importância das  visitas e as oportunidades de aprendizado que temos,   também com as pessoas que mal conhecemos.

Chegando ao sítio, constatou  a pobreza do lugar: sem calçamento,  casa  de  madeira,  os  moradores,  um   casal e três filhos, vestidos com  roupas  rasgadas e sujas… Então se aproximou do senhor, aparentemente o pai daquela família, e perguntou: “Neste lugar não há sinais de pontos de comércio e de trabalho. Como o senhor e a sua família sobrevivem aqui?” E o senhor calmamente respondeu: “Meu amigo, nós temos uma vaquinha que nos dá vários litros de leite todos os dias. Uma parte desse produto nós  vendemos  ou trocamos na cidade vizinha por outros gêneros alimentícios e  a  outra  parte  nós  produzimos queijo e coalhada para o nosso consumo e  assim vamos sobrevivendo.”

O sábio agradeceu pela informação,  contemplou  o   lugar por uns  momentos,  depois se despediu e foi embora. No meio do caminho, voltou ao seu fiel discípulo e ordenou: “Aprendiz, pegue a vaquinha, leve-a ao  precipício  ali  à   frente  e  empurre-a,  jogue-a  lá  embaixo.” O jovem  arregalou  os  olhos  espantado  e  questionou o mestre sobre o fato de a vaquinha  ser  o  único  meio de sobrevivência daquela família, mas, como  percebeu  o  silêncio absoluto do seu mestre, foi cumprir a ordem. Assim, empurrou a vaquinha morro abaixo e a viu morrer.

Aquela cena ficou marcada na memória daquele jovem durante alguns   anos,  até  que,  um  belo  dia,  ele  resolveu   largar  tudo o que havia  aprendido e voltar àquele mesmo lugar e contar tudo àquela família, pedir  perdão e ajudá-los. E assim o fez. Quando se aproximava do local, avistou um sítio muito bonito, com árvores floridas, todo murado, com carro na garagem e algumas crianças  brincando  no  jardim.  Ficou triste e desesperado,  imaginando  que  aquela humilde família tivera que vender o  sítio  para sobreviver. Apertou o passo e, chegando lá, foi logo recebido por um caseiro muito simpático e perguntou sobre a família que ali morava há uns quatro anos.  O caseiro respondeu: “Continuam morando aqui.” Espantado, o discípulo entrou correndo  na casa e viu que era mesmo a  família  que   visitara antes com o mestre. Elogiou o local e perguntou ao senhor (o dono da vaquinha): “Como o senhor melhorou este sítio e está   tão  bem de vida?” E o senhor, entusiasmado, respondeu: “Nós tínhamos uma vaquinha  que  caiu  no  precipício  e morreu. Daí em diante, tivemos que fazer  outras  coisas  e  desenvolver   habilidades  que  nem sabíamos que  podíamos,  assim   alcançamos  o sucesso que seus olhos vislumbram agora!”

OBS: Os dados sobre a produção agrícola foram obtidos junto a vendedores de insumos agrícolas que atuam em todo Sistema Itaparica e todos os projetos irrigados desde Sobradinho até Petrolândia. Foram entrevistados também produtores rurais da área ribeirinha de Petrolândia.

Outubro Rosa saindo, Novembro Azul chegando

“No meio do caminho tinha uma pedra… Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas” (Carlos Drummond de Andrade).

Outubro Rosa chega ao fim em 2015. Que venha o Novembro Azul. Duas campanhas que conscientizam e ajudam mulheres a combater o câncer de mama e homens o câncer de próstata. O Icó Mandantes entrou este ano na onda deste movimento mundial. É mais uma pedra que está sendo removida no caminho do povo do Icó Mandantes.

Nós que fazemos o INSTITUTO AFIM continuaremos aqui tentando remover outras pedras que têm surgido no caminho. Nada é impossível quando lutamos por uma causa. Ia tudo bem com o PROJETO JOVENS EMPREENDEDORES DA AGROINDÚSTRIA FAMILIAR DO ICÓ MANDANTES até o momento em que fomos surpreendidos por várias pedras encontradas no meio do caminho: Crise hídrica, crise política, crise econômica, e uma das maiores secas dos últimos 80 anos que atinge a região banhada pelo Rio São Francisco. Não vamos desanimar.

Até Dilma Dilma Rousseff, Eduardo Campos e Aécio Neves, quando em campanha às eleições, visitaram o INSTITUTO AFIM para dizer que dariam apoio ao projeto.

Mas tenho certeza que elas sairão do caminho. Aos poucos sairão. Vamos seguir o Conselho de Bill Gates: “Tente uma, duas, três vezes e se possível tente a quarta, a quinta e quantas vezes for necessário. Só não desista nas primeiras tentativas, a persistência é amiga da conquista. Se você quer chegar a aonde a maioria não chega, faça o que a maioria não faz”.

