PETROLÂNDIA EM TEMPO DE VACAS MAGRAS

Há cerca de 40 anos que Petrolândia não sabe o que é desemprego. Em 2013, a Terra de Pedro comemorava 104 anos de emancipação em tempo de vacas gordas e “em alto estilo”, do jeito que os políticos gostam e o seu povo também. Muita festa movida à bandas caríssimas. Foram dois dias de muito forró, muita cana e nada de cultura local: Forró Chicote, Rodolfo Melo, Capim com Mel, Geraldinho Lins e Garota Safada. Nas comemorações dos 105 anos, 2014, a dose foi Triplicada: Banda Calypso, Moleca 100 Vergonha e Victo e Léo. Recursos que poderiam ter sido poupados para os anos de vacas magras que estavam por vir caíram nas mãos de empresários de grandes bandas de outras paragens. Mas o que fazer se é disso que o povo gosta? Quatro anos após, 2017, o novo Gestor inicia o seu mandato em tempo das vacas magras e na comemoração dos 108 anos de emancipação a população teve que se contentar com Wilton Belo, Fulô de Mandacaru e Geninho Batalha. A gritaria foi geral.

Faço aqui uma pausa para comentar uma mensagem bíblica do livro Gêneses capítulo 41:

Um Faraó do antigo Egito teve dois sonhos: No primeiro viu sete vacas gordas. No segundo, sete vacas magras devorando as sete vacas gordas. Recorreu a um sábio que se encontrava na prisão: José, filho de Jacó, pedindo humildemente que decifrasse o seu sonho: Contou-lhe que tinha visto, no sonho, sete vacas magras devorando sete vacas gordas. José disse que as sete vacas gordas significavam sete anos de fartura e as sete vacas magras sete anos de escassez. José sugeriu ainda que o Faraó deveria passar os sete anos de fartura armazenando o excesso da produção para serem distribuídos nos sete anos de dificuldades. E assim, quando chegaram os sete anos de miséria o mundo todo padeceu, menos o Egito.

Voltando ao tema:

Petrolândia não teve apenas sete anos de vacas gordas, mas 35 anos. Desde meados dos anos 70 quando a CHESF se instala de mala e cuia na velha cidade preparando-se para a construção da Barragem. “Pesando todas estas vantagens CHESF” criou o escritório de Petrolândia sob a direção do engenheiro Dr. Sérgio, com uma boa equipe de funcionários de nível superior e médio, alguns recrutados na cidade, grande número de empregados para os serviços de construção da Barragem eram pessoas aqui residentes com reais vantagens para ambos os lados: para a cidade porque o desemprego ficou reduzido a quase zero… (Gilberto de Menezes, De Jatobá A Petrolândia – Três nomes uma cidade, um povo, 2014, p. 96)

Provavelmente faltou aos gestores que passaram pela prefeitura a sabedoria necessária para recorrer ao sistema educacional a fim de “armazenar”, qualitativamente, nas crianças o bem mais precioso que todo município deve proporcionar aos seus filhos: Conhecimento. Só educação de qualidade, poderia fazer com que os seus jovens adultos e adultos jovens descobrissem que moram numa cidade do tamanho do Brasil, do tamanho do mundo. O resultado dessa desastrosa falta de vontade politica caiu como uma bomba relógio nas mãos do atual gestor que, em função de sua formação humanista, sem qualquer experiência política e não acostumado com vícios nada republicanos, foi escolhido como única tábua de salvação do grupo político que estava e está no poder há 16 anos.

Seis meses é muito pouco pra fazermos uma avaliação justa pra quem ainda tem três anos e meio pela frente.

CARNAVAL PETROLÂNDIA 2017: FANTÁSTICO

“É de fazer chorar, quando o dia amanhece obriga o frevo a parar, Ôh quarta-feira ingrata chega tão depressa só pra contrariar” (Luiz Bandeira)

Mais um evento realizado pela Prefeitura de Petrolândia que gera um poder simbólico no imaginário social e cultural dos Petrolandenses que vai muito além da nossa real compreensão: O Carnaval 2017. O Prefeito Ricardo Rodolfo, com humildade, pediu que empresários locais colaborassem e o que vimos foi o maior e melhor carnaval de toda nossa história. Parabéns aos organizadores.

E o carnaval de 2018 como será? Aqui vão algumas sugestões:

1-Criar um Conselho de Cultura para entre outros organizar o Carnaval;

2-Realizar um concurso de marchinhas com compositores locais;

3-Realizar um concurso para selecionar vocalistas locais;

4-Realizar concurso para selecionar as bandas locais que participarão do carnaval;

5-Os paredões devem tocar apenas músicas do carnaval pernambucano e ao mesmo tempo todas reproduzindo as mesmas músicas sincronizadas via transmissor FM. Vocalistas selecionados no item 2 desfilariam nos paredões fazendo playback.

Vale lembrar que o frevo divide-se em três estilos: frevo de rua (Tocado por orquestra instrumental, sem adição de nenhuma voz cantando), frevo de bloco (Executado por orquestra de pau e cordas (geralmente composta por violões, cavaquinhos, banjos, bandolins, violinos, além de instrumentos de sopro e de percussão) e frevo-canção (Tem melodia cantável e andamento mais lento que o dos frevos de rua).

Exemplos de estilos de frevo:

Frevo de rua: “Vassourinhas”

https://www.youtube.com/watch?v=5Ml7N8mm8LM

Frevo Canção: “Borboleta não é ave”

https://www.youtube.com/watch?v=zXi2vevee-w

Frevo de Bloco: “Madeira que Cupim não Rói”

https://www.youtube.com/watch?v=li4SgjHF3Ic

ORLA DE PETROLÂNDIA – COMO NUM PASSE DE MÁGICA: TUDO LIMPO

Parafraseando John F. Kennedy: “Não pergunte o que Petrolândia pode fazer por você, pergunte o que você pode fazer por Petrolândia!”.

O mutirão realizado hoje por moradores e funcionários da Prefeitura a Pedido do Prefeito Ricardo Rodolfo para limpeza da Orla Fluvial de Petrolândia, tem um poder simbólico no imaginário social e cultural dos Petrolandenses que vai muito além da nossa real compreensão.

Eu entendo as razões que levam muitos jovens da nossa cidade pós-barragem de Itaparica não perceberem a importância que tem este gesto. Afinal, a maior parte de nossas raízes culturais repousa adormecida sob as águas do Velho Chico. Petrolândia deu início, hoje, ao resgate desse passado pobre, difícil, mas construído com muito orgulho. A história de Petrúcio Amorim explicitada na sua música Tareco e Mariola é também a história do povo de Petrolândia.

“Cartas na mesa,

bom jogador conhece o jogo pela regra,

não sabes tu que já tirei leite de pedra,

só pra te ver sorrir pra mim não chorar.

Você foi longe,

me machucando provocou a minha ira,

só que eu nasci entre o velame e a macambira,

quem é você pra derramar meu munguzá”

O FORRÓ/SERESTA MAIS DEMOCRÁTICO DO MUNDO EM PETROLÂNDIA

Gente humilde, pessoas simples, um bom tecladista e vocalista. Esta é a receita do tempero que há dois anos vem fazendo a alegria de quem gosta de dançar ao ar livre ao som de músicas que fazem bem ao coração a alma e a mente. No domingo de 29/01/2017 enquanto muitos petrolandenses se acotovelavam para ver Gustavo Lima em Tacaratu o público fiel do Baião D2 curtia, como sempre, o que já se tornou referência na vida noturna da nossa querida Petrolinda. Aqui todos se divertem tendo dinheiro ou não. O acesso é livre, a bebida é barata, o churrasquinho e o caldinho também. Se você não faz questão de luxo, de estar ao lado de gente pobre ou rica não deixe de conhecer o Forró/Seresta mais democrático do mundo. Além do grande cantor e tecladista Aldo Silva (proprietário do restaurante) natural da Agrovila 01 Bloco 01 a cantora Irisvânia é presença garantida todos os domingos. Não faltam também excelentes intérpretes que por aqui estão de passagem, como caminhoneiros, vendedores, promotores de vendas de outras paragens. Confira vendo o vídeo abaixo.

Para garantir a tranquilidade dos clientes há dois Seguranças e a Polícia Militar que faz ronda constante no local.

OBS

O Baião D2 & Churrascaria fica na BR 316 ao lado da PETROVEL, Petrolândia Pernambuco. Funciona de terça a domingo das 9:00 às 21 horas. O Forró/Seresta aos domingos das 19:30 às 00:00 horas.

DOMINGO NA PRAÇA – 08 DE JANEIRO DE 2017

 

O Repertório deste domingo (08/01/2017) foi dedicado aos músicos que alegravam os finais de semana no Icó e Limão Bravo até os anos 70.

Além das habituais cantoras Renata Heli e Suzi Sá Fomos agraciados com a presença de um grupo de Jovens da ICPB Petrolândia (Igreja de Cristo Pentecostal no Brasil) que deliciosamente através da música fizeram-nos viajar em busca da paz. A cantora Cida da cidade de Arcoverde também abrilhantou o evento.