Enquanto vamos persistindo, tentando conquistar a nossa sonhada sustentabilidade tão necessária à elevação da autoestima de nossos jovens e promoção da paz em nosso município, que tal aproveitar o momento para fazermos nossa homenagem ao Outubro Rosa que se finda e ao Novembro Azul que se inicia, amanhã, ouvindo o Hino do INSTITUTO AFIM com a música do padroeiro da nossa Petrolândia e também padroeiro da ecologia e dos animais?

SUICÍDIO E HOMICÍDIO: O PREÇO DO PROGRESSO

Cemitério do Icó Mandantes. O Lado esquerdo da capela foi destinado ao sepultamento de pessoas vítimas de homicídios até a o final da década de 2000 e aceito pela população sem discussão.

Cemitério do Icó Mandantes. O Lado esquerdo da capela foi destinado ao sepultamento de pessoas vítimas de homicídios até a o final da década de 2000 e aceito pela população sem discussão.

A taxa de suicídio verificada no Icó Mandantes Petrolândia Pernambuco nos últimos cinco anos (2009 a 20014) é estarrecedor. 50.0. suicídios para cada grupo de 100.000 habitantes. A média no Brasil é de 6.0 dados de 2012. Petrolândia 10,15 e Itacuruba PE 26,60. Estes dados para o Projeto Icó Mandantes são alarmantes. Não Basta prevenir e combater, temos que antes buscar as possíveis causas. Uma delas seguramente é de ordem sociocultural e política.

Em 1988, com o fechamento das comportas da Barragem de Itaparica construída pela ELETROBRÁS / CHESF, romperam-se, compulsoriamente, os laços sociais, familiares, de amizade e com o meio ambiente de comunidades formadas por pessoas simples, trabalhadoras, sérias, honestas, que viviam livres como os passarinhos. Todos foram obrigados a dedicarem-se a agricultura irrigada tendo ou não experiência ou vocação.

Às margens do Rio São Francisco desapareceram as comunidades de Malhada vermelha, Carirú, Sobrado, Pé de Serra, Icó, Lagoa do Icó e Papagaio;

Às Margens do Riacho dos Mandantes: Poço da Madeira, Olho D’agua, Sítio Novo, Lagoa da Areia, Caraíba, Boa Vista, Marí, Caiçara e Panela D’agua;

Às margens do Riacho do Limão Bravo: Lagoa do Cipó, Lagoa do Angico, Chapada, Poço da Onça, Campinho, Cachimbo e Limão Bravo.

Vale aqui salientar que estou falando apenas das comunidades localizadas no município de Petrolândia. Comunidades às margens do Rio São Francisco localizadas na Bahia e município de Floresta e outras cidades adjacentes aqui também foram reassentadas. Ao todo 800 famílias.

Na primeira década pós reassentamento as taxas de homicídios entre jovens foram alarmantes a ponto de no cemitério local ter sido destinada uma ala exclusiva para pessoas vítimas de homicídio envolvidas em crimes de assalto à mão armada, roubo de carga, pistolagem, etc. Esses jovens eram filhos de reassentados. Em outras palavras: É como se não fossem seres humanos, cristãos.

Para conhecer a verdadeira história de como se deu o deslocamento e reassentamento da população e uma das possíveis causas de tanto suicídio e homicídio no Icó Mandantes leia esta matéria:

O Projeto Icó Mandantes de Petrolândia Pernambuco ontem hoje e amanhã

 “Todo processo de mudança promove novas adequações identitárias e, durante algum tempo, as populações que passam por tal processo sentem-se perdidas, pois parte de suas crenças e de suas vidas foram arrancadas, e por esta razão, vêem-se obrigadas a se redefinirem diante do mundo e de si mesmo” (prof. Severino Vicente).

“O sociólogo Emile Durkheim assinalou, no século XIX, um conceito de laço social que ainda hoje nos é muito útil. Quanto maiores os laços sociais em uma determinada comunidade, menores seriam as taxas de mortalidade por suicídio. Este conceito sociológico pode ser transposto para o nível individual: quanto menos laços sociais tem um indivíduo, maior o risco de suicídio”. (Suicídio: informando para prevenir / Associação Brasileira de Psiquiatria, comissão de Estudos e Prevenção de Suicídio. – Brasília: CFM/ABP, 2014, pg 22).