O nosso muito obrigado especialmente a Rafha Santos, Everton Rubens e Willkerson  e Miicael Souza.  Apareçam sempre que puder. Jesus agradece e os frequentadores da Praça também.

PRÓXIMO DOMINGO NA PRAÇA – RECORDAÇÕES DO ICÓ E DO LIMÃO

“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós”. (Saint-Exupéry)

O repertório do próximo evento DANCE NA PRAÇA, 08/01/2017, será dedicado aos músicos que alegraram os finais de semana no nosso Saudoso Icó e Limão Bravo até o início dos anos 70. Foram eles que ensinaram a mim e a tanto(a)s outro(a)s a gostar da boa Música.  A presença daqueles humildes grandes artistas nas festas de Carnaval, São João, Natal  era imprescindível.

ZÉ MIÚDO – Nos anos 60 ele volta, de São Paulo, à sua Terra Natal trazendo um violão de Oito Bocas e a influência que lá recebeu da música Caipira. “Beijinho Doce” das Irmãs Galvão, era a sua preferida. Faleceu em 2014, aos 77 anos. Morava na Agrovila 1 dos Mandantes. Era Irmão de Dona Maria de Geracina.

MANOEL BARBOSA – Funcionário do DENOCS. Era um excelente Violonista. Sua música preferida: “Quem eu quero não me Quer” de Anísio Silva. Reassentado, Morava na Agrovila 3 do Limão. Faleceu em 2005 aos 80 anos. Era irmão de João Barbosa e Zezinho Barbosa.

MANÚ – Também um grande violonista. Suas músicas preferidas são as de Nelson Gonçalves (A Volta do Boêmio) e Ataufo Alves (Meus Tempos de Criança). Aos 87 anos ainda resiste a uma boa noitada de seresta. Reassentado, mora na Agrovila 2 do Limão.

GABRIEL RODRIGUES – Motorista do DENOCS, toca sanfona e cavaquinho e muito bem. Está com 89 anos. Mora em Arcoverde. Todos os seus filhos são músicos e tocam de tudo. Sanfona, cavaquinho, violão, guitarra, teclado, percussão, etc. Eles fizeram a abertura do Baile dos Filhos e Amigos de Petrolândia 2016.

GENIVAL – Excelente Acordeonista. Aprendeu com o Pai Gabriel Rodrigues citado acima. Mora em Itaparica, Jatobá, PE.

Cândio – Tocava Pé de Bode (sanfona de 8 baixos). Nos forrós de Pé de Latada nas taipas de casa ele não podia faltar. Faleceu aos 95 anos. Morava na Agrovila 2 dos Mandantes.

MENININHO – Tocava Acordeom.  Animava os forrós do Icó ao Limão. Reassentado, mora na Agrovila 5 do Limão. Filho de Pedro de Chico Moço e pai de Juliana Souza. De vez em quando ele relembra os bons tempos tocando na velha companheira.

CHICO DE MILA – Toca Sanfona. Era o principal forrozeiro na Chapada. Ainda relembra os velhos tempos quando de vez em quando pega na sua inseparável companheira de outrora. Reassentado, mora na Agrovila 1 do Limão.  É pai de Paulinha.

Eu não podia ficar de fora dessa Relação. O violão sempre me acompanhou. Tive minhas primeiras aulas com Manú e Manoel Barbosa. Minha música preferida era “Que queres tu de mim” de Altemar Dutra.

OBS: Se esqueci de alguém me corrija

DECLARAÇÃO DE AMOR À MINHA ETERNA NAMORADA

Um dia, ainda na minha infância pobre no saudoso Icó, eu observava o azul sem dimensão do espaço infinito. Nem uma nuvem para amenizar o calor insuportável. Como num passo de mágica aparece uma mulher na minha frente e pergunta:

– Está sonhando?

– Sim, estou pensando em voar.

Ela então me deu a mão e a partir daí jamais nos separamos.  Ela me ensinou a lutar por tudo que eu sonhava e graças ao nosso amor inseparável conseguir chegar a ser professor de uma Instituição, a Universidade Federal de Pernambuco, que como todas as Universidades no mundo, o valor maior é a liberdade. Liberdade de expressão, liberdade de pensamento.

Foi com ela que aprendi que a minha liberdade termina quando começa a dos outros qualquer que seja a opção política ou religiosa. Essa é a minha eterna namorada: A liberdade. E para homenageá-la, nada melhor do que a música do Saudoso Jessé: Voa Liberdade.  Mesmo sem saber cantar tive a permissão da minha eterna namorada para gravar este vídeo em Praça pública: A Praça dos Três Poderes em Petrolândia Pernambuco.

OBS: Este vídeo foi gravado durante o evento “TOQUE CANTE E DANCE NA PRAÇA” que acontece todos os domingos na Praça dos Três Poderes em Petrolândia Pernambuco.

Petrolândia 2016: Carnaval ontem e hoje

 

“…Foi bom te ver outra vez
Tá fazendo um ano
Foi no carnaval que passou
Eu sou aquele Pierrô
Que te abraçou e te beijou, meu amor…” (Máscara negra – Zé Kéti e Pereira Mattos).

O perfil dos carnavais saudosos de Petrolândia acabou? Não. Apenas mudou o cenário ou de cenário. Ontem, na velha cidade submersa tínhamos durante, o dia, os Corsos que eram desfiles de carros, com foliões geralmente fantasiados, que jogavam confetes, serpentinas e esguichos de lança-perfume nos ocupantes dos outros veículos. Havia também o desfile dos bonecos do grande folião Panta. À noite os bailes no Grêmio e no Clube da Barreira onde só podia entrar a fina flor da cidade. O povão tinha que se contentar com o carnaval democrático do clube Piçarrinha.

Mas se não acabou, onde estão os grandes foliões de ontem que ninguém viu brincando no carnaval de 2016 em Petrolândia? Se dermos um espiadinha nas redes sociais veremos. A fina flor formada hoje por empresários e políticos mudaram de palco. Está nos carnavais do Recife e Olinda, Rio de Janeiro, Salvador, etc, nos melhores Resorts do País ou nas Roças que de Roças só o nome. São verdadeiros paraísos à beira do lago com lindas piscinas, píer, lanchas, jets skis e muito mais.

Por aqui, a turma do tacho e tantos outros blocos não deixaram a peteca cair. A alegria tomou conta da cidade, principalmente na orla, formada por foliões consumidores que contribuem para eleger os políticos e deixar os empresários mais ricos para que no próximo carnaval se ausentem novamente da cidade para brincar o carnaval em outras paragens.

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Feminismo vs Machismo, Racismo vs Tolerância. – Dividir para dominar?

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Antes de tudo deixo aqui bem claro o meu conceito sobre o tema:

“Feminismo não prega ódio, feminismo não prega a dominação das mulheres sobre os homens. Feminismo clama por igualdade, pelo fim da dominação de um gênero sobre outro. Feminismo não é o contrário de machismo. Machismo é um sistema de dominação. Feminismo é uma luta por direitos iguais”. (Clara Averbuck)

Racismo é todo pensamento ou atitude que vise separar raças humanas considerando algumas superiores as outras. O racismo pode ser contra negros, mulatos, índios e até mesmo contra brancos. Reconheço, porém que quando se discute racismo os negros são a principal referência.

Dividir para dominar.

Quanto maior a fragmentação racial, étnica e/ou religiosa mais fácil para dominar. Neste caso a quem interessa essa fragmentação?

Quando uma pessoa, grupo ou seja lá o que for tenta desqualificar quem pensa diferente da sua ideologia, quer seja quanto ao racismo, questões de gênero, etc., está nada mais nada menos, conscientemente ou não, promovendo a divisão dos seres humanos em fragmentos que só interessa a quem domina ou quer dominar. Se já domina quer continuar dominando, e se é dominado quer chegar ao outro lado para também se tornar um dominador. Isto é feito pelas ideologias com objetivos específicos que vão sendo criadas ao longo da história. As presas mais fáceis para aderirem a tais ideologias são os jovens. O Estado Islâmico não foi criado do dia pra noite.

A foto acima, é de minha avó (Maria Cassimira da Silva, carinhosamente chamada de Bibi). A criança com o laço na cabeça é minha Mãe. Bibi é filha de uma mulata (Verônica ou Mãe Lon). Esta por sua vez é filha de uma negra (Maria Matilde da Conceição). Foi Escrava no Icó do senhor Antônio Bigodeiro. Bibi Perdeu o seu marido, portanto meu avô João Campos, Filho de Faustina Campos natural de Glória, BA, quando minha mãe tinha 18 meses. Casou-se novamente e teve mais duas filhas. Ela tinha 9 irmãos. 5 mulheres e 4 homens. Bibi era, sem saber, feminista por natureza. Mas nunca precisou se colocar contra os homens para conquistar o seu espaço. Na nossa família de filhos a netos e bisnetos a última palavra era a dela. Todos na região gostavam e a admiravam. Em resumo: Minha trisavó era negra e escrava, com muito orgulho!!!

Por fim, eu relembro o nome de várias mulheres brasileiras que contribuíram significativamente para a conquista de direitos iguais para as mulheres, índios, negros sem nunca terem precisado pregar a dominação das mulheres sobre os homens. Leiam neste link:

18 mulheres brasileiras que fizeram diferença

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