No momento o projeto Icó Mandantes passa por uma relativa e aparente fase de tranquilidade e prosperidade ao lado dessa alarmante taxa de suicídio. Os homicídios estão dentro da faixa de normalidade. Paralelamente, uma bomba relógio vem sendo lentamente montada em função do crescimento endógeno da população. Nos últimos 26 anos a população mais que triplicou. Nos próximos 10 anos teremos mais de 2.000 jovens entre 15 e 25 anos sem ter onde trabalhar, sem esperança, e com a autoestima em baixa. 95% desses jovens não querem mais se dedicar à agricultura, e mesmo que quisessem não há mais terra para trabalhar. Os governos Federal, Estadual e Municipal sozinhos não têm condições para resolver o problema. Se alguma coisa não for feita de imediato, a criminalidade vivida na primeira década do reassentamento voltará com muito mais força, agora facilitada pelo acesso fácil à drogas muito mais poderosas e o uso indiscriminado de agrotóxicos que vem contribuindo para o aumento do índice de suicício.

Entre esses agrotóxicos estão os organofosforados (Lorsban, Folidol, Azodrin, Malation, Diazinon, Nuvacron, Tamaron, Rhodiatox) e os carbonatos (Furadam, Carbaril, Temik, Zectram, Sevin). Não existe fiscalização ou qualquer controle.

O INSTITUTO AFIM nasceu nesse contexto. A sua fundação foi gestada a partir das necessidades sentidas e vividas pela própria comunidade local. Estamos tentando buscar parcerias junto aos órgãos governamentais e empresarias para evitar esse caos anunciado. Uma das soluções que perseguimos é agregar valor ao que aqui se produz através criação da cultura do empreendedorismo e associativismo e com isso partirmos para um novo modelo de desenvolvimento para o projeto através da agroindústria familiar. Isto não apenas elevará a autoestima dos jovens como também garantirá a sucessão familiar. Precisamos fazer com que os jovens sintam orgulho do meio rural onde vivem tornando-se produtivos e donos do seu próprio negócio.

Em fim, estamos lutando para concretizar um sonho. Estamos à procura de empresários e ONGs que queiram abraçar a nossa causa. Juntem-se a nós. Temos certeza que vamos conseguir.

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OBS: Os dados referentes ao Icó mandantes foram levantados em 24/09/2015. Fui em todas as agrovilas conversar com moradores fazendo a seguinte pergunta: quantas pessoas cometeram suicídio entre 2009 e 2014? Total 15. Para o cálculo foi considerado uma média de 6.000 habitantes nos últimos cinco anos. Deste total um foi cometido com revolver e outro por enforcamento. Os demais por envenenamento oriundo de produtos agrotóxicos.

Projeto Jovens Empreendedores do Icó Mandantes

Missão cumprida? Sete módulos concluídos. 68 horas aula. Começamos no dia 25/04/15 com o módulo Despertando para o Associativismo. Concluímos hoje, 27/06/15 com o módulo Negociar no Campo. Tudo dentro do prazo e com professores de altíssimo Nível. Parabéns SEBRAE. E agora para onde vamos? “Se, na verdade, não estou no mundo para simplesmente a ele me adaptar, mas para transformá-lo; se não é possível mudá-lo sem um certo sonho ou projeto de mundo, devo usar toda possibilidade que tenha para não apenas falar de minha utopia, mas participar de práticas com ela coerentes.” (Paulo Freire). Em breve estaremos anunciando a rota que seguiremos depois desses cursos. Não apenas para os que deste participaram mas também para todos que desejam participar do mundo fantástico do empreendedorismo e associativismo. Aos que ainda não se motivaram não se preocupem: Nós sabemos como chegar até vocês. Não esqueçam “A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria”. (Paulo Freire)

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Caminho do Sucesso: Fazer os outros descobrirem que precisam de nós

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Amigos, especialmente os que residem no Icó Mandantes: Eu criei, ontem, uma página no face book intitulada AFIM. Para encontrá-la digite “afim” como se estivesse pesquisado um amigo. É muito importante que vocês, curtam a página, comentem, façam críticas, deem sugestões. Apesar de está vinculada a meu perfil, todos podem publicar, comentar, compartilhar.

Esta página destina-se a comunicar, divulgar, debater ações do Instituto como também publicar matérias que contribuam para a consolidação do Projeto Jovem Empreendedor da Agroindústria Familiar do Icó Mandantes.

Todas as metas previstas para o nosso projeto estão sendo cumpridas, algumas na íntegra, outras reformuladas.

Em breve teremos novidades que vão além do que estava previsto no início do projeto.  Aguardem!!!

Lembrem-se: O INSTITUTO AFIM não tem lado, não tem bandeira política. Tem vontade de encontrar pessoas, políticos partidários ou não, com discernimento suficiente para entender que precisamos caminhar juntos de mãos dadas. Parafraseando Bill Gates: Vamos fazer com que todos precisem de nós. Vamos tentar uma, duas, três vezes e quantas forem necessárias.  Só se conquista com persistência. Para chegarmos aonde a maioria não chega o caminho mais seguro é fazer o que a maioria não faz.